Tecnologia

Quanto custa um óculos com IA? Veja como usar e qual principal função

Entenda o que Ray-Ban Meta, Samsung Galaxy Glasses e outros modelos fazem na prática, quanto custam no Brasil e se já dá para trocar o celular por eles

Os óculos com IA têm se modernizado e ganhado mais adeptos. (Imagem gerada por IA)

Os óculos com IA têm se modernizado e ganhado mais adeptos. (Imagem gerada por IA)

Diandra Guedes
Diandra Guedes

Colaboradora

Publicado em 27 de junho de 2026 às 11h00.

Durante décadas os óculos tinham apenas a função de corrigir a visão, no caso dos de grau, ou proteger do sol no caso dos solares. Com a evolução da tecnologia, no entanto, o acessório tornou-se um dispositivo de computação que cabe no rosto.

Chamados em inglês de smart glasses ou AI glasses, os óculos com IA são armações equipadas com câmeras, microfones, alto-falantes e processadores que se conectam a assistentes de inteligência artificial.

Em vez de depender de uma tela para interagir com a tecnologia, o usuário faz tudo pela voz e pelo que os óculos "enxergam" ao redor.

A tecnologia não é de hoje. O conceito de óculos inteligentes remonta à década de 1950, quando o cientista Ivan Sutherland, da Universidade de Utah (EUA), desenvolveu um protótipo com funcionalidades de realidade virtual.

Mas foi na apresentação do Google Glass, em 2012, que a ideia chegou para boa parte do grande público, ainda que sem sucesso comercial naquele momento.

A virada aconteceu quando as IAs generativas amadureceram. A partir de 2023, a parceria entre Meta e Ray-Ban transformou esses dispositivos em produto de massa.

Em setembro de 2025, o Ray-Ban Meta de segunda geração chegou oficialmente ao Brasil, segundo comunicado da Meta Brasil, tornando o país um dos primeiros mercados a receber a versão atualizada.

O mercado global de óculos inteligentes foi avaliado em US$ 878,8 milhões em 2024 e deve chegar a US$ 4,13 bilhões até 2030, com crescimento anual médio de 29,4%, segundo a MarketsandMarkets.

O que tem dentro de um óculos com IA?

Por fora, parecem óculos comuns. Por dentro, a estrutura inclui:

  • Câmera embutida: posicionada na haste ou na armação, captura o que está à frente do usuário em tempo real. A maioria dos modelos atuais tem câmeras de 12 MP com gravação em 3K;
  • Microfones e alto-falantes: permitem comandos de voz e respostas em áudio sem fone de ouvido. Os alto-falantes ficam próximos às orelhas, mas abertos, para que o usuário continue ouvindo o ambiente;
  • Processador e conectividade: os óculos se conectam via Bluetooth ao smartphone, que faz boa parte do processamento. Alguns modelos têm armazenamento interno para fotos e vídeos;
  • Assistente de IA integrado: é o diferencial central. O assistente responde a perguntas sobre o que a câmera está vendo, traduz textos, dá indicações de navegação e muito mais.

Para que serve o óculos com IA?

A resposta curta é: para fazer muita coisa sem precisar tirar o celular do bolso. A lista de funcionalidades cresce a cada geração de produto. Veja as principais:

1. Assistente de voz com consciência visual

É o recurso mais diferente dos óculos com IA em relação a um smartphone. Você pode perguntar "o que é esse prato?" ou "qual é o nome desse monumento?" e o assistente responde com base no que a câmera está vendo.

2. Tradução em tempo real

Alguém fala com você em outro idioma e os óculos traduzem para o seu ouvido em segundos. Funciona tanto para conversas presenciais quanto para placas e textos que a câmera capta.

3. Chamadas e mensagens sem tocar no celular

Permite fazer e receber chamadas de áudio e de vídeo pelo WhatsApp, enviar mensagens de voz e até fazer transmissões ao vivo pelo Instagram, tudo por comando de voz.

4. Captação de fotos e vídeos em primeira pessoa

A câmera captura o ponto de vista do usuário, útil para criadores de conteúdo, repórteres, atletas e qualquer pessoa que queira registrar o momento sem segurar o celular. A gravação é iniciada com um toque na haste ou por voz.

