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SP avança em plano para permitir circulação de 'carro voador' na cidade

Grupo criado pela Prefeitura avalia desde vertiportos e capacidade da rede elétrica até impactos ambientais e integração com ônibus, metrô e trens antes da chegada dos eVTOLs

eVOLTs: Um dos principais desafios será adaptar a legislação municipal para uma infraestrutura diferente da utilizada atualmente pelos helicópteros (Divulgação/Eve Air Mobility)

eVOLTs: Um dos principais desafios será adaptar a legislação municipal para uma infraestrutura diferente da utilizada atualmente pelos helicópteros (Divulgação/Eve Air Mobility)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 27 de julho de 2026 às 14h00.

A cidade de São Paulo deu o primeiro passo para preparar a infraestrutura e as regras que poderão permitir a operação dos chamados carros voadores, as aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, conhecidas como eVTOLs, na capital paulista.

Um grupo técnico formado por secretarias municipais, órgãos federais, representantes da indústria e especialistas iniciou o mapeamento dos principais desafios para viabilizar essa nova modalidade de transporte aéreo urbano.

O foco inicial está na definição das adaptações urbanísticas, ambientais e de infraestrutura necessárias para a operação dessas aeronaves. Entre os temas analisados estão a instalação de vertiportos, estruturas destinadas ao pouso, decolagem e recarga dos veículos, além da capacidade da rede elétrica para atender à demanda, regras de licenciamento ambiental e a integração dos eVTOLs aos demais modais de transporte da cidade.

O grupo reúne representantes das secretarias municipais de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Mobilidade e Transportes, Urbanismo e Licenciamento, Verde e Meio Ambiente e Segurança Urbana, além da Secretaria Nacional de Aviação Civil, da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

Um dos principais desafios será adaptar a legislação municipal para uma infraestrutura diferente da utilizada atualmente pelos helicópteros.

Os futuros vertiportos deverão contar com sistemas de recarga elétrica, protocolos específicos para baterias de alta capacidade e uma operação muito mais intensa do que a registrada nos helipontos tradicionais.

Também entram na pauta os impactos ambientais dessa nova operação. O grupo avalia restrições para instalações em áreas protegidas, os efeitos do ruído sobre a vizinhança e a necessidade de reforçar a rede de distribuição de energia caso haja carregamento simultâneo de diversas aeronaves.

Como mostrou a EXAME, a expectativa é que os eVTOLs entrem em operação em 2027 após a certificação. Em julho, a Eve Air Mobility, fabricante de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), anunciou um acordo para testar os veículos em Cabo Verde e na Europa. 

Prefeitura aposta na experiência com helicópteros para liderar nova fase

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Goulart, São Paulo tem vocação para liderar a inovação e precisa se preparar para as tecnologias que poderão transformar a mobilidade urbana nos próximos anos.

"O trabalho desse grupo é um passo importante para estudar, com responsabilidade e planejamento, como os eVTOLs podem contribuir para o desenvolvimento econômico, a atração de investimentos e a integração dos diferentes modais de transporte da cidade. Nosso objetivo é construir conhecimento técnico para que São Paulo esteja pronta para aproveitar as oportunidades dessa nova indústria”, afirma Goulart à EXAME.

São Paulo parte de uma posição considerada privilegiada para discutir a chegada dos carros voadores. Dados da prefeitura mostram que a capital concentra a maior frota urbana de helicópteros do mundo, com cerca de 410 aeronaves registradas, aproximadamente 2,2 mil pousos e decolagens por dia e um sistema próprio de controle do tráfego aéreo urbano, o Helicontrol.

A experiência internacional também servirá de referência para o grupo técnico. Modelos em desenvolvimento em cidades como Milão, na Itália, serão analisados para orientar discussões sobre regulação, infraestrutura, segurança operacional e integração com outros meios de transporte.

Apesar do avanço dos estudos, a Prefeitura ressalta que os eVTOLs não deverão substituir o transporte público tradicional. A proposta é que a tecnologia atue de forma complementar à rede de metrô, trens, ônibus, transporte hidroviário e mobilidade ativa. O objetivo é ampliar a integração entre diferentes modais.

Nos próximos meses, o grupo concentrará os trabalhos em três frentes: levantamento de dados e comparações internacionais, estudos sobre infraestrutura e regulação e a elaboração de diretrizes técnicas que poderão orientar uma futura implantação da tecnologia na capital paulista.

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