Elon Musk: bilionário é CEO do X (antigo Twitter), Tesla e da SpaceX (Jordan Vonderhaar/Bloomberg/Getty Images)
Repórter
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 05h40.
Depois de anos prometendo levar a humanidade a Marte, Elon Musk decidiu puxar o freio — e virar o foguete. A SpaceX agora irá concentrar seus esforços na Lua, deixando o planeta vermelho em segundo plano. O anúncio foi feito neste domingo, em publicações no X (antigo Twitter), às vésperas do Super Bowl.
Segundo Musk, construir uma cidade autossustentável em Marte levaria mais de 20 anos. Na Lua, o mesmo objetivo poderia ser alcançado em menos da metade do tempo. Em resposta publicada na manhã de segunda-feira, 9, o executivo afirmou que os planos para Marte seguem em paralelo, mas que o “caminho crítico” agora é lunar.
Durante anos, Musk declarou que a colonização de Marte era a missão central da SpaceX e uma forma de preservar a civilização humana. Em declarações anteriores, Musk chegou a afirmar que a empresa poderia alcançar o planeta até 2026.
A nova diretriz representa uma inflexão relevante na estratégia da companhia, ao priorizar um objetivo considerado mais próximo, tanto em termos tecnológicos quanto logísticos.
A mudança ocorre em um momento decisivo para a empresa. A SpaceX se prepara para sua oferta pública inicial, com informações de mercado indicando que a operação pode ocorrer ainda neste ano, com junho citado como uma das possibilidades.
Com a aproximação do IPO, a empresa ajusta a narrativa apresentada a bancos e investidores responsáveis pela estruturação da oferta, em busca de volumes expressivos de capital.
Com a perspectiva de uma missão tripulada a Marte cada vez mais distante, investidores tendem a concentrar atenção em frentes mais rentáveis. Entre elas estão os lançamentos comerciais, o serviço de internet via satélite Starlink e projetos voltados à infraestrutura em órbita terrestre.
No domingo, 8, Musk voltou a destacar que iniciativas de retorno mais previsível ganham peso no momento em que a empresa busca ampliar sua base de financiamento.
Na semana passada, Musk afirmou em um podcast que a Lua pode funcionar como base de lançamento para novos satélites e como plataforma de montagem de componentes necessários para estruturas orbitais, como radiadores e células solares.
A ideia é usar a proximidade lunar para acelerar testes, produção e expansão de atividades no espaço, reduzindo custos e prazos em relação a operações interplanetárias.
A SpaceX busca levantar recursos em escala inédita. Informações de mercado indicam que a empresa discute uma avaliação de até US$ 1,5 trilhão e uma captação que pode chegar a US$ 50 bilhões, o que tornaria a operação a maior abertura de capital da história.
Enquanto Wall Street começa a considerar projetos como data centers orbitais, antes vistos como ficção científica, o custo elevado e o horizonte de retorno de uma missão a Marte seguem como um obstáculo difícil de justificar no curto prazo.