Tecnologia

Alta de chips para IA deve derrubar venda globais de celulares em 12,9% em 2026, diz IDC

Consultoria projeta queda global no mercado móvel enquanto fabricantes priorizam memórias DRAM para inteligência artificial; preços podem subir 14%

Venda de smartphones: Preços de celulares podem subir 14% em 2026 com redirecionamento de memórias para inteligência artificial (Divulgação / Getty Images)

Venda de smartphones: Preços de celulares podem subir 14% em 2026 com redirecionamento de memórias para inteligência artificial (Divulgação / Getty Images)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 09h21.

Última atualização em 27 de fevereiro de 2026 às 09h23.

O mercado de dispositivos móveis também deve ser afetado pelo aumento dos chips destinados a memórias internas. Uma análise da International Data Corporation (IDC) publicada nesta quinta-feira, 26, disse que as fabricantes terão "desafios" durante todo o ano de 2026 e a previsão é que a queda de envios para varejistas seja de 12,9%. 

A retração nos embarques ocorre após um período de recuperação moderada e expõe a dependência da indústria de componentes estratégicos, como a DRAM, memória de acesso aleatório usada para armazenar dados temporários em dispositivos eletrônicos.

Para mitigar o impacto da escassez, a previsão é que os preços médios de venda dos celulares subam cerca de 14%. A estratégia pode compensar parcialmente a perda de volume, mas tende a pressionar a demanda, sobretudo em mercados emergentes.

Apple e Samsung, que lideraram o ranking de smartphones mais vendidos em 2025, devem sentir menos os efeitos da crise por conta de escala global, poder de barganha e contratos de longo prazo com fornecedores. Já fabricantes menores e regionais, que operam com margens mais apertadas, enfrentam cenário mais adverso. “Vendedores menores e regionais terão cada vez mais dificuldade em competir por componentes”, afirmou a consultoria em nota.

O pano de fundo da retração está na reorganização da cadeia global de semicondutores. A produção de memórias como a DRAM vem sendo direcionada para data centers, centros de processamento de dados, que sustentam aplicações de IA generativa e modelos avançados de aprendizado de máquina.

Segundo análise da McKinsey, consultoria global de estratégia, cerca de 70% dos centros de processamento de dados deverão ser destinados a operações de inteligência artificial até 2030. Esse movimento tem levado fabricantes de chips a priorizar encomendas de empresas como Nvidia, fornecedora de unidades de processamento gráfico (GPUs, chips especializados em computação paralela), além de OpenAI e Meta.

A consequência direta é a redução de insumos disponíveis para outros segmentos, como o de dispositivos móveis, que dependem de memória em larga escala para manter cronogramas de produção e lançamentos globais.

Recuperação modesta a partir de 2027

A IDC projeta que o mercado volte a crescer em 2027, ainda que de forma limitada. A estimativa é de expansão de 2% no próximo ano e avanço mais consistente, de 5,2%, em 2028. O cenário indica uma recuperação gradual, condicionada à normalização da oferta de semicondutores e à estabilização dos preços.

No curto prazo, os celulares de entrada devem ser os mais afetados. Com margens reduzidas, fabricantes podem optar por elevar preços ou reduzir especificações técnicas, como capacidade de armazenamento e memória, para equilibrar custos. A tendência é de retração no segmento de aparelhos mais acessíveis, historicamente responsável por grande parte do volume global de vendas.

A combinação de menor oferta, alta de preços e competição mais intensa entre marcas consolidadas tende a redesenhar o mercado móvel nos próximos dois anos, com maior concentração entre grandes fabricantes e pressão adicional sobre empresas regionais.

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