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Meta tenta transformar gasto bilionário com IA em negócio de nuvem

Aposta em cloud pode abrir nova fonte de receita para dona do Facebook, ainda dependente de publicidade, e aproximá-la de Amazon, Microsoft e Google

Mark Zuckerberg: CEO da Meta

Mark Zuckerberg: CEO da Meta

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 3 de julho de 2026 às 16h53.

Última atualização em 3 de julho de 2026 às 16h54.

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A Meta se prepara para transformar parte de seu investimento bilionário em inteligência artificial em um novo negócio de cloud, serviço de computação em nuvem, segundo a Bloomberg. A empresa quer vender acesso a poder computacional e a modelos de IA, em uma tentativa de reduzir a dependência de publicidade, que ainda concentra a maior parte de sua receita.

A movimentação ocorre em meio à pressão de investidores sobre os gastos da companhia com data centers, chips e infraestrutura para IA. Embora a Meta tenha um dos negócios de anúncios mais rentáveis do setor de tecnologia, a concentração nessa fonte de receita é vista como um risco estrutural: se o mercado publicitário desacelera, a empresa fica mais exposta.

A segunda pressão vem justamente da solução escolhida por Mark Zuckerberg para diversificar o negócio. A IA passou a ser tratada pela Meta como motor para anúncios mais eficientes, novos dispositivos, como óculos inteligentes, e serviços capazes de gerar receita além das redes sociais. O problema é que construir essa infraestrutura exige desembolsos de capital em escala rara até mesmo para as maiores empresas de tecnologia.

Diferentemente de Amazon, Microsoft e Google, que vendem seus serviços de IA e computação diretamente a clientes corporativos por meio de AWS, Azure e Google Cloud, a Meta ainda não tem uma operação equivalente. Essa diferença ajuda a explicar por que Wall Street tende a olhar os gastos da Meta com IA com mais desconfiança do que os de suas concorrentes.

A nova estratégia seria criar uma frente comercial dentro da iniciativa chamada Meta Compute, voltada a administrar e monetizar a infraestrutura de IA da companhia. O plano inclui vender acesso a modelos hospedados nos data centers da própria Meta, em formato semelhante ao Bedrock, plataforma da Amazon que oferece modelos de IA a desenvolvedores por meio de APIs, interfaces de programação usadas para conectar sistemas e serviços.

Outra possibilidade em estudo seria vender capacidade computacional bruta, modelo associado às chamadas neoclouds, empresas focadas em oferecer infraestrutura de alto desempenho para treinamento e execução de IA.

Nesse formato, a Meta não precisaria disputar imediatamente todo o mercado tradicional de nuvem, mas poderia começar por um segmento mais restrito e hoje aquecido: o aluguel de chips e data centers para cargas de trabalho intensivas.

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