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Como chegam Renan, Caiado e Zema para o início da campanha presidencial

Caiado aposta no tempo de TV, enquanto Renan Santos e Zema recorrem à internet para tentar ganhar espaço entre Lula e Flávio Bolsonaro

Eleições 2026: Renan, Caiado e Zema chegam ao início oficial da campanha presidencial como os nomes do segundo pelotão da disputa (Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Montagem/Flickr)

Eleições 2026: Renan, Caiado e Zema chegam ao início oficial da campanha presidencial como os nomes do segundo pelotão da disputa (Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Montagem/Flickr)

Publicado em 16 de agosto de 2026 às 08h00.

Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) chegam ao início oficial da campanha presidencial como os nomes do segundo pelotão da disputa. Distantes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), os três aparecem próximos entre si nas pesquisas e apostam que a abertura da campanha, com maior exposição e o início das agendas eleitorais, pode mudar esse cenário.

Na pesquisa CNT/MDA divulgada nesta semana, Caiado tem 4% das intenções de voto, Zema aparece com 3,3% e Renan Santos, com 2,8%. Já no levantamento BTG/Nexus, realizado nos mesmos dias, os três também aparecem próximos: Caiado tem 5%, Renan 4% e Zema 3%.

As estratégias, porém, são diferentes. Caiado conta com tempo de televisão e pretende usar a propaganda para apresentar ao eleitor nacional os resultados de seus dois mandatos em Goiás. Renan e Zema, sem espaço no horário eleitoral gratuito, terão de depender principalmente da internet e de outros formatos de comunicação para ampliar o nível de conhecimento sobre suas candidaturas.

Renan na internet e no mercado

Renan Santos chega à largada da campanha praticamente empatado com Caiado e Zema nas pesquisas e tentando transformar o desconhecimento sobre seu nome em oportunidade de crescimento.

Sem tempo de televisão, a campanha aposta principalmente em vídeos, lives, entrevistas e redes sociais. A estratégia já vinha sendo planejada antes do início oficial da corrida, inclusive com a intenção de percorrer municípios do interior em motorhomes.

O candidato do Missão à presidência da República, Renan Santos

O candidato do Missão à presidência da República, Renan Santos

O candidato também tenta ocupar um espaço específico dentro da direita. Segundo apuração da EXAME, Renan tem realizado encontros com representantes do mercado financeiro e encontrado uma receptividade no setor. A aproximação faz parte da estratégia de mostrar que o Missão pretende ocupar de fato um espaço à direita, inclusive na agenda econômica, e não apenas funcionar como uma candidatura de protesto ao lulismo e ao bolsonarismo.

A tentativa de se diferenciar de Flávio ficou ainda mais explícita nos últimos dias. Em evento em São Paulo, Renan afirmou que o Brasil estaria se iludindo com uma “farsa bolsonarista” e criticou diretamente o senador do PL.

A campanha, portanto, começa com uma aposta dupla: usar a internet para compensar a ausência de televisão e, ao mesmo tempo, tentar construir uma imagem de candidato de direita capaz de dialogar com setores do empresariado e do mercado que buscam uma alternativa ao bolsonarismo.

Caiado na televisão com portfólio goiano

Ronaldo Caiado começa a corrida com a principal vantagem de comunicação entre os três: o tempo de televisão. A campanha pretende aproveitar o horário eleitoral para apresentar nacionalmente o governador que passou oito anos à frente de Goiás e transformar os resultados de sua gestão em cartão de visitas para o restante do país.

A estratégia é especialmente importante porque Caiado precisa aumentar o nível de conhecimento fora de Goiás, único estado em que nem Lula nem Flávio lideram. Em São Paulo, por exemplo, o candidato tem intensificado encontros com empresários e apresentado sua agenda econômica e de segurança como parte da tentativa de se consolidar como uma alternativa de direita não alinhada diretamente ao bolsonarismo.

Segundo Caiado, Fraga é hoje seu principal interlocutor na elaboração do plano de governo. (Alessandra Carvalho/VIP Battistini)

A largada, porém, ocorre sem uma ampla aliança partidária em torno de sua candidatura. O PSD optou por uma chapa própria, com Gilberto Kassab, presidente nacional da legenda, como vice. Kassab afirmou que a ideia de uma chapa pura estava colocada desde o início, embora Caiado tenha passado boa parte da pré-campanha tentando ampliar seu arco de alianças.

O tom em relação ao senador do PL também mudou. Se no início da pré-campanha Caiado evitava fazer de Flávio um dos principais alvos, o candidato do PSD passou a atacá-lo diretamente. Em julho, chegou a chamá-lo de “candidato Kinder Ovo”, em uma referência à ideia de que o senador apresenta uma “surpresa” diferente a cada dia.

A disputa pelo eleitorado de direita, portanto, é central para a campanha de Caiado. A expectativa é que a combinação de tempo de televisão, exposição da gestão em Goiás e maior conhecimento do candidato permita que ele avance sobre a distância que hoje o separa de Lula e Flávio.

Zema recua de confronto com Flávio

Romeu Zema chega à campanha em uma posição semelhante à de Renan em termos de exposição, já que o Novo não terá direito a tempo no horário eleitoral gratuito, e o candidato terá de recorrer principalmente às redes sociais, entrevistas e debates para ampliar seu alcance.

O ex-governador de Minas Gerais também começou a pré-campanha tentando se apresentar como uma alternativa ao bolsonarismo. Zema chegou a elevar o tom contra Flávio e a se distanciar do senador depois de episódios que atingiram a campanha do candidato do PL, como seu envolvimento no tarifaço do presidente americano, Donald Trump, contra o Brasil.

Romeu Zema

Zema enfrentou resistência no Novo mas manteve candidatura (Dirceu Aurélio/Imprensa MG/Divulgação)

A estratégia, porém, encontrou resistência dentro do próprio Novo. A direção do partido passou a pressionar Zema para evitar novos ataques a Flávio durante a campanha, em uma tentativa de preservar a unidade da direita e manter aberta a possibilidade de alianças no segundo turno.

Com isso, Zema passou a moderar as críticas ao adversário. Flávio concentra hoje a maior parte do eleitorado identificado com a direita, e uma campanha de confronto direto poderia dificultar a relação de Zema com setores do próprio partido e com esse eleitorado.

A mudança deixa Zema em uma posição mais delicada. Ele precisa se apresentar como alternativa para crescer, mas sem transformar Flávio no principal adversário. Ao mesmo tempo, não dispõe do tempo de televisão que poderia ajudá-lo a apresentar sua gestão em Minas Gerais para um público nacional.

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