El Niño: Fenômeno pode alterar chuvas, temperaturas e ocorrência de eventos extremos (AFP/AFP Photo)
Redação Exame
Publicado em 17 de maio de 2026 às 11h59.
As chances de formação de um novo El Niño em 2026 já passam de 90%, segundo previsões da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), uma das principais referências mundiais em monitoramento climático.
O fenômeno, ligado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, pode alterar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do Brasil.
De acordo com os meteorologistas, a probabilidade de desenvolvimento do El Niño no trimestre entre maio, junho e julho é de 60%, mas sobe para mais de 90% a partir da primavera, em setembro. Apesar disso, especialistas afirmam que ainda é cedo para prever com precisão a intensidade do fenômeno e seus impactos.
Segundo fontes oficiais, há 25% de chance de ocorrer um El Niño de intensidade forte e outros 25% de probabilidade de um evento muito forte, caracterizado quando a temperatura na porção central do Oceano Pacífico supera em mais de 2°C o valor normal.
O Instituto Internacional de Pesquisa em Clima e Sociedade (IRI) destaca que previsões realizadas nesta época do ano ainda têm alta taxa de incerteza sobre a intensidade do ENOS, sigla para El Niño – Oscilação Sul. A expectativa é que previsões mais confiáveis sejam obtidas apenas no próximo inverno.
O El Niño é um fenômeno climático-oceânico caracterizado pelo aquecimento anormal das águas da região equatorial centro-leste do Oceano Pacífico tropical. Ele integra o ciclo natural chamado El Niño – Oscilação Sul (ENOS), que também inclui o La Niña, fenômeno oposto marcado pelo resfriamento das águas superficiais do Pacífico tropical.
Esse ciclo influencia padrões climáticos em diferentes partes do mundo e pode alterar chuvas, temperaturas e ocorrência de eventos extremos.
No Brasil, os efeitos mais comuns associados ao El Niño incluem aumento das chuvas na Região Sul, secas na Amazônia e no Nordeste e maior frequência de ondas de calor no Centro-Oeste e Sudeste do país.
Entre os episódios históricos de seca na Amazônia relacionados ao fenômeno estão os registrados em 1877-79, 1925, 1972-73, 1983, 1986, 1992-93, 1998, 2010, 2015-16 e 2023-24.
Eventos recentes já foram associados à atuação do El Niño. Em 2024, o Brasil registrou ondas de calor intensas e tempestades no Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul.
Especialistas ressaltam, porém, que o El Niño não causa desastres climáticos diretamente, mas aumenta ou reduz a probabilidade de eventos extremos. Além disso, não há relação direta entre a intensidade do fenômeno e a gravidade de seus impactos.
Meteorologistas afirmam que previsões sobre secas severas na Amazônia e no Nordeste ou chuvas catastróficas no Sul do Brasil ainda não são sustentadas por dados científicos confiáveis, mas por registros de ocorrências anteriores.
Os modelos climáticos mais modernos conseguem prever a evolução do El Niño com meses de antecedência, mas previsões sobre impactos específicos ainda apresentam limitações quando feitas muito cedo.