“Passamos a olhar não só o impacto no meio ambiente e na sociedade, mas também quanto esses riscos e oportunidades ligados às mudanças climáticas podem impactar o nosso caixa”, diz Naiara Arantes de Carvalho, gerente de tecnologia, meio ambiente e ESG da Eucatex, em entrevista à EXAME.
A ideia reflete a principal mudança apresentada no novo relatório de sustentabilidade da companhia de materiais de construção, publicado na Comissão de Valores Imobiliários (CVM), que pela primeira vez incorpora à estratégia ESG os potenciais efeitos financeiros dos riscos ambientais e sociais.
A evolução da agenda ESG acompanha uma mudança na estrutura de governança. Em 2023, o BTG Pactual entrou no capital da Eucatex com 33,4% de participação e passou a ser um dos principais acionistas do negócio, que tem a família Maluf como controladora.
Como uma empresa de base florestal que depende do eucalipto para abastecer suas fábricas, a Eucatex tem no clima um fator diretamente ligado à produtividade, ao abastecimento e à própria continuidade do negócio.
"Isso traz uma necessidade extra de estar sempre em equilíbrio, porque dependemos do solo, da água e da natureza para extrair nossa principal matéria-prima”, destaca a gerente.
Hoje, a empresa administra 51,3 mil hectares em 142 fazendas, próprias e de terceiros, dos quais 38,9 mil hectares são destinados às florestas plantadas de eucalipto. A operação fornece mais de 1,5 milhão de metros cúbicos de madeira por ano às unidades industriais.
Na prática, o risco climático já chegou ao resultado. Em 2025, secas e incêndios afetaram a produção florestal própria, levando o negócio a buscar madeira no mercado e arcar com custos adicionais de transporte. Apesar da pressão sobre as margens, a companhia encerrou 2025 com receita líquida de R$ 3,1 bilhões, alta de 8,6% sobre o ano anterior.
“O clima não está nas nossas mãos, mas o que está é continuar investindo em pesquisa e desenvolvimento para novos materiais”, afirma Naiara.
Segundo a executiva, a combinação de queimadas, geadas, ventos, pragas e doenças aumenta a necessidade de tornar a operação mais precisa e resiliente.
“A partir do momento em que você não tem controle sobre as mudanças climáticas, é preciso ter controle sobre a sua operação”, complementa.
R$ 410 milhões entre floresta e indústria
Esse movimento ocorre em meio a um ciclo relevante de investimentos. Em 2025, a Eucatex direcionou R$ 410,8 milhões à expansão florestal e à modernização industrial, especialmente da planta de Salto, no interior paulista.
Os aportes em máquinas e equipamentos buscaram ampliar a automação dos processos, melhorar a ergonomia, elevar o controle de qualidade e reduzir consumo de materiais e geração de resíduos.
Na área florestal, um dos principais focos está no melhoramento genético. A companhia vem selecionando e desenvolvendo clones de eucalipto com maior rendimento e maior resistência a pragas, doenças e eventos climáticos extremos. Antes de serem incorporados à operação, esses materiais são testados em diferentes regiões e condições ambientais.
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O relatório também destaca como uma oportunidade o desenvolvimento de mudas mais adaptadas a variações de temperatura e menor disponibilidade hídrica, além de maior cooperação com universidades e institutos de pesquisa.
A área plantada também vem aumentando. A soma de novas florestas e condução da brotação passou de 6.667 hectares em 2024 para 7.395 hectares em 2025. Para 2026, a previsão é crescer para 8.250 hectares.
Um GT para acompanhar o clima
Outro avanço de 2025 foi a criação de um Grupo de Trabalho sobre Mudanças Climáticas, com participação multidisciplinar e foco em acompanhar os efeitos do clima sobre a produtividade florestal e definir medidas de mitigação e adaptação.
Entre as iniciativas previstas estão a revisão dos processos de silvicultura e colheita e o aprofundamento da análise de dados sobre produtividade.
A estratégia está ligada ao programa Silvicultura 4.0, que inclui mecanização, revisão de processos, tecnologia, nutrição de solos e técnicas de manejo que buscam reduzir os impactos sobre o terreno.
Apesar dos avanços, o próprio relatório reconhece que a Eucatex ainda não possui uma metodologia estruturada para calcular o impacto financeiro dos riscos climáticos sobre receitas, despesas ou projeções.
A intenção é desenvolver essa capacidade nos próximos anos. A intenção é desenvolver essa capacidade nos próximos anos. Para Naiara, a companhia ainda está em uma fase de amadurecimento da agenda climática.
