O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente sul-coreano Lee Jae Myung no Palácio do Planalto, em Brasília, para discutir acordos comerciais. (Ricardo Stuckert/PR)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 27 de julho de 2026 às 15h09.
Após encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, os países anunciaram nesta segunda-feira, 27, novos acordos econômicos. Entre as medidas estão uma parceria para minerais críticos, a retomada das negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o país asiático, memorandos de cooperação em áreas estratégicas e um avanço para a abertura do mercado sul-coreano à carne bovina brasileira.
O encontro de chefes de Estado ocorre em um momento em que o governo brasileiro busca ampliar mercados e atrair investimentos diante das incertezas provocadas pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Durante o encontro, Lula afirmou que Brasil e Coreia do Sul estão construindo uma parceria "mais ambiciosa" e destacou que o comércio bilateral, de aproximadamente US$ 11 bilhões em 2025, ainda está abaixo do potencial das duas economias.
Além dos minerais críticos e do agronegócio, os dois governos discutiram cooperações em áreas como semicondutores, inteligência artificial, transição energética, saúde, fármacos, cosméticos, cultura, educação e esportes.
A visita integra a estratégia brasileira de diversificar parceiros comerciais e fortalecer cadeias produtivas estratégicas em meio ao novo cenário internacional, após o endurecimento das tarifas americanas sobre produtos brasileiros.
Lula também anunciou um novo passo para ampliar o acesso de produtos agropecuários brasileiros ao mercado sul-coreano. Segundo o presidente, a Coreia do Sul realizará uma missão sanitária aos frigoríficos brasileiros no próximo mês, etapa considerada decisiva para liberar a importação de carne bovina do Brasil.
A inspeção é aguardada pelo setor há 17 anos e havia sido adiada anteriormente porque as autoridades sul-coreanas priorizaram outras vistorias sanitárias.
Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 2,5 bilhões em produtos agropecuários para a Coreia do Sul.
Entre os principais resultados do encontro está um acordo para ampliar a cooperação em toda a cadeia de suprimentos de minerais críticos, insumos considerados essenciais para a transição energética e para setores de alta tecnologia, como a produção de baterias, semicondutores e equipamentos eletrônicos.
Segundo Lee Jae Myung, Brasil e Coreia do Sul atuarão em conjunto em todas as etapas da cadeia desses minerais. Ao lado de Lula, o presidente sul-coreano afirmou que os dois governos decidiram expandir a cooperação em todo o ciclo de vida desses recursos estratégicos.
Outro avanço anunciado foi a criação de um grupo de trabalho para destravar as negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Coreia do Sul, interrompidas desde 2019.
Segundo Lula, o grupo terá a missão de identificar os pontos sensíveis para ambos os lados e evitar que eles impeçam a retomada das conversas. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, coordenará os trabalhos.
Lee reforçou que, diante do atual cenário de incertezas no comércio internacional, o acordo "não pode mais esperar".