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Um ano de Trump no poder: ganhos bilionários e testes no Vale do Silício

Desde a volta de Trump à Casa Branca, bilionários do Vale do Silício tiveram ganhos históricos, choques fiscais e reveses políticos

Trump: presidente voltou à presidência um ano atrás  (Imagem gerada por IA/Freepik)

Trump: presidente voltou à presidência um ano atrás (Imagem gerada por IA/Freepik)

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 06h05.

Desde que tomou posse como presidente dos Estados Unidos há exatamente um ano, Donald Trump impulsionou um ambiente de crescimento para grandes empresas de tecnologia — ao mesmo tempo em que provocou rupturas estratégicas e choques bilionários.

No ano passado, a Nvidia (NVDA) ultrapassou os US$ 5 trilhões em valor de mercado e a Alphabet, controladora do Google (GOOGL), registrou seu melhor desempenho acionário desde 2009.

Mas o saldo entre os magnatas do Vale do Silício foi desigual: enquanto alguns lucraram com alinhamento político e investimentos em inteligência artificial, outros enfrentaram sanções, perdas fiscais e retaliações presidenciais.

Nvidia e Alphabet dominam a cena

Jensen Huang, CEO da Nvidia, foi o principal beneficiado pelo novo ciclo de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. Após queda de quase 30% nas ações em abril do ano passado, devido a restrições de exportação de chips para a China, a empresa se recuperou e valorizou 56% até novembro. Em outubro de 2025, atingiu um marco inédito: US$ 5 trilhões em valor de mercado, tornando-se a companhia mais valiosa do planeta.

A Alphabet teve o melhor desempenho entre as gigantes. As ações subiram 65% em 2025, impulsionadas pela vitória judicial no caso antitruste que ameaçava dividir a empresa. A decisão favorável, emitida em setembro, gerou um salto de US$ 230 bilhões em seu valor de mercado.

A estratégia de reforço em IA — com os chips Ironwood e o modelo Gemini — consolidou a posição da companhia como referência em serviços baseados em nuvem e publicidade digital. O CEO Sundar Pichai tornou-se bilionário com a valorização.

Zuckerberg entre perdas e reações

A Meta alternou ganhos e perdas. Em janeiro, firmou um acordo de US$ 25 milhões para encerrar um processo de difamação movido por Trump. Pouco depois, anunciou um plano de investimento de US$ 600 bilhões em infraestrutura nos EUA, em linha com as prioridades da Casa Branca.

Mas, em outubro daquele ano, a empresa foi impactada por uma cobrança de US$ 16 bilhões em impostos criada pelo governo, o que derrubou as ações em 12,3% e causou uma perda de US$ 25 bilhões no patrimônio de Mark Zuckerberg. A empresa se recuperou no último trimestre, encerrando o ano com alta acumulada de 10%.

Apple negocia, Amazon recua

A Apple enfrentou pressão direta do protecionismo comercial de Trump.

Com mais de US$ 1 bilhão em custos atribuídos às tarifas sobre produtos chineses, o CEO Tim Cook adotou uma abordagem diplomática. Em agosto, anunciou um novo compromisso de US$ 100 bilhões em investimentos nos Estados Unidos e entregou ao presidente uma placa de vidro folheada a ouro. A estratégia evitou novas sanções e sinalizou alinhamento com a política industrial do governo, mas não foi suficiente para convencer o mercado: a Apple teve recuo de 0,78% em 2025.

Na Amazon, o desempenho mais estável, mas Jeff Bezos enfrentou tensão direta com Trump. Após tentar publicar os impactos das tarifas sobre os preços ao consumidor, sofreu pressão da Casa Branca e recuou. Mais tarde, anunciou a venda de US$ 4,8 bilhões em ações da empresa. Apesar do crescimento de 10,8% em valor de mercado no ano, Bezos viu sua fortuna pessoal cair cerca de US$ 30 bilhões.

Elon Musk rompe e perde

Elon Musk protagonizou a maior perda entre os magnatas da tecnologia. Inicialmente nomeado por Trump para liderar o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), rompeu com o presidente em julho ao fundar um novo partido político, o America Party. A reação do mercado foi imediata: as ações da Tesla caíram 6,79% em um dia, apagando US$ 68 bilhões em valor de mercado.

A Tesla também registrou queda de 1% nas vendas anuais, a primeira retração desde que se tornou uma empresa de capital aberto. Sem exposição relevante à infraestrutura de IA e diante da saturação do mercado de veículos elétricos, a companhia terminou o ano com desempenho negativo. Musk perdeu mais de US$ 100 bilhões em patrimônio ao longo de 2025. Mesmo assim, caminha para uma riqueza histórica de US$ 800 bilhões em breve.

Conexões políticas como ativos

A principal lição de 2025 foi que, sob Trump, o relacionamento com o governo tornou-se determinante para o desempenho financeiro.

Sam Altman, da OpenAI, firmou parceria direta com a Casa Branca no projeto Stargate AI, de US$ 500 bilhões. Sundar Pichai elogiou publicamente o plano nacional de IA. Tim Cook reforçou a produção nacional. Zuckerberg reposicionou a Meta como braço estratégico da infraestrutura digital americana.

Já Musk, ao se opor ao presidente e lançar um partido concorrente, viu investidores e mercado reagirem com desconfiança. Sua trajetória demonstrou que, em um ambiente dominado por políticas industriais e tarifas, a previsibilidade política se tornou tão valiosa quanto a inovação tecnológica.

Com o S&P 500 em alta de 17,88% no ano, puxado pelas empresas de tecnologia e pela alta da inteligência artificial, 2025 consolidou a ideia de que o Vale do Silício, sob Trump, é um campo de disputa onde política e lucro tendem a caminhar lado a lado.

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