Celular roubado: veja como proteger os apps de banco (Thinkstock)
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Publicado em 23 de abril de 2026 às 18h06.
O Brasil registra uma média de 2.500 roubos e furtos de celulares por dia, segundo a última edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Parte desses aparelhos é levada desbloqueada, o que dá aos criminosos acesso direto a apps de banco, e-mail, redes sociais e dados pessoais armazenados no dispositivo.
Proteger apps de banco no celular exige duas frentes de ação: configurar barreiras antes que o roubo aconteça e seguir uma sequência correta de bloqueios depois do incidente. Errar a ordem — bloquear a linha antes de apagar os dados, por exemplo — pode facilitar o acesso do criminoso às contas e impossibilitar o apagamento remoto.
A seguir, veja como configurar camadas de proteção no Android e no iPhone, o que fazer caso o celular seja levado e como o programa Celular Seguro pode bloquear apps bancários com um único comando.
As medidas preventivas são as que mais reduzem o risco de prejuízo financeiro. Cada uma adiciona uma barreira entre o criminoso e as contas bancárias.
A maioria dos bancos — Itaú, Bradesco, Nubank, Inter, Caixa, Santander, Banco do Brasil — oferece a opção de travar o app com biometria. Quem ativa esse ajuste precisa confirmar a identidade por digital ou rosto a cada vez que abre o aplicativo, mesmo que a tela do celular já esteja desbloqueada. O caminho varia por banco, mas costuma estar em Configurações > Segurança dentro do próprio app.
Ajustar os limites de Pix para valores baixos no período noturno e nos fins de semana dificulta transferências de alto valor caso alguém acesse o app. A maioria dos bancos permite configurar limites diferenciados por horário diretamente no app.
No iPhone (iOS 18 ou superior), é possível exigir Face ID para abrir apps específicos e removê-los da tela inicial, mantendo-os acessíveis apenas pela Biblioteca de Apps. A configuração é feita ao manter o ícone do app pressionado e selecionar a opção de exigir autenticação biométrica. Com isso, mesmo que o celular esteja desbloqueado, o app bancário só abre após reconhecimento facial ou digital.
No Android, fabricantes como Samsung e Xiaomi oferecem opções semelhantes. A Samsung tem a Pasta Segura, que cria um ambiente separado protegido por senha ou biometria. Xiaomi disponibiliza a função de ocultar apps nas configurações de privacidade.
O Android 15 tem um recurso chamado Espaço Privado, que cria um compartimento isolado dentro do sistema operacional, protegido por senha, PIN ou biometria própria, onde aplicativos e arquivos ficam ocultos do restante do celular, com criptografia dedicada. Em caso de furto ou roubo, mesmo que o criminoso consiga desbloquear o aparelho, os apps do Espaço Privado ficam trancados atrás de uma segunda camada de autenticação.
O PIN do chip impede que o criminoso coloque o SIM em outro aparelho para receber códigos de recuperação de senha por SMS. No Android, o caminho é Configurações > Segurança > Bloqueio do SIM. No iPhone, Ajustes > Celular > PIN do SIM.
O Android e o iOS possuem recursos nativos que reforçam a segurança do aparelho em caso de roubo.
No Android (versão 10 ou superior), o Google oferece a Proteção contra Roubo com três camadas:
Em dispositivos mais recentes, os dois primeiros podem vir ativados por padrão, dependendo do fabricante e da região. O caminho para ativar ou verificar manualmente: Configurações > Google > Proteção contra Roubo.
No iPhone (iOS 17.3 ou superior), a Apple oferece a Proteção de Dispositivo Roubado. O recurso elimina a possibilidade de usar o código numérico para acessar senhas salvas, cartões cadastrados ou desativar o rastreamento do aparelho — todas essas ações passam a depender exclusivamente de Face ID ou Touch ID.
