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Eleição presidencial: a importância de Minas Gerais para decidir o vencedor

Nas últimas eleições presidenciais, o postulante ao Palácio do Planalto que venceu no estado, saiu também vitorioso nacionalmente

Belo Horizonte: capital mineira é o terceiro maior colégio eleitoral do país, entre as cidades. (Danny Lehman/Getty Images)

Belo Horizonte: capital mineira é o terceiro maior colégio eleitoral do país, entre as cidades. (Danny Lehman/Getty Images)

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Gilson Garrett Jr

4 de junho de 2022, 09h00

Minas Gerais ajuda a entender como os brasileiros votam. Nas últimas eleições presidenciais, o postulante ao Palácio do Planalto que venceu no estado, saiu também vitorioso nacionalmente. Em 2010 e 2014, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) recebeu porcentagem quase idêntica de votos em Minas Gerais e no total do Brasil. O mesmo ocorreu com a vitória do presidente Jair Bolsonaro (PL), na eleição de 2018.

O cientista político Marco Antonio Teixeira, coordenador do mestrado profissional em gestão e políticas públicas da FGV EAESP, explica que Minas Gerais é um reflexo do Brasil muito pela sua geografia, por estar na região Sudeste, ter fronteira com o Nordeste e com o Centro-Oeste.

“É o segundo estado mais populoso do Brasil e tem influência de vários estados do Centro-Oeste, da Bahia e de São Paulo. Minas Gerais é uma síntese do Brasil”, diz.

O mesmo entendimento é percebido por André César, cientista político da Hold Assessoria. “Minas Gerais é muito estratégico, com influências de todo o Brasil. No Vale do Jequitinhonha o estado tem muito reflexo e sentimento do Nordeste. No Triângulo Mineiro é muito Centro-Oeste, ligado ao agronegócio. Mais ao sul, tem influência de São Paulo, como também do Rio de Janeiro”, avalia.

Essa influência na política nacional não é de hoje. Vale lembrar que o estado revezava com São Paulo a indicação do presidente do país na política chamada de Café com Leite, até a Revolução de 1930, que levou o gaúcho Getúlio Vargas ao poder.

Tancredo Neves, que morreu antes de assumir, era mineiro e foi o primeiro presidente eleito do Brasil na redemocratização. Itamar Franco, apesar de ter nascido em alto mar, é de Minas Gerais e fez carreira política no estado.

E não é só a posição estratégica que é importante do ponto de vista eleitoral, os números também são significativos. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral de 2020, Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, com 16 milhões de eleitores, só atrás de São Paulo, que tem 33 milhões de brasileiros aptos a votar.

No Sudeste, disputa está indefinida

O segundo turno da eleição presidencial está indefinido no maior colégio eleitoral do país, o Sudeste, segundo a pesquisa eleitoral EXAME/IDEIA divulgada no último dia 19 de maio. Em uma simulação da disputa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 44% das intenções de voto, contra 40% do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Apesar do petista estar na frente, o cenário é considerado empate, por estar dentro da margem de erro dos estratos da pesquisa, que é de seis pontos percentuais para mais ou para menos.

A sondagem ouviu 1.500 pessoas entre os dias 14 e 19 de maio. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para celulares. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-01734/2022. A EXAME/IDEIA é um projeto que une EXAME e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública. Leia o relatório completo.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, o Sudeste é o maior colégio eleitoral do país. Nas eleições de 2020, a região concentrava 64.720.797 de eleitores, ou 42,99% dos aptos a votar em todo o país. A segunda maior região em número de eleitores é o Nordeste, com 40.654.818 (27,01% do total). O Sul conta com 14,47% dos eleitores, o que contabiliza 21.781.949 brasileiros. A região Norte tem 11.908.196 (7,91%) votantes. A região Centro-Oeste concentra o menor número de eleitores: 10.943.887 (7,27% do total).

Apesar de estar indefinido no Sudeste, a disputa entre Lula e Bolsonaro está com uma tendência mais definida em outras regiões. A maior diferença é no Nordeste, com 63% das intenções de voto contra 25%, em favor do petista. O atual presidente venceria Lula no Norte (57% a 31%), no Centro-Oeste (51% a 33%), e no Sul (48% a 37%).

Nos números gerais, o ex-presidente tem 46% das intenções de voto, e o presidente Bolsonaro, 39%. A distância entre os dois é de 7 pontos percentuais, a menor em um ano.

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Primeiro turno

Em uma simulação de primeiro turno de forma estimulada, em que os nomes são apresentados previamente, Lula superou os 40% em janeiro deste ano e desde então oscilou dentro da margem de erro, ficando com 41% nesta pesquisa de 19 de maio. Bolsonaro passou de 24%, no começo do ano, para 32%. Ciro Gomes estava com sete pontos em janeiro, e agora tem 9% das intenções de voto.

Vale lembrar que, por conta da desistência de Sergio Moro (União Brasil) da corrida presidencial, a pesquisa não testou o nome dele na sondagem de abril e nesta, de maio. Sem o ex-juiz, tanto Lula quanto Bolsonaro receberam mais intenções de voto, sendo maior a proporção para o presidente.

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Em um primeiro turno, Bolsonaro mantém a vantagem em relação a Lula, registrada na pesquisa de abril, nas regiões Norte (50% X 24%), Centro-Oeste (43% X 28%), e no Sul (40% X 34%). O petista tem a preferência dos eleitores nos maiores colégios eleitorais do país: Sudeste (37% a 33%), e no Nordeste (58% a 19%).

Por renda, o atual presidente venceria entre os mais ricos. Nas classes A e B, Bolsonaro aparece com 41% das intenções de voto, contra 34% de Lula. Nas classes D e E, o petista tem 45%, contra 24% do atual ocupante do Palácio do Planalto.

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