Atrasos: entre consumidores, a inadimplência permaneceu em 5,6% em junho (Geber86/Shutterstock)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 30 de julho de 2026 às 14h24.
Última atualização em 30 de julho de 2026 às 14h40.
Mesmo após a renegociação de pelo menos R$ 44,7 bilhões em dívidas por meio do Desenrola Brasil 2.0, a taxa média de inadimplência nas operações de crédito do sistema financeiro se manteve em 4,7% em junho. Este é o patamar mais alto da série histórica, iniciada pelo Banco Central (BC) em 2011.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 30, no relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC, que considera operações de crédito com atraso superior a 90 dias, tanto de pessoas físicas quanto de empresas.
Apesar da inadimplência em alta, o endividamento recuou 0,1% em junho comparado ao mês anterior, sendo 49,8% dos brasileiros endividados.
Nesta semana, o governo federal decidiu prorrogar por mais 30 dias o prazo para renegociação de débitos dentro do programa Desenrola, uma das principais iniciativas da gestão Lula para reduzir a inadimplência das famílias.
Entre os consumidores, a inadimplência permaneceu em 5,6% em junho. Já entre as empresas, o índice ficou estável em 3,2%, o maior patamar desde novembro de 2017, quando havia atingido 3,3%.
Segundo o Banco Central, a inadimplência total aumentou 1 ponto percentual nos últimos 12 meses, evidenciando uma deterioração gradual da capacidade de pagamento de famílias e empresas.
Os indicadores acompanham um cenário de juros ainda elevados e custo mais alto do crédito, fatores que pressionam o orçamento dos consumidores e dificultam a regularização das dívidas.
O Banco Central divide as operações de crédito em duas grandes modalidades: crédito direcionado e crédito livre.
O crédito direcionado reúne financiamentos voltados para setores específicos da economia, como habitação, agricultura e infraestrutura. Nesses casos, os recursos costumam vir da poupança, de fundos públicos ou de programas governamentais e, frequentemente, contam com juros subsidiados. Para as famílias, o financiamento imobiliário é o exemplo mais comum dessa modalidade.
Já o crédito livre engloba empréstimos em que bancos e instituições financeiras têm autonomia para definir taxas de juros, prazos e condições de concessão, conforme sua avaliação de risco. Nessa categoria estão operações como cartão de crédito, cheque especial e empréstimo pessoal.
É justamente nessa modalidade que a inadimplência permanece mais elevada. Entre as famílias, o índice do crédito livre ficou em 7,6%, também o maior nível da série histórica acompanhada pelo Banco Central.
Apesar da estabilidade da inadimplência em patamar recorde, o percentual de brasileiros endividados apresentou uma pequena melhora em junho.
Segundo o Banco Central, 49,8% da população possuía algum tipo de dívida, uma redução de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior.
O indicador considera pessoas com débitos ainda a vencer, como parcelas de financiamento imobiliário e de veículos, empréstimos pessoais, crédito consignado, cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas e outras modalidades de crédito.