Milei no Brasil: argentino fez um duro discurso contra o governo e o Judiciário brasileiro (Nelson Almeida/AFP)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 26 de julho de 2026 às 13h02.
O Ministério das Relações Exteriores convocou neste domingo, 26, o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas após o presidente do país vizinho, Javier Milei, criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em discurso na Convenção Nacional do partido Liberal. A informação foi confirmada pela pasta à EXAME.
O Itamaraty considerou as falas de Milei no evento que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência uma "afronta" ao presidente, ao Poder Judiciário e à população brasileira.
Na diplomacia, a chamada de um embaixador que está em outro país indica um forte protesto contra as ações de outro Estado. A expectativa é que Bitelli chegue ao Brasil até segunda-feira para se reunir com o ministro Mauro Vieira.
Em um longo discurso durante a convenção, Milei relacionou Lula e o PT ao socialismo e ditaduras, além de chamar o atual presidente de "presidiário" e "ladrão".
"Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar essa sujeira", disse o mandatário argentino.
O argentino ainda atacou o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele chamou o ministro Alexandre de Moraes de "lixo" por não autorizar a sua visita, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.
"O lixo não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando eu sei que Lula se cansou de receber líderes do exterior quando estava preso", afirmou Milei em seu discurso", disse.
Em nota divulgada na tarde de sábado, o presidente do STF, Edson Fachin, classificou a manifestação do argentino como "desrespeitosa" e "incompatível com a civilidade que deve orientar as relações entre os Estados".
Milei disse ainda que espera que o Brasil seja tomado pela "onda azul". O argentino afirmou que o seu país é o exemplo do que pode ser feito para "prosperidade econômica e queda da criminalidade".
Ao encerrar sua participação, Milei adaptou o slogan de campanha de Donald Trump e afirmou que Flávio deveria "fazer o Brasil grande novamente", antes de repetir seu bordão: "Viva a liberdade, caralho".