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Com 11%, Cury conquista eleitor que votava em Lula e Flávio a 'contragosto', diz CEO da Nexus

Cury desponta como candidato favorito dos eleitores não polarizados mas conservadores em sua maioria, mas crescimento é frágil

Augusto Cury: psiquiatra e autor de autoajuda também ganhou mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais (Reprodução/YouTube)

Augusto Cury: psiquiatra e autor de autoajuda também ganhou mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais (Reprodução/YouTube)

Em uma semana, o candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) cresceu 9 pontos percentuais na pesquisa de intenção de voto BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, 31. Na edição anterior do levantamento, Cury pontuava com 2%, número que cresceu para 11%.

Com a escalada nas pesquisas, o psiquiatra e autor de livros também ganhou mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais, foi republicado por influenciadores e se destacou como o nome mais buscado no Google, sobretudo após o debate na Band no último dia 23.

De quem Cury 'roubou' votos?

Em contrapartida, os presidenciáveis que mais se destacaram até então, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), perderam espaço entre o eleitorado. Lula foi de 41% em 24 de agosto para 39% nesta pesquisa, e Flávio perdeu ainda mais, caindo de 37% para 33%.

O índice de votos brancos e nulos e o desempenho do candidato Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, também caíram no período, 2 pontos percentuais cada.

Segundo análise de Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, um número explica o outro. A soma da perda de votos de Lula, Flávio, Zema e dos indecisos resulta no crescimento de Cury.

“É um voto de alguém que estava votando nesses candidatos (Lula, Flávio e Zema) meio a contragosto”, afirmou.

Para o CEO, o pulo do gato de Cury é na conquista do eleitor não polarizado.

De acordo com o levantamento, 19% dos eleitores do candidato se definem como não polarizados (na semana anterior, eram 2%), 26% têm Flávio Bolsonaro como alternativa (eram 4%), 14% votariam em Lula como segunda opção (eram 5%), e 19% se classificam como anti-Lula e anti-Bolsonaro (eram 5%).

No entanto, os números não mentem: o mais prejudicado na ascensão de Cury é Flávio Bolsonaro, cujo eleitor rejeita o petismo, se identifica com pautas mais conservadoras, mas espera um tom moderado. “Esse eleitor encontrou nele um outsider, só que mais ponderado, diferente do Renan, que tem um tom mais agressivo”, disse Tokarski.

Captura de tela do Google Trends sobre as buscas relacionadas a Augusto Cury durante o mês de agosto de 2026 (Reprodução/Reprodução)

Quem é o eleitor de Augusto Cury?

Segundo a pesquisa, Cury é mais popular entre as mulheres, grupo em que alcança 13% das intenções de voto, contra 9% entre os homens. Além disso, tem 22% dos votos dos eleitores entre os 16 e os 24 anos de idade, número próximo do de Lula (25%), e 16% entre a faixa etária dos 25 a 40 anos.

A escolaridade do seu eleitorado tende a ser mais alta, com 17% dos respondentes com ensino superior. No campo religioso, curiosamente, Cury alcança 13% dos evangélicos e 12% dos não religiosos.

A renda dos seus eleitores também é mais alta: dos entrevistados cuja renda familiar ultrapassa cinco salários mínimos, 13% votam no candidato do Avante. No recorte regional, é no Nordeste que Cury tem mais vantagem, com 14% dos votos.

Apesar do fenômeno da última semana, o crescimento do psiquiatra é frágil. Apenas 59% dos respondentes que declaram voto em Augusto Cury nesta pesquisa afirmam que não irão mais mudar de decisão, contra 39% que ainda podem mudar de ideia. Em contrapartida, o índice de decisão de Lula e Flávio Bolsonaro já é mais sólido, 85% cada um.

Cury: uma tendência ou um evento passageiro?

Tokarski diz que a dúvida é se Cury conseguirá manter o desempenho, ou se trata-se de um evento passageiro. “O candidato tem buzz nas redes sociais, pessoas começam a falar dele, mas depois que param para ver de fato quem é, voltam atrás.”

A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.005 eleitores com 16 anos ou mais. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. Os resultados foram registrados no TSE sob o código BR-08900/2026.

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