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Gilmar Mendes diz que Gonet teve 'honra injustamente manchada' e critica Mendonça

Ministro do STF critica levantamento do sigilo de mensagens de Daniel Vorcaro e afirma que conversas não retratavam ilícitos; CSMPF analisará caso de Gonet em 25 de setembro

Gilmar Mendes: o ministro do STF saiu em defesa de Paulo Gonet (Adriano Machado/Reuters)

Gilmar Mendes: o ministro do STF saiu em defesa de Paulo Gonet (Adriano Machado/Reuters)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 17 de setembro de 2026 às 09h57.

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes se pronunciou nesta quinta-feira, 17, em defesa do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, afirmado que ele "teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam".

As afirmações fazem referência às mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Master, que citam o procurador-geral. O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu marcar para o dia 25 de setembro uma sessão para discutir a abertura de um procedimento sobre as mensagens.

Além disso, Mendes, como já havia feito durante a deliberação no STF nesta terça-feira, 15, acusou o ministro André Mendonça de agir por motivação partidária ao divulgar informações do caso Master envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.

"E, como na Lava Jato, a hora nunca é ao acaso. Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método", escreveu Gilmar Mendes em publicação na rede social X.

Confira na íntegra o pronunciamento de Gilmar Mendes

Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam. E, naquele exato momento, o estrago à reputação já estava feito. Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário.

Ainda assim, assistimos na terça-feira a uma cena lamentável. Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável.

E não foi só isso. A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral.

Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método. A ideia era sempre criar o fato consumado antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito. Linchamento coletivo serve para esvaziar o direito de defesa e enterrar a presunção de inocência.

E, como na Lava Jato, a hora nunca é ao acaso. Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método. No fundo, o alvo é o direito de defesa de pessoas contra as quais esses agentes nutrem algo que se parece muito mais com vingança do que com justiça.

Instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato.

A Paulo Gonet, minha integral solidariedade. O Brasil e as instituições são devedores da coragem, da seriedade e da correção de homens como ele.

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