Chuvas em Minas Gerais: Juiz de Fora e outros municípios da Zona da Mata foram os mais atingidos (Reprodução/Agência Brasil)
Repórter
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 14h22.
Última atualização em 27 de fevereiro de 2026 às 14h55.
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Paulo Rezende, declarou nesta sexta-feira, 27, que há previsão de chuvas intensas na Zona da Mata mineira até o fim da semana, em meio ao cenário de impactos provocados pelos temporais.
Segundo atualização divulgada pela Polícia Civil de Minas Gerais, nesta sexta-feira, 26, o número de mortos chegou a 68 na região. Em entrevista coletiva, o coordenador solicitou que moradores, principalmente os que vivem em áreas classificadas como de risco, sigam as orientações oficiais.
"A gente vive um momento de extremos climáticos. A gente consegue emitir o alerta a tempo, mas a gente precisa que as pessoas levem a sério os alertas, saiam das áreas de risco e não retornem. A gente consegue emitir os alertas, mas há imprevisibilidade sobre a forma como ela [a chuva] vai cair em determinado local. Mas a gente sabe que terá volume importante de chuvas até o fim da semana, e a gente precisa que a população adote comportamento de autoproteção", declarou Rezende.
Rezende orientou a população a realizar cadastro no sistema estadual de alertas e ativar a funcionalidade que bloqueia o celular em casos de aviso classificado como severo ou extremo. Ele afirmou que as equipes operam com maquinário específico e estrutura mobilizada, mas indicou que o contexto exige cautela.
"Mesmo com esse trabalho de restabelecimento da normalidade, o mais importante é preservar vidas. É momento de ter paciência porque a chuva continua e trava a gente em algumas coisas, mas quero garantir a todos o máximo senso de urgência. Estamos atendendo a todos os municípios e mobilizando esforços, às vezes demora um pouco. Nosso primeiro esforço é o emergencial", disse ele, ao citar a distribuição de kits de higiene, de limpeza e de dormitório, entre outros produtos.
No Corpo de Bombeiros, o coronel Joselito Oliveira de Paula detalhou que, até o início da tarde desta sexta-feira, 27, 58 corpos haviam sido resgatados em Juiz de Fora e seis em Ubá, totalizando 64 vítimas localizadas pelas equipes. Outras pessoas foram socorridas por terceiros e levadas a unidades hospitalares, mas não resistiram, o que explica a diferença em relação ao balanço da Polícia Civil.
As buscas seguem por cinco desaparecidos, sendo três em Juiz de Fora e dois em Ubá. De acordo com o oficial, os trabalhos contam com apoio de cães farejadores, drones e aeronaves.
"Em Ubá as buscas seguem continuamente, tem vários militares percorrendo o rio atrás dos dois corpos pendentes. Há drones, aeronaves, mas embarcação ainda não, por questão de segurança. Mas há bombeiros caminhando pelo leito em busca visual, e cães foram acionados. É difícil falar em expectativa [de quando acabará a operação]. Nossa técnica é bater todo o terreno. Enquanto não vasculharmos toda a área, não vai ser encerrada a operação", ressaltou ele aos jornalistas.
O coronel também fez alerta sobre a atuação de civis em áreas consideradas críticas.
"É um trabalho de risco, é preciso haver profissionais preparados para entrar na chamada zona quente. Envolve técnica e muito risco. Tem todo um treinamento especializado. Dependendo do risco, não é todo bombeiro militar que entra. Se tem até bombeiro especializado para isso, que dirá um civil com boa vontade. Toda ajuda é bem-vinda, mas é preciso consultar os órgãos para saber como ajudar", destacou.
A Polícia Civil de Minas Gerais ampliou o número de peritos deslocados para a região e estruturou, em uma delegacia, um ponto para coleta de DNA de familiares de desaparecidos, para acelerar processos de identificação.
Chuvas em MG: governo vai liberar R$ 800 por desabrigado e antecipar Bolsa Família, diz AlckminO total de mortos em decorrência da chuva que atingiu Juiz de Fora (MG), na Zona da Mata, passou de 58 para 62, segundo balanço divulgado nesta sexta-feira, 27, pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
Com a confirmação de seis óbitos em Ubá (MG), município da mesma região, o número geral de vítimas do desastre climático chegou a 68.
