Discord: app é polêmico no Brasil e no mundo (Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 09h07.
A primeira-dama do Brasil, Rosângela da Silva, a Janja, afirmou na quinta-feira, 6, que o Discord precisa ser banido no país. Durante a sanção do projeto de lei que amplia o combate à violência sexual contra crianças e adolescentes no ambiente digital, Janja afirmou que "precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma".
No mesmo evento, o advogado-geral da União, Jorge Messias, anunciou que apresentará ação civil pública pedindo a responsabilização da empresa e a suspensão da plataforma no país. Segundo ele, o Discord não tem compromisso com a legislação brasileira nem adota mecanismos suficientes para proteger menores.
O caso que motivou as declarações é a morte de uma adolescente de 13 anos durante uma transmissão ao vivo no aplicativo. Na terça-feira, 4, a Operação Lívia, coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, apreendeu cinco menores entre 13 e 18 anos em cinco estados, suspeitos de incentivar a vítima.
Não há decisão judicial que suspenda a plataforma. Segundo o secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes, a autoridade policial chegou a pedir a suspensão no caso, mas o juiz negou. O Discord não se manifestou.
O Discord é um aplicativo de comunicação por texto, voz e vídeo organizado em comunidades chamadas servidores.
Cada servidor funciona como uma casa própria, com canais separados por assunto, regras definidas pelo dono e níveis de permissão para os membros. Não há feed nem algoritmo empurrando conteúdo: o usuário entra onde quer e conversa com quem está lá.
É essa arquitetura que explica a dificuldade de moderação. O conteúdo não circula em uma linha do tempo pública, e sim dentro de milhares de espaços fechados, muitos deles privados e por convite.
Foi lançado em 2015 para resolver um problema específico: jogadores de videogame precisavam falar entre si durante partidas, e as ferramentas disponíveis eram ruins.
A pandemia mudou a escala. Grupos de estudo, comunidades de criptomoedas, fãs de artistas e equipes de trabalho passaram a usar a plataforma.
O maior servidor do mundo hoje é o da Midjourney, ferramenta de geração de imagens, com cerca de 20 milhões de membros.
A companhia informou ter ultrapassado 200 milhões de usuários ativos mensais, e estimativas de mercado apontam número perto de 260 milhões.
A geração Z responde por cerca de 41% da base global — a maior proporção entre as grandes plataformas de conversa, segundo a Statista. Usuários engajados passam em média 94 minutos por dia no aplicativo.
O Brasil é o segundo país que mais acessa a plataforma, atrás apenas dos Estados Unidos.
Não vende publicidade no modelo tradicional. A receita vem principalmente do Nitro, assinatura que libera upload de arquivos maiores, emojis personalizados e transmissão em qualidade superior.
A receita anualizada chegou a US$ 725 milhões em 2024, alta de cerca de 21% em um ano, segundo documentos do processo de abertura de capital reportados por Bloomberg e Reuters em janeiro.
A empresa protocolou pedido confidencial de registro para estrear em bolsa.
A proposta de bloqueio foi criticada por parlamentares de oposição.
Kim Kataguiri (Missão-SP) afirmou que tirar a plataforma do ar apenas faria criminosos migrarem para outro serviço. Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou o efeito eleitoral da medida entre eleitores jovens.
Por ora, servidores, chamadas de voz e demais funções seguem operando normalmente no Brasil.