Eleições 2026: após debate na Band, nome de Cury têm aumento de buscas nas redes sociais (Renato Pizzutto/ Band /Flickr)
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Publicado em 1 de setembro de 2026 às 18h36.
O candidato à Presidência da República, Augusto Cury, registrou um crescimento expressivo nas redes sociais ao longo de agosto de 2026, segundo levantamento da Datrix, empresa de inteligência de dados e monitoramento digital, divulgado em primeira mão à EXAME. A onda digital coincidiu com o salto nas pesquisas eleitorais.
Segundo o estudo, que mapeou a conversa pública sobre Cury entre 1º e 31 de agosto, o volume de publicações que mencionam o nome do pré-candidato saltou de uma média de 1,2 mil por dia, no período anterior ao Debate Band, para 48,6 mil por dia entre os dias 23 e 31 daquele mês, alta de 40 vezes.
O crescimento não parou nas publicações. No mesmo intervalo, as impressões sobre Cury aumentaram 8,6 vezes, e as interações, 2.257 vezes, um sinal de que o fenômeno foi puxado sobretudo pelo engajamento e pela viralização do conteúdo, e não apenas pelo alcance das publicações.
Os seguidores do pré-candidato no Instagram também acompanharam esse movimento: a conta passou de 8,30 milhões para 10,82 milhões de seguidores no período, um ganho de 2,52 milhões, o equivalente a 30%.
Para João Paulo Castro, CEO da Datrix, existe um encadeamento claro por trás do crescimento do pré-candidato nas redes. Segundo ele, o movimento começou no próprio dia do Debate Band, quando uma onda de interesse imediato foi comprovada pelo volume de buscas no Google em tempo real.
Depois disso, surgiu um crescimento fora dos padrões habituais entre influenciadores que passaram a comentar o nome de Cury, alguns deles chegando a recomendar o pré-candidato, somado a um avanço exponencial no número de seguidores.
A Datrix também identificou um comportamento fora do padrão entre os formadores de opinião que passaram a falar sobre Cury: o número de autores ativos por dia cresceu 277% na semana do debate.
Na semana seguinte, enquanto os concorrentes recuaram entre 59% e 74% nesse mesmo indicador, a rede de conversas em torno de Cury voltou a crescer 43%, na contramão do restante do campo político nas redes.
Para o CEO da Datrix, o ritmo do crescimento chama atenção. O ganho de seguidores registrado no período foi cerca de 200 vezes maior do que o observado entre maio e julho.
"Ainda é cedo para quem está de fora saber o que foi impulsionado e o que é orgânico. O fato é que o movimento foi bem orquestrado e teve excelente resultado", avalia Castro.
Ao resumir o fenômeno, o CEO da Datrix define o que aconteceu com o pré-candidato nas redes durante agosto como algo raro dentro de uma disputa eleitoral.
"É a tempestade perfeita que todo estrategista busca em campanhas no ambiente digital", diz Castro.
O movimento nas redes sociais coincidiu com uma virada nas pesquisas eleitorais. Segundo o levantamento, Cury saiu de um patamar de 1% a 2% das intenções de voto para 7,8% na pesquisa AtlasIntel e 11% na BTG/Nexus, ambas realizadas entre 25 e 30 de agosto, período posterior à aceleração observada na rede de formadores de opinião, que ocorreu entre os dias 24 e 27 daquele mês.
"Redes e opinião pública estão obviamente ligadas. No fim da semana passada, a gente já apostava em algum crescimento nas pesquisas. O resultado da Atlas e da BTG mostrou que o eleitor foi contagiado por essa forte onda digital", diz o CEO da Datrix.
Apesar dos números expressivos, Castro pondera que o cenário mapeado em agosto ainda não permite conclusões definitivas sobre a duração do fenômeno.
"Isso é uma fotografia de agosto. Resta saber se a campanha de Cury seguirá com a capacidade acima da média de engajar nas redes, ou se esse crescimento cairá", pondera Castro.
Segundo o CEO da Datrix, a resposta para essa pergunta deve começar a aparecer já nos primeiros dias de setembro, quando o efeito do debate tende a se dissipar.
Será esse o momento, segundo ele, em que ficará mais claro se o salto registrado nas redes sociais e nas pesquisas eleitorais veio para ficar ou se foi um pico pontual associado ao debate.
O avanço nas pesquisas já é suficiente para reacender a discussão sobre as chances de uma terceira via se firmar na disputa presidencial de 2026, hoje polarizada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ainda é cedo para falar em risco real a Flávio Bolsonaro no segundo turno, já que o senador segue com folga na segunda colocação, hoje na casa dos 31%, bem distante dos 11% de Cury.
Mas o crescimento do escritor já provocou uma mudança de comportamento entre os institutos de pesquisa, que incluíram o nome do escritor nas próximas rodadas de simulação de segundo turno.