Brasil

Governo Lula vai ampliar prazo para aderir ao Desenrola 2.0

Programa já movimentou mais de R$ 20 bilhões em acordos

Ministro da Fazenda, Dario Durigan (Washington Costa/Ministério da Fazenda/Divulgação)

Ministro da Fazenda, Dario Durigan (Washington Costa/Ministério da Fazenda/Divulgação)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 28 de julho de 2026 às 19h16.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta terça-feira, 28, que o governo vai prorrogar o programa Desenrola 2.0 até o dia 31 de agosto, mantendo as mesmas condições de acesso. A medida será feita por ato do Ministério da Fazenda a ser publicado nesta sexta-feira, 31.

A jornalistas, o ministro disse que a prorrogação do prazo, que originalmente iria até a próxima segunda-feira, 3, visa permitir que mais pessoas acessem as medidas e possam, uma vez renegociadas suas dívidas bancárias, consigam aderir a programas como os programas de financiamento do governo federal para troca de carros e motos para motoristas e entregadores.

"Esse prazo adicional vai ser importante, inclusive, para as pessoas que estão tentando acessar os programas de moto e de carro possam resolver eventuais pendências que tenham nos bancos previamente, usar o Desenrola para depois se enquadrar nas condições para as operações de (troca) de carro e moto", disse o ministro da Fazenda.

Criado pelo governo federal para reduzir o endividamento, a nova versão do Desenrola já beneficiou mais de 6 milhões de pessoas e movimentou mais de R$ 20 bilhões em acordos, de acordo com dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Além disso, cerca de 4 milhões de consumidores com débitos de até R$ 100 tiveram seus nomes retirados dos cadastros de inadimplência, uma contrapartida dos bancos para poderem operar o Novo Desenrola. Além disso, 1,1 milhão de pessoas conseguiram quitar dívidas à vista com descontos de até 80%.

A principal modalidade do programa é o Desenrola Famílias, voltado a quem tem renda de até cinco salários mínimos e dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 que estavam atrasadas de 90 dias a dois anos em cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado.

Nesse modelo, há prazo de 35 dias para o pagamento da primeira parcela e o desconto do montante em dívida varia de 30% a 90%, a depender do atraso. No cartão de crédito, o desconto mínimo é de 40% para atrasos de 90 a 120 dias e chega a 90% com dívidas de até dois anos. Para o crédito pessoal, o desconto mínimo é de 30% para os atrasos de 90 a 120 dias e chega a 80% para débitos com dois anos de inadimplência.

Quem adere ao programa tem um limite de nova dívida, após os descontos, de R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira. Além disso, fica bloqueado para realizar apostas em bets por 12 meses.

Uso do FGTS

O governo liberou recursos do FGTS para ajudar trabalhadores a quitar débitos via Desenrola Famílias. Ao entrar no Desenrola, o trabalhador poderá usar 20% do saldo da conta ou até R$ 1 mil (o que for maior) para pagar parcial ou integralmente dívidas.

Quem tem emprestimos atrelados ao saque-aniversário do FGTS só poderá usar o saldo líquido do fundo (descontado o valor já comprometido com o empréstimo).

Desenrola do Fies

O Desenrola voltado a quem tem dívidas no Fies engloba todos os débitos com mais de 90 dias de carência, o que atinge cerca de 1,5 milhão de pessoas.

Para dívidas com mais de 90 dias e menos de um ano, se o pagamento for à vista, o desconto da totalidade dos juros e multas é de 12% do principal. Se houver parcelamento, que pode ser em até 150 meses, haverá desconto da totalidade dos juros e multas.

Para dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias, caso o estudante não esteja no CadÚnico, o  desconto é de até 77% do valor total da dívida, incluindo principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor. Para os estudantes do CadÚnico, o desconto chega a 99% do valor total da dívida, incluindo principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor.

Desenrola para adimplentes

Desde o fim de junho, o governo também opera uma modalidade do Desenrola a trabalhadores informais adimplentes, ou seja, que não têm dívidas em atraso há mais de 90 dias. O programa prevê a troca de créditos com juros mais altos por uma nova dívida com juros de, no máximo, 1,99% ao mês (equivalente a 26,68% ao ano).

São elegíveis operações de crédito pessoal cujo valor total não ultrapasse R$ 15 mil. Para aderir ao programa, é preciso que o trabalhador tenha pago ao menos quatro parcelas e esteja em dia ou com atrasos de até 90 dias no pagamento.

A nova dívida, com garantia do FGO, um fundo público, deve ter juros máximos de 1,99% ao mês. O prazo padrão para a quitação do débito corresponderá ao remanescente da dívida original, com possibilidade de ser ampliado em até seis meses.

Segundo Durigan, a nova modalidade do Desenrola também permite a tomada de créditos adicionais de até 50% do saldo devedor. Há, porém, um limite para a parcela mensal da nova dívida, fixado em 90% do valor da prestação do crédito original.

Se o trabalhador paga, por exemplo, parcelas mensais de R$ 1.000 e fizer a troca da dívida original via Desenrola Adimplentes, sua nova parcela não poderia ultrapassar R$ 900 mensais.

Acompanhe tudo sobre:Governo LulaCréditoDívidas

Mais de Brasil

Lula provoca Trump por corte de verbas à OMS: 'tratamento de saúde não é para rico'

Moraes diz que Flávio faltou a depoimento à Polícia Federal e pede que PGR se manifeste

Aneel analisará em 11 de agosto recurso da Enel contra o fim do contrato em SP

Genial/Quaest: Lula tem vantagem de 34 pontos no 1º turno em Pernambuco