Repórter
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 18h00.
Última atualização em 7 de janeiro de 2026 às 18h02.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi diagnosticado, nesta quarta-feira, 7 de janeiro, com traumatismo craniano leve após sofrer uma queda na sede da Polícia Federal (PF), em Brasília.
Segundo informações médicas, o incidente ocorreu enquanto ele cumpria pena de prisão determinada no âmbito de investigações conduzidas pela corporação.
O atendimento foi realizado no hospital DF Star, onde exames de imagem identificaram uma lesão na região temporal do crânio.
"Foi evidenciado nos exames de imagem leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita, decorrente do trauma, sem necessidade de intervenção terapêutica. Deverá seguir cuidados clínicos conforme definição da equipe médica assistente", diz o boletim médico.
No hospital o ex-presidente passou por três exames:
Após a liberação hospitalar, Bolsonaro retornou ainda na tarde desta quarta-feira à Superintendência da Polícia Federal.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o encaminhamento de Bolsonaro ao hospital DF Star, em Brasília, para a realização de exames médicos.
Na decisão, Moraes autoriza a realização de tomografia computadorizada de crânio, ressonância magnética de crânio e eletroencefalograma. Os exames foram solicitados pelo médico pessoal de Bolsonaro, Brasil Ramos Caiado, como mostra pedido da defesa do ex-presidente.
O médico ressaltou que “tais exames mostram-se essenciais para adequada avaliação neurológica do Peticionário, sendo indicada a sua realização em ambiente hospitalar especializado — no Hospital DF Star, onde o Paciente vem sendo acompanhado clinicamente —, com o objetivo de afastar risco concreto de agravamento do quadro e prevenir eventuais complicações neurológicas”.
A notícia da queda de Bolsonaro foi divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que afirmou, em publicação nas redes sociais, que o ex-presidente teve uma crise enquanto dormia, caiu e bateu a cabeça em um móvel.
Integrantes da Polícia Federal minimizaram a gravidade do episódio. "O médico da Polícia Federal constatou ferimentos leves e não identificou necessidade de encaminhamento hospitalar, sendo indicada apenas observação", afirmou a PF em nota.
O episódio ocorreu poucos dias depois de Jair Bolsonaro apresentar melhora no quadro de saúde. Na semana passada, ele havia deixado o hospital DF Star, em Brasília, após permanecer internado por nove dias para uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral.
A internação começou em 24 de dezembro e terminou no primeiro dia do ano. Nesse período, Bolsonaro também passou por um bloqueio do nervo frênico, procedimento indicado para controlar crises recorrentes de soluços.
Segundo a equipe médica, o problema estaria relacionado a complicações da facada sofrida durante a campanha presidencial de 2018.
Desde que voltou à custódia da Polícia Federal, no dia 1º, aliados e interlocutores vinham relatando uma evolução clínica considerada positiva, com redução significativa das crises de soluço.
Ainda assim, pessoas ouvidas sob reserva afirmam que Bolsonaro passou a relatar dificuldades para dormir. A queixa, segundo esses relatos, estaria associada ao funcionamento contínuo e ao barulho do sistema de ar-condicionado da unidade onde está custodiado.
A defesa levou a reclamação ao Supremo Tribunal Federal. Em petição encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, os advogados afirmaram que o barulho compromete o repouso do ex-presidente e solicitaram medidas como isolamento acústico ou adequação do espaço. Na segunda-feira, Moraes determinou que a Polícia Federal se manifeste, no prazo de cinco dias, sobre as condições relatadas.
Bolsonaro está preso desde o fim de novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, imposta pelo STF por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.