Repórter
Publicado em 15 de julho de 2026 às 09h13.
A inadimplência entre produtores rurais voltou a crescer no Brasil e atingiu 8,8% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento inédito da Serasa Experian.
O índice representa alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado e de 0,6 ponto frente ao trimestre anterior.
O indicador considera pessoas físicas da população rural com dívidas vencidas há mais de 180 dias contraídas junto a empresas ligadas ao agronegócio. Ao todo, a análise abrange cerca de 10,7 milhões de produtores rurais mapeados pela empresa.
Segundo Marcelo Pimenta, chefe de agronegócio da Serasa Experian, o avanço da inadimplência mostra que o setor ainda enfrenta dificuldades para recuperar sua capacidade financeira, mesmo diante de perspectivas mais favoráveis para alguns segmentos do agro.
"Os efeitos de ciclos anteriores, com custos elevados, oscilações de preços e restrição ao crédito, seguem impactando o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento no setor", afirmou.
O levantamento aponta que os produtores sem registro rural — grupo que inclui agricultores familiares, arrendatários e trabalhadores informais — apresentaram a maior taxa de inadimplência, de 11%.
Na sequência aparecem os grandes proprietários rurais, com índice de 9,9%, seguidos pelos médios produtores (8,6%) e pequenos produtores (8,3%).
Entre as faixas etárias, os maiores níveis de inadimplência foram registrados entre produtores de 30 a 39 anos, seguidos pelos grupos de 18 a 29 anos e de 40 a 49 anos. A partir dos 50 anos, os índices passam a diminuir gradualmente.
A Região Norte lidera o ranking nacional, com inadimplência de 13,2%, seguida pelo Nordeste (10,2%) e Centro-Oeste (10,1%). O Sul apresentou o menor índice do país, de 6,2%, enquanto o Sudeste registrou 7,3%.
Entre os estados, o Amapá concentra o maior percentual de produtores inadimplentes, com 21,2%, seguido por Amazonas (15%) e Roraima (14,4%). No outro extremo, Rio Grande do Sul (5,8%), Santa Catarina e Paraná (6,4% cada) registraram os menores índices.
O estudo também mostrou deterioração do Agro Score, indicador da Serasa Experian que mede o risco de crédito dos produtores rurais. A pontuação média caiu de 606 para 591 pontos em um ano, sinalizando maior percepção de risco por parte do mercado e possível dificuldade para obtenção de financiamentos.
Segundo a empresa, o indicador utiliza inteligência artificial para cruzar informações financeiras, cadastrais e dados específicos da atividade rural, auxiliando bancos, cooperativas e empresas do setor na concessão de crédito.
*Com O Globo