Brasil

'Brasil vive esgotamento de modelo baseado em gasto e consumo', diz Daniella Marques

Representante da campanha de Flávio Bolsonaro defende uso de inteligência artificial no governo para elevar eficiência e competitividade

Daniella Marques, representante da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), durante evento do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e da EXAME, em São Paulo (Eduardo Frazão/Exame)

Daniella Marques, representante da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), durante evento do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e da EXAME, em São Paulo (Eduardo Frazão/Exame)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 25 de agosto de 2026 às 13h02.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreEleições 2026
Saiba mais

A ampliação da produtividade precisa ocupar o centro da estratégia econômica do próximo governo, com redução do chamado Custo Brasil e uso de inteligência artificial para tornar o Estado mais eficiente, afirmou Daniella Marques, coordenadora da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para a presidência, durante evento do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e da EXAME, em São Paulo, nesta terça-feira, 25.

Ao apresentar as propostas da campanha para produtividade e competitividade, ela analisou o 'Custo Brasil' e apontou para a dificuldade do país de avançar nessas áreas. Além de criticar a carga tributária e ao crescimento dos gastos públicos.

“Quando falamos de R$ 1,7 trilhão de Custo Brasil, é o esgotamento de um modelo de pensamento econômico de 18 anos de governo de esquerda gastando descontroladamente e criando e elevando impostos para pagar essa conta", disse.

Segundo ela, o volume representa o quanto o Brasil gasta a mais do que a média da OCDE para produzir o mesmo produto que se produz na China, nos Estados Unidos ou em qualquer outro país competitivo.

"Isso é quanto o contribuinte carrega de peso. É como se ele andasse com 1,700 kg na mochila em relação ao cidadão americano”, afirmou.

Na avaliação de Marques, esse cenário ajuda a explicar a posição brasileira nos indicadores internacionais de competitividade. “E hoje, o Brasil não se orgulha de estar nas últimas posições do ranking de competitividade, caiu seis posições no governo Lula e se avizinha com a Venezuela, Namíbia, Botsuana e outros países.”

Produtividade como motor de crescimento

A representante da campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que o país precisa buscar um modelo de crescimento mais apoiado em ganhos de produtividade. Segundo ela, a expansão da renda e do consumo, combinada ao aumento dos gastos públicos, chegou ao limite como estratégia para sustentar o crescimento econômico.

“Há um consenso de que a saída para o Brasil é por meio de uma ampliação da produtividade e que existe o esgotamento de um modelo econômico baseado em expansão de renda e consumo, e principalmente de gastos descontrolados bancados por impostos”, disse.

Marques também citou Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, ao defender a necessidade de aumentar a capacidade de produção da economia.

“O próprio Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, disse recentemente que vê falha nesse modelo e que enxerga solução em um modelo de ampliação de produtividade. Já está claro como o país pode sair desse atraso.”

A economista relacionou ainda a discussão sobre produtividade ao cenário fiscal e aos juros. Para ela, a dificuldade de equilibrar as contas públicas aumenta o custo para a economia e prejudica a competitividade do país.

“O Brasil não se orgulha de estar no maior juro real do mundo, que é consequência dessa gastança descontrolada, que ficou acima da arrecadação”, afirmou.

Tributação e competitividade

Outro ponto levantado por Daniella Marques foi o impacto do sistema tributário sobre as empresas. A economista criticou o aumento de impostos durante o atual governo e afirmou que as indefinições relacionadas à implementação da reforma tributária geram insegurança para o setor produtivo.

“Ainda que se tenha criado mais de 20 impostos nos últimos quatro anos, o objetivo de redução de impostos não foi atingido e, principalmente, gera-se uma insegurança jurídica enorme porque não se sabe o valor da alíquota”, disse.

Na sequência, Marques criticou a perspectiva de uma alíquota elevada para o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) brasileiro e a maneira como o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem conduzindo a pauta.

“O secretário da Receita Federal disse que só vai informar aos empresários após as eleições, porque o comitê gestor que aponta-se para um IVA (Imposto sobre Valor Agregado) de 28%, que será o maior do mundo. A média da OCDE é de 19%. Isso é impraticável, ainda mais em um governo ineficiente”, afirmou.

IA como ferramenta para aumentar eficiência

Ao tratar especificamente do papel da tecnologia, Marques defendeu que a inteligência artificial seja incorporada à administração pública como instrumento para reduzir ineficiências e elevar a produtividade.

Para ela, a aplicação da tecnologia não deve ficar restrita à análise e ao processamento de informações. A proposta é utilizar ferramentas de IA tanto para melhorar a gestão pública quanto para simplificar a relação do cidadão e das empresas com o Estado.

“Acho que a IA está aqui para ir além da inteligência de dados. Ela tem que ser incorporada para eficiência do governo, do pagador de impostos e para produzir um choque de produtividade em sua própria gestão e na economia brasileira. Acredito que isso vai melhorar o serviço na palma da mão do cidadão.”

Acompanhe tudo sobre:Luiz Inácio Lula da SilvaFlávio BolsonaroEleições 2026

Mais de Brasil

'Está com muita sujeira', diz economista da campanha de Caiado sobre necessidade de ajuste fiscal

Governo prepara medida para zerar IPI no país, diz Durigan

Kim Kataguiri cobra ajuste fiscal e defende corte de privilégios para ampliar investimentos

'Temos que acabar com privilégio adquirido', diz economista da campanha de Zema