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Governo anuncia R$ 1,3 bilhão para enfrentar El Niño em 2026

O presidente também afirmou que o governo está preparado para o fenômeno climático mesmo 'se ele acontecer de forma grave'

El Niño: fenômeno climático coloca em risco as safras de grãos; governo federal ampliará os estoques de arroz e milho (Freepik)

El Niño: fenômeno climático coloca em risco as safras de grãos; governo federal ampliará os estoques de arroz e milho (Freepik)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 29 de julho de 2026 às 13h50.

Última atualização em 29 de julho de 2026 às 13h54.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira, 29, um plano de R$ 1,3 bilhão para o enfrentamento do El Niño, previsto para este ano, e a ampliação dos estoques de arroz e milho.

O plano foi apresentado durante uma reunião no Palácio do Planalto que reuniu 21 ministros, o vice-presidente Geraldo Alckmin e representantes de diferentes órgãos do governo federal.

Segundo a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, os recursos serão destinados a ações preventivas para reduzir os impactos do fenômeno climático em áreas como agricultura, energia, segurança alimentar, saúde e combate a incêndios.

Durante o encontro, Lula afirmou que o governo prefere investir na prevenção, mesmo que os efeitos do El Niño sejam menores do que o previsto. "Se ele vai acontecer de forma grave, nós estamos preparados. Se ele não acontecer, valeu a intenção de se preparar para enfrentar alguma coisa grave", disse o presidente.

Risco para agricultura e geração de energia

De acordo com a avaliação do governo, o El Niño poderá provocar quebra das safras de arroz e milho, além de reduzir o nível dos reservatórios das hidrelétricas, especialmente nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. No Sul, a principal preocupação é o aumento das chuvas, com risco de enchentes e deslizamentos.

Para minimizar os impactos na produção agrícola, o governo pretende ampliar os estoques públicos em 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho, medida estimada em cerca de R$ 850 milhões.

Na área de energia, a expectativa de redução da geração hidrelétrica poderá exigir o acionamento de usinas termelétricas. Segundo Miriam Belchior, o governo já trabalha para garantir o abastecimento de diesel necessário ao funcionamento dessas unidades, especialmente na Região Norte, onde parte da logística depende da navegação fluvial e pode ser afetada pela queda no nível dos rios.

Distribuição de alimentos e prevenção de desastres

Outra frente do plano prevê a antecipação da distribuição de 160 mil cestas básicas, além da aquisição de outras 350 mil unidades, destinadas principalmente a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outras populações vulneráveis. O investimento previsto nessa ação é de R$ 65 milhões.

O pacote também contempla R$ 337 milhões para prevenção e combate a incêndios florestais, R$ 45 milhões para medidas de saúde pública, R$ 25 milhões para monitoramento dos níveis dos rios e R$ 13 milhões para compra de alimentos da agricultura familiar.

Entre as regiões consideradas mais sensíveis está o Sudeste, onde o governo acompanha a possibilidade de atraso das chuvas e seus impactos no abastecimento de água das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas.

Lula pede participação dos prefeitos

Durante a reunião, Lula afirmou que a atuação conjunta entre União, estados e municípios será decisiva para reduzir os danos provocados pelo fenômeno climático. O presidente destacou que o envolvimento das administrações locais pode fazer diferença na prevenção de tragédias.

"Se o prefeito estiver envolvido, a chance de evitar desgraça é muito maior", afirmou Lula, ao defender que as medidas sejam coordenadas entre os diferentes níveis de governo antes da intensificação dos efeitos do El Niño.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, provocando alterações no regime de chuvas e de temperaturas em diversas partes do mundo. Segundo o governo, a previsão é de que o fenômeno alcance intensidade considerada muito forte, com elevação superior a 2°C na temperatura das águas do Pacífico.

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