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Após crise e cobranças, Tarcísio volta a dividir agenda com Flávio Bolsonaro

Encontro ocorre após investigações envolvendo ONG ligada ao filme sobre Jair Bolsonaro e semanas de tensão entre aliados

Publicado em 3 de junho de 2026 às 11h33.

Após cerca de três semanas de afastamento político, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o senador Flávio Bolsonaro devem voltar a se encontrar nesta quinta-feira, 4, durante a Marcha para Jesus, em São Paulo.

O reencontro ocorre em meio aos desdobramentos da investigação da Polícia Civil paulista que teve como alvo o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização contratada para instalar pontos de Wi-Fi gratuito na capital.

A ONG pertence a Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme "Dark Horse", que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro.

A operação gerou desconforto entre aliados bolsonaristas por atingir uma entidade ligada ao projeto audiovisual e também por envolver um contrato firmado pela gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

Nos bastidores, segundo O Globo, integrantes do grupo de Flávio criticaram a falta de apoio público de Tarcísio durante a crise.

Investigação ampliou desgaste entre aliados

Nesta semana, Tarcísio voltou a defender a atuação da Polícia Civil e afirmou que o governo estadual não interfere nas investigações.

Segundo o governador, a corporação atua de forma autônoma e cumpre determinações do Ministério Público e da Justiça.

Já Flávio Bolsonaro afirmou que a investigação não tem relação com o filme sobre seu pai e disse esperar que a polícia não esteja sendo utilizada para fins eleitorais.

O senador também classificou a operação como uma possível "pescaria probatória", mas ressaltou que eventuais irregularidades contratuais devem ser esclarecidas pelos responsáveis.

O caso se soma à crise envolvendo a relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que já havia provocado um esfriamento na relação entre os dois aliados.

A decisão de Flávio de participar da Marcha para Jesus foi tomada após o governo dos Estados Unidos classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, uma pauta defendida pelo senador e explorada por sua pré-campanha presidencial.

Até o fim da semana passada, interlocutores do parlamentar consideravam provável sua ausência no evento.

Nos bastidores, aliados de Tarcísio afirmam que o governador optou por manter distância da crise para evitar desgaste político. Já pessoas próximas a Flávio interpretaram a postura como falta de solidariedade em um momento delicado.

Apesar das divergências recentes, interlocutores dos dois lados avaliam que o encontro desta semana pode ajudar a reduzir as tensões dentro do campo bolsonarista.

*Com O Globo

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