Repórter de Invest
Publicado em 22 de julho de 2026 às 11h09.
Última atualização em 22 de julho de 2026 às 11h52.
O Ibovespa acelera os ganhos na manhã desta quarta-feira, 22, após cinco sessões consecutivas variando entre quedas e estabilidade. Por volta das 11h40 (horário de Brasília), o principal índice acionário da bolsa brasileira avançava quase 1,27%, aos 175,5 mil pontos. Mais cedo, subiu 2%. O movimento era impulsionado pela ações das blue chips, que avançam, e pelo balanço da WEG, divulgado antes da abertura.
Entre os peso-pesados da bolsa, a Vale (VALE3) subia 2,78%, no mesmo horário, com o mercado repercutindo de forma positiva a prévia operacional do 2° trimestre da mineradora. Na avaliação de bancos e casas de análises, os resultados vieram acima das expectativas e agradaram o mercado, que revisou o Ebitda da companhia para cima.
A Petrobras acompanha a alta do petróleo e também sobe forte, com os papéis ordinários (PETR3) avançando 2,46% e os preferenciais (PETR4) subindo 2,24%. Entre os bancos, o movimento começou positivo, com BTG Pactual (BPAC11) avançando 0,94%, mas depois arrefeceu.
O destaque do pregão, contudo, é a WEG (WEGE3), cujas ações disparam mais de 9% após a divulgação do balanço do segundo trimestre. A multinacional brasileira reportou receita operacional líquida de R$ 10,1 bilhões, alta de 7,1% ante o primeiro trimestre, e lucro de R$ 1,56 bilhão, batendo expectativas.
Na ponta negativa, ISA Energia (ISAE4) caía 1,83%; Magazine Luiza (MGLU3), recuava 1,24% e Tim (TIMS3), -1,37%.
O dólar operava em direção oposta. A moeda chegou a subir 0,17% na abertura, para R$ 5,0816, após recuar 0,32% na véspera, mas passou a cair ao longo da manhã. Por volta das 11h10, era negociado a R$ 5,054, baixa de 0,38%. No mês, o real acumula queda de 1,74%, enquanto no ano a desvalorização chega a 7,57%, segundo o diretor de câmbio da Ourominas, Elson Gusmão.
Gusmão avaliou, ainda, que a alta do petróleo favorece empresas ligadas à commodity, mas aumenta os riscos inflacionários e pode limitar cortes de juros. E também destacou que a tarifa americana e a tensão entre Estados Unidos e Irã mantêm a cautela dos investidores. "Os resultados corporativos e a composição setorial devem determinar a direção do índice ao longo do pregão", detalhou.
A tarifa adicional de 25% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros atinge 2.375 itens, que somaram US$ 7,2 bilhões em exportações em 2025, equivalente a 19,2% do total vendido ao país no período, segundo levantamento da ApexBrasil. A cobrança afeta produtos como açúcar, etanol, pneus de veículos e peças de motores.
Sobre o câmbio, Gusmão afirmou que a pressão sobre o dólar vinha tanto das incertezas comerciais quanto do cenário geopolítico, com a escalada no Oriente Médio e os riscos às rotas de navegação no Estreito de Ormuz. Apesar de ter oscilado durante o início da manhã, o dólar operava em queda de 0,27%, a R$ 5,05, às 10h40.
O ouro também avançava com a busca por proteção. Os contratos futuros subiam 1,17%, a US$ 4.125 por onça, enquanto o ouro à vista ganhava 1,08%, a US$ 4.120,32.
Os preços do petróleo atingiram o maior nível em quase seis semanas. Os contratos futuros do Brent para setembro chegaram a US$ 95,24 por barril, alta de 4,2%, antes de recuarem para US$ 93,16 no momento desta publicação. O West Texas Intermediate (WTI), referência estadunidense de preços, avançou 5,2%, para US$ 87,99, e depois caiu para US$ 86,28. Ambos os contratos atingiram os maiores níveis desde 11 de junho.
A alta foi impulsionada pela 11ª noite consecutiva de ataques dos EUA contra alvos no Irã e por declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, de que Teerã "não demonstra seriedade" nas negociações de paz. Ele também afirmou que os EUA continuarão protegendo o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz.
O mercado passou a monitorar os riscos às rotas de navegação. E o head de pesquisa global macro do Deutsche Bank, Jim Reid, afirmou que o fechamento do Brent acima de US$ 90 reacendeu preocupações com estagflação, além de aumentar as apostas em juros mais altos nos EUA.
Nos EUA, os principais índices operavam de forma mista nesta quarta-feira. O S&P 500 rondava a estabilidade com ligeira alta de 0,03%, enquanto o Nasdaq caía 0,28% e o Dow Jones subia 227 pontos, com alta de 0,44%.
Investidores acompanhavam a temporada de balanços, com resultados previstos de empresas como Tesla, Alphabet, IBM, Texas Instruments e ServiceNow. O mercado busca sinais sobre gastos com inteligência artificial (IA), demanda por serviços de nuvem e perspectivas para o segundo semestre.
Entre os destaques individuais, as ações da Super Micro Computer subiam 14% após a empresa projetar margens acima das expectativas para o quarto trimestre fiscal e informar mais de US$ 60 bilhões em novos pedidos.
Na Europa, os principais índices operavam em alta. O Stoxx 600 subia 0,66%, o FTSE 100, de Londres, avançava 1,42%, o CAC 40, de Paris, ganhava 1,04%, o FTSE MIB, da Itália, subia 0,91%, e o DAX, da Alemanha, tinha alta de 0,63%.
Ações de mineração, utilities e petróleo lideravam os ganhos, enquanto papéis de tecnologia recuavam diante da maior cautela dos investidores.
Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única. O S&P/ASX 200, da Austrália, subiu 0,34%, o Xangai Composto avançou 0,07%, enquanto o Nikkei, do Japão, caiu 0,18%, o Nifty 50, da Índia, recuou 0,79%, e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 0,95%. Já o Kospi, da Coreia do Sul, registrou alta de 0,74%.