Os dados constam na atualização oficial publicada pela PCMG nesta sexta-feira, 27.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu nesta terça-feira, 24, estado de calamidade pública em Juiz de Fora (MG), após fortes chuvas registradas desde a noite de segunda-feira, 23.
A decisão ocorre após registros de desabamentos e deslizamentos de terra no município da Zona da Mata mineira. De acordo com o ministério, equipes federais iniciam ainda nesta terça-feira ações de socorro e ajuda humanitária. A Defesa Civil Nacional opera em nível de alerta máximo na região.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também disse que o governo federal já reconheceu o estado de calamidade em Juiz de Fora (MG) e que o decreto será publicado no Diário Oficial da União ainda nesta terça-feira.
"Durante escala de viagem em Abu Dhabi, tomei conhecimento da situação das famílias da Zona da Mata Mineira após as fortes chuvas das últimas horas. E determinei pronta mobilização do Governo do Brasil para auxiliar a população da região. Uma equipe de coordenação da Força Nacional do SUS já está a caminho. E a Defesa Civil Nacional, além de já ter enviado profissionais à Zona da Mata, trabalha em regime de alerta máximo e em permanente contato com a Defesa Civil Mineira", disse o presidente, em uma publicação no X.
E reforçou: "Já reconhecemos o estado de calamidade em Juiz de Fora – que será publicado em Diário Oficial ainda hoje. Nas próximas horas – e dias – seguiremos de prontidão para agir com a velocidade e a força que o momento exige. Nosso foco é garantir a assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços básicos, o auxílio às pessoas desabrigadas e o suporte à reconstrução".
Durante escala de viagem em Abu Dhabi, tomei conhecimento da situação das famílias da Zona da Mata Mineira após as fortes chuvas das últimas horas. E determinei pronta mobilização do Governo do Brasil para auxiliar a população da região. Uma equipe de coordenação da Força…
— Lula (@LulaOficial) February 24, 2026
Na terça-feira, oito técnicos do Grupo de Apoio a Desastres (GADE) foram deslocados para a cidade, acompanhados do secretário nacional de Defesa Civil, Wolnei Wolff. O grupo atua na avaliação de danos, levantamento de necessidades e apoio à coordenação local das respostas emergenciais.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso de “Grande Perigo” para acumulado de chuva em [grifar]607 cidades das regiões Sudeste, Sul e Nordeste. O alerta começou às 9h45 desta terça-feira, 24, e segue válido até as 23h59 de sexta-feira, 27.
O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, anunciou a antecipação do pagamento do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para famílias atingidas pelas fortes chuvas em municípios de Minas Gerais desde ontem. A medida busca assegurar acesso imediato aos recursos em meio aos impactos provocados pelos temporais.
O governo federal também informou que adotará repasse financeiro às prefeituras das cidades afetadas. Serão destinados R$ 800 às prefeituras por cada pessoa desabrigada, para viabilizar suporte emergencial e aquisição de mantimentos.
A antecipação dos benefícios e o envio de recursos adicionais integram o conjunto de ações emergenciais para atendimento à população atingida.
"O Ministério do Desenvolvimento Social vai liberar recursos de R$ 800 por pessoa desabrigada. Nós temos centenas de pessoas desabrigadas. Esse recurso é para a prefeitura comprar colchão, mantimento, roupa, enfim, para apoiar. E para as famílias, será antecipado o pagamento do Bolsa Família e do BPC", detalhou Geraldo Alckmin em coletiva de imprensa.
Ele também afirmou que a ajuda às vítimas conta com a integração entre ministérios e o suporte dos militares. "Defesa Civil, Ministério da Defesa, Exército, Saúde, todo mundo trabalhando e, depois [a prioridade é] a recuperação dos municípios da região".
No pronunciamento, o presidente em exercício ressaltou que oito municípios foram afetados pelas fortes chuvas. Até o momento, não há definição sobre o volume total de recursos que será destinado às cidades atingidas.
De acordo com Alckmin, o cálculo dependerá das informações enviadas pelas prefeituras. O valor final será estabelecido conforme os municípios apresentarem o número de pessoas desabrigadas, mas esse dado que ainda não foi consolidado.