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O diferencial competitivo das empresas não é usar IA, mas saber implementá-la, afirma especialista (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 15h23.
Nos últimos dois anos, ferramentas de inteligência artificial generativa passaram a fazer parte da rotina de profissionais de diferentes áreas. Modelos capazes de produzir textos, imagens, códigos e apresentações reduziram o tempo gasto em tarefas operacionais e ampliaram a produtividade individual
Esse movimento levou muitas empresas a incentivar o uso dessas plataformas entre funcionários. No entanto, uma nova questão começa a ganhar espaço nas organizações: por que ganhos individuais de produtividade nem sempre se traduzem em resultados para o negócio?
Levantamentos da consultoria McKinsey mostram que a maioria das empresas já utiliza IA em pelo menos uma função corporativa. Apesar disso, apenas uma parcela menor conseguiu escalar a tecnologia para gerar impacto relevante em indicadores financeiros ou criar novas fontes de valor.
Especialistas têm chamado esse desafio de "abismo da tecnologia": um cenário em que profissionais utilizam IA para executar tarefas com mais rapidez, enquanto a empresa continua operando com processos, estruturas e modelos de gestão praticamente inalterados.
Na prática, a organização passa a ter funcionários mais produtivos, mas não necessariamente mais eficiente como um todo. Processos continuam fragmentados, áreas trabalham de forma isolada e decisões seguem baseadas em modelos tradicionais.
Esse cenário marca uma mudança de foco. Se, no início da popularização da IA generativa, a preocupação estava em aprender comandos, explorar ferramentas e automatizar atividades pontuais, agora o desafio é redesenhar processos e incorporar a tecnologia à estratégia da empresa.
Segundo Adriano Mussa, Reitor, Diretor Acadêmico e de Inteligência Artificial da Saint Paul Escola de Negócios, dominar apenas as ferramentas deixou de ser suficiente.
"As ferramentas evoluem, só que a base é a mesma. Ao estudar IA, você aprende não só os fundamentos, mas como aplicar esse conhecimento em diferentes áreas de negócio, como marketing, finanças, direito, saúde ou agronegócio. Cada contexto exige aplicações diferentes, e isso depende de uma formação mais estruturada."
Em uma central de atendimento, por exemplo, um chatbot pode reduzir o tempo de resposta ao cliente. Mas, quando integrado aos sistemas da empresa, ele também pode identificar padrões de demanda, antecipar picos de atendimento e apoiar o planejamento das equipes.
Na área financeira, a tecnologia vai além da automação de planilhas. Modelos de IA conseguem combinar dados internos e informações de mercado para apoiar projeções, identificar riscos e oferecer subsídios para decisões estratégicas.
Esse movimento impulsionou o conceito de AI First, abordagem em que a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a orientar o desenho de processos, produtos e modelos operacionais.
A mudança, porém, não depende apenas da tecnologia. Pesquisas do Gartner apontam que desafios como cultura organizacional, governança e gestão da mudança continuam entre os principais obstáculos para ampliar o uso da IA nas empresas.
Ao passo em que as empresas avançam na adoção da tecnologia, cresce também a demanda por profissionais capazes de liderar sua implementação.
Esse perfil não precisa, necessariamente, desenvolver algoritmos ou programar modelos de IA. Sua principal função é identificar oportunidades de aplicação, redesenhar processos, selecionar soluções adequadas, estabelecer critérios de governança e garantir que a tecnologia esteja alinhada aos objetivos do negócio.
Para Mussa, o diferencial competitivo está menos no domínio técnico das ferramentas e mais na capacidade de resolver problemas concretos.
Você precisa resolver problemas. Tem que resolver uma dor, que é o que todas as organizações e o mercado estão esperando.
O que passa a distinguir profissionais é a capacidade de transformar a tecnologia em ganhos reais para a organização, conectando IA, estratégia, governança e resultados de negócio. Esse conjunto de competências tende a ganhar cada vez mais espaço à medida que as empresas avançam da experimentação para a adoção em escala.