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Jaques Wagner nega irregularidades após operação da PF: 'Meu patrimônio é limpo'

O presidente Lula manifestou apoio ao senador após ele se tornar alvo da Operação Compliance Zero

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 18 de junho de 2026 às 18h04.

Última atualização em 18 de junho de 2026 às 18h09.

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O líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), negou nesta quinta-feira, 18, que tenha cometido qualquer irregularidade após agentes da Polícia Federal apreenderem dólares em endereços do senador nesta manhã. A ação faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero.

Nas redes sociais, o parlamentar afirmou que não possui CNPJ e que seu patrimônio está regularizado.

"Eu não tenho CNPJ, eu só tenho CPF. Meu patrimônio é limpo, está no meu CPF e declarado no Imposto de Renda: o apartamento onde moro e meu sítio em Andaraí. Em 2018 enfrentei o mesmo tipo de ataque e o povo da Bahia me deu a maior votação da história", escreveu em uma publicação no X (antigo Twitter).

Ele também afirmou que recebeu apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por conversa telefônica, após o início das operações.

"Recebi hoje o telefonema de solidariedade e a confiança do presidente Lula. Sigo firme o meu trabalho pelo povo baiano. A nossa caminhada continua firme!"

Em entrevista à BandNews, o petista confirmou que permanecerá na liderança do governo no Senado enquanto for essa a vontade do presidente Lula.

"Eu continuo na liderança até que o presidente Lula peça que eu me retire. Não acho que ele vai fazer isso, mas se ele fizer é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema", disse.

O senador também informou que manterá sua candidatura à reeleição para o Senado.

Operação Compliance Zero

Na manhã desta quinta-feira, o parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal na nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de favorecimento a interesses do Banco Master.

De acordo com a PF, Wagner teria sido o principal beneficiário de vantagens econômicas atribuídas a integrantes da instituição financeira. Entre os benefícios citados pelos investigadores estão pagamentos relacionados a um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador, utilização de aeronaves vinculadas ao banco e acesso a um camarote durante um show internacional em Los Angeles, com custo estimado em R$ 63,3 mil.

A apuração aponta que a ligação do senador com o caso ocorre por meio do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, que também foi alvo da operação.

Os investigadores mencionam uma troca de mensagens na qual Wagner encaminha a Lima informações sobre um imóvel de interesse na capital baiana. "A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 milhões", escreveu ele. A mensagem tem data de novembro de 2024.

Ao comentar o caso, o senador negou ter recebido recursos do Banco Master.

"Nunca recebi de dinheiro de ninguém, muito menos do Master e do Augusto Lima".

Ele também rejeitou irregularidades na negociação envolvendo o imóvel.

" Sobre o apartamento, na verdade é um apartamento que está em construção. Eu tinha interesse em dar um apartamento, ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, disse a ele: 'pode comprar? Depois eu vou recomprar'"

Desde que surgiram as investigações envolvendo o Banco Master, Jaques Wagner tem negado qualquer participação nas irregularidades atribuídas à instituição. Em fevereiro deste ano, o próprio senador classificou o caso como um esquema de “falcatruas”.

A Polícia Federal também apontou indícios de atuação do parlamentar em temas de interesse do banco. Entre eles estariam articulações junto ao governo para viabilizar a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) e apoio, no Senado, à tramitação de uma proposta apelidada de “emenda Master”.

Apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), a medida previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs).

Jaques Wagner ocupa a liderança do governo no Senado desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em administrações anteriores do PT, exerceu funções como ministro da Casa Civil, da Defesa e da Secretaria de Relações Institucionais.

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