A partir desta edição, referente a 2025, a divulgação passa a ser anual e adota o formato de relato integrado.
Esse é o motivo para que a empresa não tenha estabelecido ainda uma meta de longo prazo para redução das emissões. A maior dificuldade está no Escopo 3, que inclui emissões indiretas da cadeia de valor.
Da floresta preservada à madeira que vira energia
Além da adaptação das plantações, a Eucatex também avança em iniciativas de circularidade e conservação ambiental.
A companhia mantém mais de 10 mil hectares de áreas destinadas à conservação de vegetação nativa e contabiliza cerca de 1,8 mil hectares de áreas restauradas.
Segundo Naiara, o manejo da empresa busca conciliar produção florestal e preservação. O monitoramento ambiental identificou em 2025 33 espécies de animais ameaçadas de extinção nas áreas em que há cultivo de eucalipto.
“Temos evidências de que o mosaico existente entre as nossas florestas de eucalipto e as nativas preservadas é um habitat favorável ao desenvolvimento da fauna e da flora”, afirma.
Na frente de economia circular, a companhia criou em 2025 a divisão Eucatex Bioenergia, responsável por fortalecer a coleta e o reaproveitamento de resíduos de madeira em cidades próximas às fábricas.
A operação recebe materiais como podas de árvores, móveis antigos, paletes quebrados e caixarias, que são triturados e utilizados como combustível nas caldeiras industriais. No ano, foram 95.161 toneladas de madeira recicladas, das quais 27.460 toneladas foram vendidas na forma de cavaco.
A matriz energética também avançou no uso de fontes renováveis, com um contrato de longo prazo que assegura que 50% da demanda elétrica do negócio seja atendida por energia solar.
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Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - agro - boi - gado -fazenda - boiada - agronegocio - pecuaria -
Foto: Leandro Fonseca
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Amazonia
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Embarcação no Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - barco navegando rio amazonas
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Barco da marinha do Brasil - Embarcação no Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas -
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Embarcação no Rio Amazonas
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Barco da marinha do Brasil - Embarcação no Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas -
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Comunidade ribeirinha no Rio Amazonas, entre Manaus e Parintins (Leandro Fonseca/EXAME)
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Foto: Leandro Fonseca
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Ribeirinhos aguardam a passagem dos barcos na volta de Parintins (Leandro Fonseca/EXAME)
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Embarcação no Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas -
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Embarcação no Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas -
Foto: Leandro Fonseca
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Barco no Rio Amazonas
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Ribeirinhos aguardam a passagem dos barcos na volta de Parintins (Leandro Fonseca/EXAME)
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Foto: Leandro Fonseca
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Embarcação - caminhões tanque de combustivel - Rio Amazonas - Amazonia - ribeirinhas -
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Foto: Leandro Fonseca
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Ribeirinhos no rio Amazonas
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Trecho de floresta no Pará
(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)
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(Notiê Amazonia -3 Crédito Wesley Diego Emes)
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Casas ribeirinhas da Amazonia - AM
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(Casas ribeirinhas da Amazonia - AM foto: Leandro Fonsecadata: 04/2022)
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Casas ribeirinhas da Amazonia - AM
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Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza - ribeirinha
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Airão Velho - Ruinas de Airão Velho - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
foto: Leandro Fonseca
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Ribeirinhas do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
foto: Leandro Fonseca
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Comunidade Ribeirinha Cachoeira do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
foto: Leandro Fonseca
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Comunidade Ribeirinha Cachoeira do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza - futebol
foto: Leandro Fonseca
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Comunidade Ribeirinha Cachoeira do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - futebol - Expedição Katerre - Natureza -
foto: Leandro Fonseca
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Comunidade Ribeirinha Cachoeira do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Futebol - Expedição Katerre - Natureza -
foto: Leandro Fonseca
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Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
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As árvores da Amazônia estão cada vez maiores, mas vivem em um equilíbrio delicado
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Rio Negro, na Amazônia
(Amazônia)
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Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
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Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
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Comunidade Ribeirinha Cachoeira do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
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Comunidade Ribeirinha Cachoeira do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
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Turistas na Expedição Katerre - Turismo - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
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(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)
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Abaetuba no Pará - Amazonia -
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(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)
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Abaetuba no Pará - Amazonia - barcos - ribeirinhos - ribeirinhas - casas
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Abaetuba no Pará - Amazonia -
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(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)
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(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)
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Abaetuba no Pará - Amazonia -
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(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)
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(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)