5. Música e podcasts

Os alto-falantes abertos tocam áudio com qualidade de fone de ouvido, mas sem bloquear os sons do ambiente, o que é especialmente útil para quem precisa manter atenção ao redor.

6. Realidade aumentada (nos modelos com display)

No Meta Ray-Ban Display, lançado nos EUA em setembro de 2025 por US$ 799, uma tela colorida integrada à lente direita exibe mensagens, fotos, mapas e informações contextuais sem tirar os olhos do que está à frente.

Segundo a Meta, os óculos foram criados para proporcionar uma nova maneira de checar atualizações e se manter presente, com um rápido olhar para a tela integrada nas lentes. Esse modelo ainda não tem data confirmada para o Brasil.

Os óculos com IA já substituem o celular?

Ainda não. Os modelos disponíveis hoje ainda dependem do smartphone para processar boa parte das tarefas. Sem o celular por perto, as funcionalidades ficam limitadas.

O que eles fazem é reduzir o tempo de tela e a frequência com que você pega o telefone. Para quem usa muito o celular no trânsito, em reuniões ou em atividades físicas, a mudança é real.

Mas para substituir o smartphone completamente, o setor ainda precisa evoluir em autonomia de bateria, capacidade de processamento independente e exibição de informações.

A Samsung, ao apresentar sua estratégia para o Galaxy Glasses no MWC 2026, foi direta: os óculos são um dispositivo complementar ao smartphone, não um substituto, funcionando conectados a ele, com a câmera posicionada na altura dos olhos do usuário para capturar e processar informações contextuais em tempo real.

Óculos com inteligência artificial são ameaça à privacidade?

Apesar da empolgação com a criação desse tipo de óculos, o aparelho traz debates sobre a possível violação ao direito de privacidade de terceiros.

Em outubro de 2024, dois estudantes de Harvard, AnhPhu Nguyen e Caine Ardayfio, demonstraram o alcance do problema.

Eles combinaram o Ray-Ban Meta com o software de reconhecimento facial PimEyes e criaram o sistema I-XRAY, capaz de identificar estranhos em tempo real no metrô de Boston, encontrando nome, endereço, telefone e dados de parentes, tudo a partir de uma simples olhada.

A tecnologia usada não era nova nem sigilosa. Eles apenas combinaram ferramentas públicas disponíveis.

O experimento expôs algo que já preocupava especialistas: esses óculos se passam por qualquer outro par de óculos comuns, o que dificulta que as pessoas percebam quando estão sendo filmadas ou monitoradas.

A Meta usa apenas um pequeno LED branco para sinalizar que a câmera está ligada.

A resposta informal do mercado foi mais rápida que a regulatória: adesivos que neutralizam permanentemente esse sinal luminoso sem comprometer as demais funções do dispositivo já circulam como produto.

Em fevereiro de 2026, o The New York Times revelou que a Meta avalia incorporar reconhecimento facial aos Ray-Ban e Oakley por meio de um projeto interno chamado "Name Tag", que permitiria identificar pessoas em tempo real com acesso a informações biográficas, segundo reportagem acompanhada pela Exame.

E no Brasil, existe lei para isso?

Parcialmente. A LGPD (Lei 13.709/2018) classifica dados biométricos, incluindo o reconhecimento facial, como dados pessoais sensíveis, sujeitos a proteção reforçada.

O tratamento dessas informações exige base legal específica, e a coleta sem consentimento em espaços públicos representa risco de violação da lei.

A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) incluiu na Agenda Regulatória 2025-2026 uma iniciativa específica para analisar e regulamentar o uso de dados biométricos no Brasil, reconhecendo os riscos crescentes das tecnologias de identificação automatizada.

A agência pretende concluir as regras para uso de biometria ao longo de 2026.

O problema é que o Brasil ainda não tem norma específica para dispositivos vestíveis de vigilância. A lacuna existe, e enquanto ela persiste, o uso responsável depende mais do comportamento do usuário do que da lei.

O que fazer para se proteger?

Se você se preocupa com a possibilidade de ser filmado(a) por um óculos inteligente nas ruas:

  • Solicite a remoção dos seus dados em agregadores de informações públicas;
  • Fique atento a LEDs acesos em armações de óculos;
  • Denuncie usos abusivos à ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) quando houver indícios de coleta de dados biométricos sem consentimento.

