Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter
Publicado em 23 de julho de 2026 às 20h31.
Última atualização em 23 de julho de 2026 às 20h33.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos, declarou que a nova tarifa de 12,5% dos Estados Unidos ao Brasil, anunciada nesta quinta-feira, terá um grande impacto político durante as eleições presidenciais.
O representante do governo afirmou que a decisão da gestão de Donald Trump deixa claro que a disputa nas urnas não será apenas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro, pois há necessidade de proteger o país dos interesses dos EUA.
"Mais uma tarifa dos EUA contra o Brasil: agora mais 12,5% sobre os nossos produtos. Fica cada dia mais nítido o que estará em jogo nas eleições de outubro. Não será simplesmente Lula contra o bolsonarismo", declarou o ministro, nas redes sociais.
Boulos criticou o presidente americano Donald Trump por adotar políticas colonialistas e mencionou também o senador Flávio Bolsonaro.
"Será a defesa do Brasil contra as ambições colonialistas de Donald Trump. Ele quer rendição, que foi oferecida de forma vexatória por Flávio Bolsonaro, incluindo entregar a transição de governo para supervisão dos EUA", disse.
E acrescentou: "A resposta do povo brasileiro a quem quer nos submeter e a seus traidores de plantão virá nas urnas!"
Os Estados Unidos impuseram uma nova tarifa ao Brasil, de 12,5%, nesta quinta-feira, 23, pela acusação de que as exportações feitas pelo país se beneficiam de trabalhos forçados.
A nova taxa será aplicada, ao todo, a 60 economias que foram alvo da mesma acusação. Há também, uma lista de produtos isentos, que inclui carne, café e outros itens. Mercadorias que já eram alvo de tarifas pela Seção 232 ficam isentas da nova cobrança.
A medida entra em vigor à 1h01 desta sexta-feira, 24, hora de Brasília. Na prática, a nova cobrança substituirá outra tarifa, de 10%, que estava em vigor desde fevereiro e havia sido adotada depois que a Suprema Corte derrubou as tarifas recíprocas que o presidente Donald Trump havia criado em abril de 2025.
A nova cobrança varia de acordo com o país. Alguns deles, que teriam aplicado medidas mais firmes contra o trabalho forçado, serão taxados em 10%. São eles: Argentina, Bangladesh, Camboja, Canadá, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Índia, Indonésia, Jordânia, Malásia, México, Paquistão, Sri Lanka, Trinidad e Tobago e Reino Unido.
Haverá, ainda, uma taxa intermediária entre 10% e 12,5% para alguns produtos da União Europeia, Taiwan, Japão, Coreia e Suíça.
Os demais países, como o Brasil, foram alvo da tarifa de 12,5%.
Na semana passada, o Brasil já havia sido alvo de outra tarifa, de 25%. Assim, parte dos produtos poderá ter uma cobrança somada de 37,5%. Os EUA divulgaram duas listas de isenções, com milhares de itens, e que ainda estão sendo analisadas, para determinar qual será o impacto exato das novas cobranças.
Os EUA acusam os outros países de se beneficiarem de trabalhos forçados, apesar de várias evidências em contrário.
"Por quase 100 anos, a lei dos EUA proibiu a importação de bens extraídos, produzidos ou fabricados total ou parcialmente com trabalho forçado. Essa proibição reconhece não apenas as preocupações humanitárias associadas a permitir que terceiros lucrem com o sofrimento de outros, mas também as preocupações de política externa e segurança nacional decorrentes da exploração de trabalhadores", disse o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), ao anunciar a abertura do processo.
"Tal exploração ameaça os produtores nacionais que precisam competir com bens estrangeiros produzidos com uma vantagem de custo artificial e pode prejudicar os trabalhadores e cidadãos dos EUA ao distorcer a concorrência e a compra de bens produzidos em condições exploratórias", diz o USTR.
Para os EUA, o trabalho forçado é definido como "trabalho ou serviço extraído de uma pessoa sob a ameaça de qualquer penalidade por sua não execução e para o qual o trabalhador não se oferece voluntariamente."
“A ação de hoje começará a corrigir o que é tanto uma violação dos direitos humanos quanto uma prática comercial distorcida, visando melhorar o bem-estar dos trabalhadores em todo o mundo. Estou encorajado pelos parceiros comerciais que agiram rapidamente para adotar proibições de importação de produtos que utilizam trabalho forçado e espero garantir sua efetiva aplicação", disse Jamieson Greer, representante comercial dos EUA e chefe do USTR, nesta quinta-feira, 23, em comunicado.