Inadimplência no aluguel comercial reflete a pressão financeira, segundo Índice Superlógica. (BartekSzewczyk/Thinkstock)
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Publicado em 29 de julho de 2026 às 13h00.
A inadimplência de aluguel no Brasil teve leve queda (0,02 ponto percentual) e fechou junho com 3,20%. O indicador vem oscilando desde março, contudo, a variação não passa de 0,04 p.p. em todo o período, o que demonstra estabilidade.
Já na comparação com junho de 2025 (3,59%) a queda foi de 0,39 ponto percentual. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica, plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para o mercado do morar.
“A oscilação que estamos observando nos últimos meses é pequena e revela certa estabilidade, principalmente se olharmos a pressão econômica que o país enfrenta. Mas, é importante acompanharmos indicadores como taxas de juros e inflação com cautela, uma vez que esse contexto pode alterar a trajetória ao longo de 2026”, afirma Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica.
Na análise por valor, os imóveis comerciais de até R$ 1.000 apresentaram queda (-0,20p.p.), mas ainda preocupam pois concentram a maior taxa de inadimplência, de 7,40%, bem acima da média nacional. A mesma faixa de preço nos imóveis residenciais também é a maior na categoria, com 6,27%.
“Os aluguéis mais baixos, em ambos os casos, acabam sendo impactados pela sensibilidade econômica das micro e pequenas empresas, que enfrentam desafios financeiros nesse início de jornada, e das famílias de menor renda em detrimento ao custo de vida”, explica Gonçalves.
“Essa faixa [acima de R$ 13.000] costuma concentrar um perfil de locatários formado por empreendedores, comerciantes e empresários. Um público com renda familiar em geral três vezes maior que o aluguel, mas exposto a uma pressão real de carga tributária, giro mais fraco da economia e crédito caro. Enquanto esse cenário persistir, deve puxar essa taxa de forma significativa", analisa Gonçalves.
Na análise por tipo de imóvel, também houve queda nos três segmentos em junho. Os comerciais seguem com maior taxa, de 4,19%, mesmo com queda de 0,20p.p. em relação a maio (4,39%). As casas registraram queda de 3,69%, em maio, para 3,45%, em junho. Já os apartamentos tiveram índice de 2,16%, em junho, ante 2,35%, em maio.
Em junho, o Nordeste segue com a maior taxa, com 5,15% de inadimplência, mesmo com uma redução de 0,24 ponto percentual em relação a maio.
O Norte aparece em segundo lugar, com 4,30%, queda de 0,08 p.p. ante o mês anterior. Na sequência vem o Centro-Oeste, que voltou a subir, de 2,85% em maio para 3% em junho.
O Sudeste cedeu 0,19 p.p., fechando o período com 2,96%. Já o Sul permanece com o menor índice, embora tenha tido um leve aumento de 0,04 p.p. no período, e registrou 2,71%.