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Kalil oficializa candidatura ao governo de Minas e ainda negocia alianças

Ex-prefeito de Belo Horizonte defende revisão da dívida de Minas com a União, enquanto Carlos Lupi afirma que apoio nacional a Lula não interfere nas articulações estaduais

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 26 de julho de 2026 às 15h55.

O PDT oficializou neste domingo, 26, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, como candidato ao Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026.

Durante a convenção estadual do partido, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Kalil afirmou que a principal prioridade de um eventual governo será renegociar a dívida do estado com a União e disse que seguirá negociando alianças para completar a chapa.

O partido também oficializou os candidatos a deputado federal e estadual, mas ainda não definiu o nome para vice-governador nem o candidato ao Senado.

Em entrevista após a convenção, Kalil afirmou que a oficialização da candidatura fortalece as negociações com outras legendas, mas pregou cautela nas conversas.

"Acho que, como candidato agora, você tem autoridade para tentar negociar alguma coisa. Nós estamos conversando com todo mundo, com muita calma. (...) Nós estamos mais preocupados é com voto", disse.

Kalil promete rever acordo da dívida de Minas

Durante o discurso, Kalil afirmou que pretende revisar os termos do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), ao qual Minas Gerais aderiu para refinanciar uma dívida superior a R$ 200 bilhões com a União.

Segundo o candidato, o estado precisa renegociar o acordo para recuperar a capacidade de investimento.

"Você não pode, numa dívida de R$ 200 bilhões, não negociar essa dívida de um jeito que Minas volte a investir. Plano sem dinheiro é mentira", afirmou.

Kalil também criticou a utilização de recursos provenientes da venda da Copasa para financiar investimentos.

PDT negocia alianças com outros partidos

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou que o partido mantém conversas com diferentes legendas para compor a chapa em Minas Gerais, entre elas PSDB, União Brasil, PP e Solidariedade.

Segundo Lupi, o apoio nacional do PDT à candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não impede acordos estaduais.

"Nós temos que discutir cada estado sob a ótica do próprio estado. Aqui em Minas há muitas possibilidades de aliança, entre elas com o PSDB", afirmou.

O dirigente também destacou a relação pessoal com o deputado federal Aécio Neves (PSDB), que participa das negociações em torno de uma possível aliança com Kalil.

"O Aécio é meu amigo pessoal. Nunca tive problema com ele. O palanque nacional já está firmado, o PDT vai apoiar o presidente Lula. Aqui em Minas, o Kalil vai fazer a campanha dele com os aliados que forem convenientes para ajudar a sua eleição", disse.

Cenário eleitoral

Durante a entrevista, Lupi também comentou o cenário ainda indefinido da disputa em Minas e fez referência ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera pesquisas de intenção de voto, mas ainda não confirmou se disputará o governo estadual.

"Tem conversa com vários partidos. Você vê, ontem mesmo teve um candidato que nem foi à própria convenção. Então, olha como Minas guarda muitas emoções", afirmou, em referência à ausência de Cleitinho na convenção do Republicanos.

O senador justificou a ausência por estar de luto após a morte de um irmão.

Questionado sobre a possibilidade de herdar parte do eleitorado de Cleitinho caso ele desista da disputa, Kalil evitou fazer projeções.

"Eu respeito muito o Cleitinho. Qualquer candidato que sair da disputa deve transferir votos para alguém, mas ainda é muito cedo para saber para quem", afirmou.

Kalil disputa o governo de Minas pela segunda eleição consecutiva. Em 2022, terminou em segundo lugar, atrás do governador Romeu Zema (Novo).

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