7 de setembro: Lula mantém tom institucional no feriado (Ivan Martínez-Vargas/EXAME)
Colaboradora
Publicado em 7 de setembro de 2026 às 00h02.
O 7 de Setembro marca a Independência do Brasil, proclamada em 1822, e tradicionalmente é celebrado com desfiles cívico-militares em todo o país. Em Brasília, o rito de Estado prevê a presença do presidente da República, que desfila em carro aberto pela Esplanada dos Ministérios e faz a revista às tropas.
Nos últimos anos, porém, a data também se transformou em termômetro político.
Em 2022, ano da última disputa presidencial de Jair Bolsonaro, o então candidato à reeleição usou o feriado, que naquele ano marcava o Bicentenário da Independência, para discursar em um trio elétrico na Esplanada dos Ministérios, num ato que misturou celebração cívica e comício de campanha.
Um ano depois, em outubro de 2023, o TSE condenou Bolsonaro por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação em razão da forma como usou a data.
Em 2026, ano de eleição presidencial, o 7 de Setembro cai a menos de um mês do primeiro turno e volta a dividir a agenda política do país em duas frentes. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve manter o formato tradicional e priorizar a agenda presidencial, participando da cerimônia oficial em Brasília.
No entendimento do PT, a data representa um compromisso de Estado, e por isso a campanha de Lula não organiza nenhum ato paralelo para o mesmo dia.
Do outro lado, a campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) planeja repetir o roteiro adotado por seu pai durante o governo anterior.
O PL está organizando um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, com concentração marcada para as 15h, buscando reunir apoiadores em uma demonstração de força que sirva como vitrine para a candidatura presidencial do senador.
Diferentemente do que ocorre no campo bolsonarista, a agenda de Lula para o feriado deve seguir o roteiro protocolar de qualquer 7 de setembro, sem um ato de campanha dedicado.
Isso significa que os nomes ao lado do presidente na cerimônia de Brasília tendem a ser, sobretudo, figuras do governo e do Congresso: ministros do primeiro escalão devem acompanhá-lo no desfile cívico-militar, assim como o presidente da Câmara, Hugo Motta, que costuma prestigiar o evento oficial ao lado do Executivo.
Fora da estrutura de Estado, o campo político e sindical alinhado a Lula tem, nos últimos anos, usado o feriado para atos próprios em defesa do governo e do que classificam como soberania nacional.
Enquanto Lula mantém o tom institucional, a pauta construída pela campanha de Flávio Bolsonaro para o 7 de Setembro é declaradamente política.
O ato na Avenida Paulista deve reunir nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, além de deputados e outras lideranças do PL, com discurso concentrado em críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), sobretudo ao ministro Alexandre de Moraes, e em temas como custo de vida, juros altos e o que os organizadores chamam de perseguição política.