Carreira

Por que a inteligência emocional está se tornando uma habilidade que as escolas não podem ignorar

Escolas começam a rever a formação de jovens diante de uma competência que a tecnologia ainda não consegue substituir

 (Agência SP)

(Agência SP)

Publicado em 22 de julho de 2026 às 11h05.

A inteligência artificial já ajuda estudantes a escrever, resumir, pesquisar, analisar informações e desenvolver ideias em poucos segundos. Essa velocidade, porém, não elimina a necessidade de saber questionar resultados, trabalhar em equipe e avaliar o impacto de uma decisão sobre outras pessoas. 

O debate chega às universidades em um momento no qual empresas procuram profissionais que não apenas operem ferramentas, mas saibam usá-las com discernimento. O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, coloca resiliência, flexibilidade, liderança, influência social, pensamento criativo, motivação e autoconsciência entre as competências centrais para o mercado. As informações foram retiradas da Media Update.

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Inteligência artificial exige mais julgamento, não menos

A presença da IA nas atividades acadêmicas e profissionais mudou a discussão sobre preparo para o trabalho. Saber produzir uma resposta deixou de ser suficiente quando qualquer ferramenta pode apresentar uma versão inicial em poucos instantes.

O diferencial passa a aparecer depois da geração do conteúdo: verificar se a informação está correta, reconhecer limitações, testar ideias e decidir se o resultado serve ao contexto.

Nas áreas de marketing, design e negócios, esse julgamento interfere diretamente na estratégia, no relacionamento com clientes e na confiança depositada em uma marca. Um texto pode estar bem escrito e ainda ser inadequado ao público. Uma análise pode parecer convincente e ignorar consequências importantes.

Empresas procuram quem sabe trabalhar com pessoas

Segundo a Red & Yellow, empregadores precisam de graduados capazes de ouvir, receber avaliações, colaborar com pessoas de diferentes culturas, administrar conflitos e tomar decisões responsáveis. Essas competências não concorrem com a formação técnica — elas determinam como o conhecimento será aplicado no ambiente de trabalho.

Dados da OCDE reforçam essa relação. Habilidades sociais e emocionais, como autocontrole, resistência ao estresse, cooperação, sociabilidade e curiosidade, estão associadas ao desempenho profissional, ao bem-estar e a resultados acadêmicos. Um relatório da organização também concluiu que essas competências contribuem para emprego, remuneração e satisfação no trabalho, mesmo quando habilidades cognitivas são consideradas.

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Para jovens em início de carreira, elas aparecem em situações concretas: defender uma ideia sem desqualificar o colega, receber uma crítica sem reagir impulsivamente e reconhecer quando uma decisão precisa ser revista.

Formação precisa aproximar tecnologia e comportamento

A orientação da escola é que alfabetização em IA e inteligência emocional sejam ensinadas em conjunto. Não basta apresentar ferramentas aos alunos. É necessário criar ambientes nos quais eles possam sustentar argumentos, trabalhar em grupo, receber feedback e refletir sobre os efeitos de suas escolhas.

A proposta acompanha uma mudança mais ampla no mercado. Embora competências tecnológicas estejam entre as que mais crescem em importância, empregadores também valorizam pensamento analítico, criatividade, adaptabilidade, curiosidade e aprendizagem contínua.

Essa combinação reduz dois riscos:

  1. Formar profissionais tecnicamente preparados, mas incapazes de colaborar
  2. Desenvolver boa comunicação sem a base necessária para tomar decisões consistentes

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