VPN: o que o serviço faz, o que ele não faz e como evitar promessas vazias na hora de escolher (Moyo Studio/Getty Images)
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Publicado em 8 de outubro de 2026 às 15h59.
A propaganda da maioria das VPNs promete proteção absoluta e anonimato na internet. Apesar do recurso proteger o caminho dos dados entre o dispositivo e a internet, ele não blinda a identidade do usuário nem substitui outros cuidados de segurança digital. Saber o que o serviço faz de fato é o primeiro passo para decidir se vale contratar e, caso sim, qual escolher.
VPN é a sigla para Virtual Private Network (Rede Privada Virtual). O serviço cria um túnel criptografado entre o dispositivo — celular, computador ou tablet — e um servidor intermediário operado pelo provedor de VPN. Todo o tráfego de internet passa por esse túnel antes de chegar ao destino.
Com a VPN ativa, o provedor de internet (ISP) enxerga a conexão com o servidor da VPN, mas não quais sites ou aplicativos o usuário acessa. Do outro lado, sites e serviços recebem o endereço IP do servidor da VPN, não o IP real da conexão residencial ou móvel. Em redes Wi-Fi abertas — aeroportos, cafés, hotéis e espaços de coworking —, a criptografia dificulta que terceiros na mesma rede interceptem o tráfego.
A VPN não torna ninguém invisível. Rastreadores de navegador — como cookies e fingerprinting digital — continuam identificando o usuário mesmo com a VPN ativa. Contas logadas em serviços como Google e redes sociais também expõem a identidade.
O serviço não bloqueia anúncios nem tentativas de phishing. Para isso, é preciso combinar navegador com proteção adequada e autenticação em dois fatores. A VPN também não esconde a atividade do próprio provedor de VPN — se a empresa guardar registros de conexão, a privacidade fica limitada à política dessa empresa.
Existem situações que justificam o uso de VPNs. São elas:
Em casa, com rede segura e um provedor de confiança, o ganho de privacidade é limitado e pode vir acompanhado de perda de velocidade. Para jogos online, a VPN tende a aumentar a latência. E quem busca anonimato total não o consegue dessa forma — rastreadores e contas logadas continuam expondo o usuário.
VPNs gratuitas acumulam um histórico de incidentes graves. Em julho de 2026, a SplitVPN — que afirmava não manter registros — teve 58 milhões de logs de conexão vazados em um fórum de cibercrime. Antes disso, a SuperVPN expôs mais de 360 milhões de registros de usuários em maio de 2023.
O modelo de negócio dessas empresas se apoia na venda de dados de navegação, na injeção de anúncios ou, em casos extremos, no uso do dispositivo como parte de redes de bots.
Quatro critérios ajudam a separar serviços confiáveis de promessas de marketing:
Desconfie de linguagem vaga como "dados mínimos" sem definição técnica, de auditorias com mais de dois anos sem renovação e de VPNs gratuitas sem modelo de receita transparente.
O caminho mais direto é pelo app do provedor:
Assinantes do iCloud+ contam com o Private Relay, que protege parte do tráfego do Safari — mas não substitui uma VPN completa.
Em ambientes corporativos, administradores de TI podem forçar o uso de apps de VPN específicos e políticas de conexão permanente pelo Android Enterprise.
É a sigla para Virtual Private Network (Rede Privada Virtual). O serviço cria um túnel criptografado entre o dispositivo e um servidor do provedor de VPN, por onde passa todo o tráfego de internet.
Não. Cookies, fingerprinting e contas logadas em serviços como Google e redes sociais continuam identificando o usuário com a VPN ativa.
Em redes Wi-Fi públicas, em viagens internacionais, no trabalho remoto e para esconder a navegação do provedor de internet.
O risco é maior. O modelo de negócio dessas empresas se apoia na venda de dados de navegação e na injeção de anúncios, e o setor acumula vazamentos de registros de usuários.
Procure auditoria independente de no-logs recente, sede fora das alianças Five Eyes e Fourteen Eyes, suporte a WireGuard ou OpenVPN e recursos como kill switch e proteção contra vazamento de DNS.
Pode deixar. Em casa, o ganho de privacidade é limitado e pode vir com perda de velocidade, e em jogos online a VPN tende a aumentar a latência.