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Enchentes em Minas Gerais: 30 mortos, 39 desaparecidos e alerta para novas chuvas

Governo reconhece calamidade e envia equipes federais para a região

Enchentes em Minas Gerais: ruas alagadas e casas destruídas após transbordamento de rios na Zona da Mata. (Pablo PORCIUNCULA / AFP)

Enchentes em Minas Gerais: ruas alagadas e casas destruídas após transbordamento de rios na Zona da Mata. (Pablo PORCIUNCULA / AFP)

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 10h53.

Última atualização em 25 de fevereiro de 2026 às 10h57.

As enchentes e deslizamentos registrados nesta semana, na Zona da Mata mineira, deixaram ao menos 30 mortos, 39 desaparecidos e milhares de pessoas fora de casa, com maior impacto em Juiz de Fora e Ubá.

As autoridades mantêm alerta para a possibilidade de novas ocorrências devido à previsão de mais chuva nos próximos dias.

Em Juiz de Fora, os registros indicavam cerca de 24 mortes, 39 desaparecidos e aproximadamente 3 mil desabrigados até 24 de fevereiro. O município decretou estado de calamidade pública após o transbordamento do rio Paraibuna e de córregos urbanos, com bairros ilhados e imóveis destruídos por enxurradas e soterramentos.

Em Ubá, há registro de mortes, desaparecidos, deslizamentos de encostas e inundações, com centenas de desabrigados. Outras áreas de Minas, como municípios do Centro-Oeste, entre eles Formiga, também enfrentaram temporais desde janeiro, com transbordamento de rios e alagamentos, ainda que com menor número de óbitos.

Causas e riscos

O evento extremo é atribuído à combinação de frente fria, cavado atmosférico e formação de supercélula, que concentrou umidade sobre o relevo da Zona da Mata.

Em Juiz de Fora, o acumulado de chuva em fevereiro chegou a cerca de 589,6 mm até o dia 24, mais de três vezes a média histórica do mês. Houve episódios de volumes superiores a 100 mm em menos de 12 horas, cenário que favorece enxurradas rápidas, transbordamento de rios e deslizamentos.

Órgãos de monitoramento como o Cemaden e o Inmet mantêm alertas de grande perigo para volumes elevados de chuva em partes de Minas Gerais, com risco muito alto de novas enxurradas, alagamentos e escorregamentos de encosta nos próximos dias.

Ações do governo federal

O governo federal reconheceu a situação de calamidade em Juiz de Fora, o que acelera a liberação de recursos para ações de socorro e reconstrução. A Defesa Civil Nacional deslocou especialistas do Grupo de Apoio a Desastres para apoio humanitário, restabelecimento de serviços essenciais e planejamento de reconstrução.

Equipes federais de saúde e assistência social foram enviadas para reforçar o atendimento médico, o apoio psicossocial e a logística de abrigos.

O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, anunciou a antecipação do pagamento do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para famílias atingida.

O governo federal também informou que adotará repasse financeiro às prefeituras das cidades afetadas. Serão destinados R$ 800 às prefeituras por cada pessoa desabrigada, para viabilizar suporte emergencial e aquisição de mantimentos.

A antecipação dos benefícios e o envio de recursos adicionais integram o conjunto de ações emergenciais para atendimento à população atingida.

"O Ministério do Desenvolvimento Social vai liberar recursos de R$ 800 por pessoa desabrigada. Nós temos centenas de pessoas desabrigadas. Esse recurso é para a prefeitura comprar colchão, mantimento, roupa, enfim, para apoiar. E para as famílias, será antecipado o pagamento do Bolsa Família e do BPC", detalhou Geraldo Alckmin em coletiva de imprensa.

Autoridades pedem atenção

As autoridades alertam para risco alto a muito alto de novos deslizamentos em encostas já saturadas, sobretudo após acumulados acima de 150 mm em curto período.

A orientação é evitar travessias a pé ou de carro em áreas alagadas, observar sinais de instabilidade — como trincas em paredes e no solo, portas emperrando e estalos — e acionar imediatamente Defesa Civil e Corpo de Bombeiros diante de qualquer indício de risco.

Famílias que vivem em encostas, beiras de córregos e fundos de vale são consideradas as mais vulneráveis e devem buscar abrigo temporário quando houver alerta oficial.

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