O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, discursa durante convenção da sigla, em Brasília (Ivan Martínez-Vargas/Exame)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 27 de julho de 2026 às 14h27.
Última atualização em 27 de julho de 2026 às 14h42.
Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, defendeu nesta segunda-feira, 27, o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi dada durante a convenção do Novo que escolheu Zema como candidato à Presidência.
No mesmo evento, Zema prometeu que, se for eleito, concederá indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por crimes contra a democracia, e a outros presos pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
Em discurso a cerca de 100 simpatizantes, Zema repetiu críticas que tem feito a ministros do STF e disse esperar o impeachment de "frutas podres" da Corte na próxima legislatura do Senado. Nas eleições deste ano, dois terços do Senado estão em disputa.
"Estou muito confiante de que vamos ter um Senado diferente do atual que vai trazer uma moralização para o Brasil, que é o impeachment dessas frutas podres que estão lá no Supremo", afirmou Zema.
Questionado pela EXAME sobre a quem se referia, Zema respondeu: "temos ali dois ministros envolvidos até o pescoço com o banqueiro bandido e um terceiro, nem tanto, mas envolvido com patrocínios de congressos jurídicos, (são) Alexandre de Morais, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Não tem o que esconder não. Não fui eu que andei no jatinho do banqueiro bandido, foram eles". O ex-governador faz referência ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master.
No caso de Moraes, o ex-governador faz alusão ao contrato de R$ 129 milhões entre o escritório da esposa do ministro, Viviane Barsi de Moraes, com o Master. Sobre Dias Toffoli, há o questionamento quanto às transações societárias do ministro no empreendimento Tayayá Aqua Resort, que teve como sócio um fundo associado a Vorcaro.
No caso do ministro Gilmar Mendes, no entanto, não há até o momento qualquer vinculação do magistrado com Vorcaro.
Zema lembrou que é processado por Gilmar após ter postado em suas redes sociais um vídeo em que parodiava o ministro e Dias Toffoli. O ex-governador responde a um processo por calúnia. No vídeo postado em abril, fantoches representando ministros do STF conversam. O personagem de Dias Toffoli solicita ao boneco de Gilmar a suspensão da quebra de sigilos determinada pela CPI do Crime Organizado.
O ex-governador de Minas Gerais ainda voltou a dizer que, apesar de também ser mineiro, como Vorcaro, nunca esteve com o banqueiro. Sem citá-lo nominalmente, disse que nunca o recebeu e que "assombração sabe para quem aparece".
Zema prometeu, também, que vai conceder indulto a Jair Bolsonaro e outros presos pela tentativa de golpe do 8 de janeiro, caso seja eleito. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por crimes contra a democracia.
"Quero que o Brasil resolva essa questão das injustiças cometidas referentes aos atos de 8 de janeiro. Nós temos pessoas que nem sabiam exatamente o que estavam fazendo e que estão detidos e, se houve alguma tentativa de golpe, que haja um julgamento imparcial e não um julgamento político, como aconteceu", afirmou.
Questionado por jornalistas sobre um eventual indulto a Bolsonaro, Zema confirmou: "no que depender de mim, será feito".