Principais óculos com IA: como escolher o melhor?

O mercado ainda está se formando. No Brasil, as opções disponíveis para compra imediata são limitadas, mas a lista cresce rápido.

Ray-Ban Meta Gen 2

Disponível no Brasil: Sim
Preço: a partir de R$ 3.299

É o único modelo com venda confirmada e estrutura de distribuição estabelecida no Brasil. Chegou em setembro de 2025 nas lojas Ray-Ban, Sunglass Hut e Solaris, e no site ray-ban.com

O Ray-Ban Meta Gen 2 não tem display. A interação é toda por voz e áudio. Mas o que faz, faz bem:

  • Câmera de 12 MP com gravação de vídeo em 3K Ultra HD;
  • Até 8 horas de bateria (mais 30 horas com o estojo de carregamento);
  • Meta AI em português integrado;
  • Integração com WhatsApp, Instagram e Facebook;
  • Disponível nas armações Wayfarer, Skyler, Headliner, Blayzer e Scriber;
  • Aceita lentes de grau e lentes solares.

Para quem é: usuários que querem praticidade no dia a dia, criadores de conteúdo, pessoas que fazem muitas chamadas pelo WhatsApp e quem quer experimentar o que a IA assistiva já oferece hoje no Brasil.

Oakley Meta HSTN

Disponível no Brasil: Não (lançado nos EUA em agosto de 2025)
Preço: a partir de US$ 399 (~R$ 2.350)

Fruto da parceria entre Meta e Oakley (também da EssilorLuxottica), o HSTN é voltado para esporte e uso ao ar livre. Sem display, foco em performance: câmera 3K, bateria de 8 horas com estojo de até 48 horas. Design robusto e resistente.

Deve chegar ao Brasil em versão futura, mas sem data confirmada pelo fabricante.

Samsung Galaxy Glasses

Disponível no Brasil: Não (lançamento previsto para 2026)
Preço estimado: entre US$ 379 e US$ 499 (~R$ 2.000 a R$ 2.600 em conversão direta)

É o modelo mais esperado de 2026. Apresentado no Google I/O em maio de 2026, o Galaxy Glasses foi co-desenvolvido pela Samsung e pelo Google em parceria com as marcas de moda Gentle Monster e Warby Parker.

Os óculos foram criados para compreender o mundo ao lado dos usuários em tempo real, com suporte para o dia a dia enquanto mantêm as mãos livres e a cabeça erguida.

O Gemini permite receber assistência de navegação, sugestões personalizadas de locais próximos ou até fazer pedidos para retirada, tudo por comando de voz. A apresentação oficial está prevista para o Samsung Unpacked de julho de 2026. O lançamento no Brasil ainda não tem data confirmada.

Para quem é: usuários do ecossistema Android que querem uma alternativa à Meta, especialmente quem já usa smartphones Samsung e quer integração nativa com o Gemini.

E a Apple?

A Apple confirmou planos para óculos inteligentes com IA, mas a chegada ao mercado está prevista para 2027. Até lá, a empresa segue fora desse segmento específico.

O que considerar antes de comprar um óculos com IA?

1. Compatibilidade com smartphone

Os modelos atuais precisam de um smartphone por perto para funcionar. Verifique se o modelo escolhido é compatível com iOS ou apenas Android, ou com ambos.

2. Lentes de grau ou solares

O Ray-Ban Meta Gen 2 aceita adaptação com lentes de grau, fotossensíveis e solares. Confirme essa possibilidade no modelo desejado antes de comprar.

3. Assistente de IA em português

O Meta AI já funciona em português no Brasil. O Gemini (Samsung/Google) também está disponível em português, mas a integração nos óculos ainda está pendente de confirmação para o Brasil.

4. Privacidade e uso responsável

Os óculos têm uma câmera que grava discretamente. Use o LED indicador e comunique às pessoas ao redor quando estiver gravando. O uso indevido pode configurar violação da LGPD e do Marco Civil da Internet.

5. Autonomia de bateria

Oito horas é o padrão atual, com estojo de recarga para mais 30 horas. Para uso pesado (muitas chamadas, vídeos, consultas à IA), a autonomia da bateria pode ser menor.

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