Canetas emagrecedoras: entenda como elas podem ajudar a saúde dos pacientes (Michael Siluk/Getty Images)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 10 de julho de 2026 às 10h55.
Uma análise publicada no The BMJ afirma que a semaglutida subcutânea, vendida como Wegovy, foi o único medicamento contra obesidade associado à redução do risco de morte por qualquer causa. O levantamento, divulgado em 8 de julho, também ligou o remédio da Novo Nordisk a menor risco de infarto e insuficiência cardíaca.
A metanálise em rede avaliou 262 ensaios clínicos randomizados, com quase 100 mil participantes. Segundo os autores, a maior parte dos medicamentos para perda de peso produziu emagrecimento relevante, mas não demonstrou, no período de um ano, melhora consistente na qualidade de vida nem benefícios cardiovasculares amplos. A semaglutida subcutânea foi associada a uma queda de 19% no risco de morte por qualquer causa, de 28% no risco de infarto e de 57% no risco de insuficiência cardíaca.
A tirzepatida, comercializada como Mounjaro, apareceu no estudo com redução de 51% no risco de insuficiência cardíaca, mas sem a mesma evidência de proteção cardiovascular mais ampla. A diferença é relevante porque essa classe de medicamentos, conhecida como agonistas de GLP-1, virou uma das principais apostas da indústria farmacêutica no tratamento da obesidade e de doenças associadas.
Os resultados se somam aos dados do estudo SELECT, conduzido com 17.604 adultos em 41 países. A pesquisa havia mostrado que o Wegovy reduziu em 20% os eventos cardiovasculares adversos graves em comparação com placebo, o que levou a agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, a aprovar em 2024 uma indicação cardiovascular para o medicamento.
Novas análises post hoc apresentadas pela Novo Nordisk nas Sessões Científicas de 2026 da Associação Americana de Diabetes, em Nova Orleans, também apontaram efeitos em outras condições. Segundo a empresa, a semaglutida 2,4 mg reduziu em 52% a incidência de apneia obstrutiva do sono e em 42% os desfechos adversos relacionados à asma em pacientes com doença cardiovascular estabelecida e obesidade.
Os autores do The BMJ, porém, fizeram ressalvas. Eles afirmaram que a maioria dos estudos teve acompanhamento relativamente curto e que perdas de peso maiores apareceram acompanhadas de taxas mais altas de efeitos colaterais e abandono do tratamento. Para os pesquisadores, a escolha terapêutica deve considerar benefícios esperados, riscos, custo, disponibilidade e preferência do paciente.
A distinção cardiovascular também tem impacto comercial. A partir de 1º de julho de 2026, beneficiários elegíveis do Medicare passaram a ter acesso ao Wegovy pelo programa Medicare GLP-1 Bridge, com copagamento mensal de US$ 50. A cobertura é possível porque a indicação ligada à saúde do coração abre uma exceção em relação a restrições federais para remédios voltados apenas à perda de peso.
O avanço ocorre em um mercado cada vez mais competitivo. Segundo os dados citados no material, as prescrições da versão em comprimido do Wegovy já passaram de 3 milhões desde o lançamento da formulação oral no início de 2026.