Jair Bolsonaro: ex-presidente está preso desde o dia 22 de novembro (Mateus Bonomi/AFP)
Redação Exame
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 13h18.
A Polícia Federal se pronunciou sobre a queda sofrida por Jair Bolsonaro em sua cela na Superintendência da PF, em Brasília.
Segundo comunicado, o ex-presidente recebeu atendimento médico após relatar à equipe de plantão que havia sofrido uma queda durante a madrugada.
"O médico da Polícia Federal constatou ferimentos leves e não identificou necessidade de encaminhamento hospitalar, sendo indicada apenas observação", lê-se na nota.
Mais cedo, o médico Cláudio Birolini confirmou que Bolsonaro sofreu um traumatismo cranioencefálico leve e irá passar por exames para avaliação do quadro. "Em vista da situação em que ele se encontra, quedas com traumatismos são uma de nossas maiores preocupações. Já havíamos alertado sobre esse risco", disse o médico.
O cardiologista Brasil Ramos Caiado também foi acionado e está na unidade da Polícia Federal para realizar avaliação clínica do ex-presidente.
A informação foi divulgada após relato feito pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que afirmou, em publicação nas redes sociais, que o ex-presidente teve uma crise enquanto dormia, caiu e bateu a cabeça em um móvel.
A ex-primeira-dama esteve na unidade na manhã desta terça-feira, 6, e informou que aguardava a chegada de um delegado para esclarecer como foram prestados os primeiros socorros.
Integrantes da Polícia Federal, ouvidos sob reserva, afirmaram que houve atendimento no local e minimizaram a gravidade do episódio.
O episódio ocorreu poucos dias depois de Jair Bolsonaro apresentar melhora no quadro de saúde. Na semana passada, ele havia deixado o hospital DF Star, em Brasília, após permanecer internado por nove dias para uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral.
A internação começou em 24 de dezembro e terminou no primeiro dia do ano. Nesse período, Bolsonaro também passou por um bloqueio do nervo frênico, procedimento indicado para controlar crises recorrentes de soluços.
Segundo a equipe médica, o problema estaria relacionado a complicações da facada sofrida durante a campanha presidencial de 2018.
Desde que voltou à custódia da Polícia Federal, no dia 1º, aliados e interlocutores vinham relatando uma evolução clínica considerada positiva, com redução significativa das crises de soluço.
Ainda assim, pessoas ouvidas sob reserva afirmam que Bolsonaro passou a relatar dificuldades para dormir. A queixa, segundo esses relatos, estaria associada ao funcionamento contínuo e ao barulho do sistema de ar-condicionado da unidade onde está custodiado.
A defesa levou a reclamação ao Supremo Tribunal Federal. Em petição encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, os advogados afirmaram que o barulho compromete o repouso do ex-presidente e solicitaram medidas como isolamento acústico ou adequação do espaço. Na segunda-feira, Moraes determinou que a Polícia Federal se manifeste, no prazo de cinco dias, sobre as condições relatadas.
Bolsonaro está preso desde o fim de novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, imposta pelo STF por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.
*Com informações do Globo