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Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 24 de junho de 2026 às 13h14.
Última atualização em 24 de junho de 2026 às 15h01.
*SAN FRANCISCO - O Brasil passou a integrar, pela primeira vez, a maior pesquisa de inteligência artificial e design da plataforma Figma, divulgada nesta quarta-feira, 24, durante o Config, em San Francisco.
A inclusão é pequena no enunciado, mas reveladora da estratégia da empresa: o crescimento está cada vez mais fora dos Estados Unidos, e o país vira peça desse mapa.
Para o CEO da Figma, o código virou material do designer - e isso pode assustar os devs
Para a edição de 2026, o Figma ampliou a amostra do estudo de sete para dez mercados, acrescentando Brasil, Índia e Coreia do Sul ao grupo formado por Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Alemanha, França, Canadá e Austrália.
A pesquisa reúne três anos de dados, com mais de 8.000 respostas, e só na rodada deste ano ouviu 4.392 profissionais.
A base de clientes locais ajuda a explicar o interesse. Empresas como Nubank, Itaú Unibanco, Mercado Livre, iFood, BTG Pactual, Sicredi e Totvs usam a plataforma no dia a dia para desenhar interfaces e desenvolver produtos e, segundo o próprio Figma, mais de um terço das companhias listadas no Ibovespa recorrem à ferramenta em suas operações.
O exemplo mais robusto é o do Nubank. O banco digital construiu inteiramente no Figma o seu design system, batizado de NuDS, que padroniza e dá acessibilidade às telas do aplicativo em Brasil, México e Colômbia.
O sistema reúne mais de 100 componentes reutilizáveis e chegou a sustentar cerca de 320.000 linhas de código na plataforma, virando peça central da operação de design e engenharia da fintech, uma mostra de até onde uma empresa brasileira levou a ferramenta.
O movimento brasileiro se encaixa em uma guinada mais ampla rumo a mercados emergentes. No mesmo evento, o Figma anunciou a primeira edição do Config India, marcada para Bengaluru em 15 de outubro de 2026, desdobramento do escritório que a empresa abriu na cidade indiana em novembro de 2025.
Há ainda um dado que ajuda a explicar o interesse por públicos novos: o Figma diz que cerca de dois terços de seus usuários ativos mensais não se identificam como designers. Ou seja, a ferramenta deixou de ser exclusividade de uma profissão e passou a ser usada por desenvolvedores, gerentes de produto e outros perfis — um alargamento de base que torna mercados como o Brasil ainda mais estratégicos.
Para o profissional brasileiro, a entrada do país na pesquisa também significa, na prática, passar a ser ouvido em um dos termômetros mais acompanhados sobre como a IA está mudando o trabalho de quem cria produtos digitais.
*O jornalista viajou a convite da empresa.