iPhone 17 Pro: celulares da Apple foram os únicos que não subiram tanto (Apple/Divulgação)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 9 de agosto de 2026 às 17h59.
A receita global com smartphones somou US$ 109 bilhões (cerca de R$ 558 bilhões, na cotação atual) no segundo trimestre, recorde para o período, mesmo com o número de aparelhos vendidos em queda, segundo dados da Counterpoint Research.
A explicação para o descompasso é o preço. O valor médio de venda global chegou a US$ 400 (cerca de R$ 2.048), alta de 17% em um ano — o maior patamar já registrado para um segundo trimestre.
Por trás da alta está a escassez de memória. Componentes de DRAM e NAND encareceram em todo o setor, e a maioria dos fabricantes repassou o custo ao consumidor.
A Apple foi a única entre as cinco maiores marcas a driblar boa parte do aumento.
A receita da empresa cresceu 22% no trimestre, para a maior marca histórica da companhia no período — impulsionada por alta de 13% nos embarques e de apenas 8% no preço médio, que passou de US$ 879 (cerca de R$ 4.500) para US$ 946 (cerca de R$ 4.844).
Isso deu à Apple 49% de toda a receita mundial do setor, com apenas 21% dos aparelhos vendidos — a maior fatia de faturamento já registrada pela empresa em um segundo trimestre, segundo Tarun Pathak, diretor de pesquisa da Counterpoint.
O motivo, segundo a consultoria, foi a demanda sustentada pela linha iPhone 17, sobretudo o modelo básico e o Pro Max, que manteve o mix de vendas concentrado em aparelhos premium.
Do outro lado, os fabricantes que dependem de aparelhos de entrada e intermediários sentiram o aperto.
A Xiaomi teve a maior queda em embarques entre as cinco maiores marcas, de 26% na comparação anual. Mesmo com alta de 13% no preço médio, a receita caiu 17%.
Oppo e vivo tiveram quedas de receita de 10% e 11%, respectivamente, apesar de terem subido os preços em 9% e 13%.
"O mercado entrou em uma fase em que valor, não volume, é o principal motor de crescimento", afirmou Shilpi Jain, analista sênior da Counterpoint. Segundo ela, fabricantes têm repassado cada vez mais o custo de componentes ao consumidor final.
A Counterpoint não vê sinais de alívio no curto prazo para a escassez de memória.
Segundo a consultoria, os embarques globais de smartphones no primeiro semestre já caíram 11% em relação ao ano anterior — o menor volume para um segundo trimestre desde 2013.
Para o ano inteiro, a projeção é de recuo de 12,2% nas unidades vendidas, para 1,093 bilhão de aparelhos, com o valor total do mercado ainda crescendo 6,1%.
O preço médio deve saltar de US$ 467 (cerca de R$ 2.391) em 2025 para US$ 565 (cerca de R$ 2.893) em 2026 — alta projetada de 21%.
A pressão deve aumentar mais no segundo semestre, com quedas mais acentuadas nos embarques em todo o setor.
Mesmo a Apple, que conseguiu segurar preços até aqui, enfrenta o mesmo teto de custo. A Counterpoint estima que o encarecimento de componentes de memória pode adicionar centenas de dólares ao custo de produção do próximo iPhone topo de linha — o que, se confirmado em prateleira, encerraria a estratégia que manteve a empresa fora da onda de reajustes neste trimestre.