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Netflix revela compra de empresa de IA de Ben Affleck por US$ 587 milhões

Aquisição da InterPositive foi concluída em março de 2026 e paga integralmente em dinheiro

InterPositive, fundada por Ben Affleck, passou a integrar a estratégia tecnológica da plataforma de streaming (Amy Sussman/Getty Images)

InterPositive, fundada por Ben Affleck, passou a integrar a estratégia tecnológica da plataforma de streaming (Amy Sussman/Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 18 de julho de 2026 às 07h00.

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A Netflix desembolsou US$ 587 milhões, o equivalente a cerca de R$ 3 bilhões, para adquirir a InterPositive, empresa de inteligência artificial criada por Ben Affleck. O valor da operação foi revelado em um documento regulatório divulgado pela companhia nesta sexta-feira, 17, meses após o anúncio da negociação, de acordo com o site "The Hollywood Reporter".

Com a conclusão da compra, o ator, diretor e produtor também assumiu a função de consultor sênior da plataforma de streaming.

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O documento consultado pelo veículo não menciona a InterPositive de forma direta. Ainda assim, a Netflix havia informado, em 5 de março, a aquisição da empresa. No formulário regulatório, a companhia registra que concluiu, em março de 2026, uma compra de aproximadamente US$ 587 milhões, com pagamento realizado integralmente em dinheiro.

Fundada por Affleck em 2022, a InterPositive nasceu com a proposta de desenvolver ferramentas de inteligência artificial voltadas à indústria cinematográfica, com foco em efeitos visuais e na preservação da atuação criativa de roteiristas, diretores, atores e demais profissionais envolvidos na produção audiovisual.

Quando a venda foi anunciada, Affleck afirmou que a criação da empresa teve como objetivo preservar a criatividade humana diante da rápida expansão da inteligência artificial.

"Eu sabia que tinha uma responsabilidade para com meus colegas e nossa indústria: proteger o poder da criatividade humana e as pessoas por trás dela. Ao criar a InterPositive, busquei fazer exatamente isso. Da invenção da imagem em movimento à transição para o digital, da captura de movimento à produção virtual, a tecnologia evoluiu lado a lado com os artistas que a utilizam. Nosso compromisso compartilhado de dar continuidade a esse legado torna a união um passo natural, somado às décadas de experiência da Netflix na aplicação e expansão responsável de tecnologia", escreveu Affleck, nas redes sociais, na ocasião.

De acordo com o cineasta, a empresa desenvolveu um modelo próprio de inteligência artificial treinado para compreender a linguagem visual do cinema e preservar a consistência da edição, mesmo em situações como ausência de tomadas, troca de cenários e correção de problemas de iluminação.

A aquisição ocorre enquanto a Netflix amplia o uso de inteligência artificial em diferentes etapas de suas produções. Durante a apresentação dos resultados financeiros da empresa nesta semana, o co-CEO Ted Sarandos informou que aproximadamente 300 títulos da plataforma já recorrem à IA em algum momento da produção, principalmente na fase de pós-produção.

"A IA generativa está ganhando escala rapidamente em todo o processo criativo, desde a concepção e a pré-visualização até a pós-produção e a entrega final. Estamos produzindo resultados de maior qualidade de forma mais rápida e eficiente do que seria possível com métodos tradicionais. Fluxos de trabalho com IA generativa já foram utilizados em cerca de 300 de nossos títulos, com a maior concentração, até o momento, ocorrendo na pós-produção. Mas também estamos aproveitando a IA generativa para tomadas e sequências realmente complexas", afirmou.

Como exemplo da aplicação da tecnologia, Sarandos mencionou a série documental "The American Experiment", produzida com apoio de Tom Hanks. Segundo o executivo, 17 minutos de imagens foram aprimorados com o uso de inteligência artificial.

"Isso nos permitiu ampliar o escopo da série de maneiras que simplesmente não seriam viáveis anteriormente. Esses 17 minutos foram produzidos duas vezes mais rápido e pela metade do custo das opções anteriores", disse o executivo.

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