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Figma vira 'full-stack'e amplia funções para criação com código, animação e agentes

Mudança apresentada por Dylan Field no Config tenta posicionar a plataforma como ponto de encontro entre designers, desenvolvedores e agentes de IA

 (Figma/Reprodução)

(Figma/Reprodução)

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 24 de junho de 2026 às 13h13.

Última atualização em 24 de junho de 2026 às 15h00.

*SAN FRANCISCO - O Figma, plataforma de design, anunciou nesta quarta-feira, 24, a maior reformulação recente de sua ferramenta: o canvas, a tela em branco onde as equipes desenham produtos digitais, passa a funcionar como um espaço de criação full-stack, reunindo design, código, animação e agentes de inteligência artificial em um só lugar.

Para o CEO do Figma, o código virou material do designer - e isso pode assustar os devs

Os anúncios foram feitos no Config, conferência anual da empresa, diante de mais de 10.000 pessoas no Moscone Center, em San Francisco.

A leitura por trás do lançamento é de que, com a IA borrando a fronteira entre software e trabalho criativo, 0 Figma quer ser o ponto onde pessoas, ferramentas e agentes se encontram, em vez de obrigar as equipes a pular entre programas diferentes.

"Boas ferramentas não deveriam forçar uma escolha entre design e código", resumiu o cofundador e CEO, Dylan Field, ao defender que a empresa quer ampliar, e não limitar, a criatividade.

Novos "materiais" na tela

A novidade central é um conjunto de recursos que o Figma chama de novos materiais de criação. As camadas de código permitem trabalhar com programação direto no canvas: clonar repositórios, gerar novas direções com o agente do Figma, extrair fluxos para camadas de design editáveis e sincronizar as mudanças de volta ao código.

O recurso de motion leva animações, transições e transformações em 3D para dentro da ferramenta e podem criar uma alternativa ao dominante After Effects.De forma colaborativa, é possível criar movimento por comando de IA, aplicar estilos prontos ou ajustar manualmente em uma linha do tempo, com tudo conectado ao design system e pronto para produção.

Já os shaders abrem espaço para efeitos visuais antes indisponíveis no Figma, como dither, pixelização e novos tipos de desfoque, gerados por comando e rodando sobre a tecnologia WebGPU.

Entra também o Figma Weave, com mais de 20 ferramentas integradas que transformam fluxos complexos de IA em recursos simples na tela. A empresa diz que esse é o primeiro passo de uma integração completa entre o Figma e o Figma Weave, prevista para ainda este ano.

Agentes que viram ferramentas

A outra frente do anúncio é a colaboração entre times e agentes de IA. Com as habilidades de agente (agent skills), tarefas repetitivas viram rotinas que toda a equipe pode reaproveitar, e o agente passa a puxar mais contexto de conectores externos, busca na web e arquivos anexados.

Os plugins generativos, por sua vez, deixam qualquer usuário criar extensões personalizadas e reutilizáveis a partir de comandos em linguagem natural, sem precisar de configuração técnica ou conhecimento de programação — um caminho para que mais gente construa as próprias ferramentas dentro da plataforma.

Segundo o Figma, os novos recursos começam a chegar aos usuários nas próximas semanas, com disponibilidade que varia conforme o produto. O Config segue até 25 de junho e, neste ano, marca a décima edição do evento.

*O jornalista viajou a convite da empresa.

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