Alterações mais sensíveis, como trocar a senha do Apple ID ou remover a biometria cadastrada, exigem ainda um intervalo obrigatório de uma hora seguido de uma segunda verificação biométrica. O caminho para ativar: Ajustes > Face ID e Código > Proteção de Dispositivo Roubado. O recurso não vem ativado por padrão.
O Celular Seguro, do Ministério da Justiça, dispara um único alerta que bloqueia linha, apps bancários e, se o usuário escolher o Bloqueio Total, também o IMEI do aparelho. O cadastro exige conta Gov.br e precisa ser feito antes do incidente. Ao registrar o celular, é possível indicar pessoas de confiança — contatos que podem acionar o bloqueio em nome do titular, sem acesso a saldos ou dados financeiros.
Os principais bancos e operadoras já estão integrados. O bloqueio dos apps bancários costuma ocorrer entre 10 e 30 minutos; o do IMEI pode levar até 24 horas úteis.
Aproveite ferramentas como o Modo Rua do Nubank ou o Cadeado Galaxy da Samsung. Essas funções permitem definir redes Wi-Fi seguras (como a da sua casa); caso o celular seja usado fora dessas áreas, o acesso aos apps financeiros é bloqueado ou exige validações extras para transações, dificultando a ação de criminosos na rua.
Senhas anotadas no app de notas, em conversas do WhatsApp ou em rascunhos de e-mail ficam acessíveis a quem tiver o celular desbloqueado. Use um gerenciador de senhas protegido por biometria.
O e-mail é a porta de redefinição de quase todas as contas. Se ele estiver logado no aparelho, o criminoso pode alterar senhas de bancos, redes sociais e serviços. Uma alternativa é manter o e-mail de recuperação logado apenas em um dispositivo que fique em casa.
A sequência das ações após um roubo define o tamanho do prejuízo. O erro mais comum é bloquear a linha primeiro — o que derruba a internet do aparelho e impede o comando de limpeza remota. Sem conexão, apps bancários e dados continuam acessíveis, então o ideal é tentar ganhar tempo, travar acessos enquanto o celular ainda está online e só depois cortar a linha.
Veja o passo a passo sugerido do que fazer em caso de roubo ou furto de celular para proteger os apps de banco:
Acesse celularseguro.mj.gov.br por outro dispositivo ou peça para uma pessoa de confiança. O alerta notifica operadoras e bancos parceiros ao mesmo tempo e permite bloquear linha, IMEI e contas em um único comando. O bloqueio dos apps bancários costuma ocorrer em minutos. Se já tiver cadastro, esse é o caminho mais rápido.
É possível apagar os dados do telefone de forma remota. No Android, acesse google.com/android/find e selecione "Apagar dispositivo". No iPhone, acesse iCloud.com/find e selecione "Apagar iPhone". A limpeza remove sessões, credenciais e acessos salvos. Esse comando precisa ser enviado enquanto o aparelho ainda está conectado à internet — se a linha for bloqueada antes, ele pode não chegar.
Entre em contato com as instituições financeiras e solicite o bloqueio do app bancário, o travamento da conta e dos cartões e a revogação de sessões ativas. Esse passo interrompe acessos em andamento, incluindo tentativas de Pix.
Depois de enviar a limpeza remota, solicite o bloqueio da linha e do IMEI. Isso impede o uso da rede móvel e reduz tentativas de recuperação de senha via SMS.
Em outro dispositivo, altere as senhas de e-mail, conta Google ou Apple, bancos, carteiras digitais e redes sociais. O e-mail é prioridade, porque costuma ser a porta de redefinição de todas as outras contas.
Inclua o IMEI, o local e o horário do roubo. O boletim é necessário para contestação de transações e validação de bloqueios junto aos bancos.
Acesse o sistema do Banco Central (registrato.bcb.gov.br) e verifique se houve abertura de contas, empréstimos ou chaves Pix vinculadas ao seu CPF sem autorização.
Se o criminoso conseguiu fazer transferências, Pix ou compras antes dos bloqueios, o titular pode contestar as operações junto ao banco. O entendimento do Idec e de decisões do STJ (Súmula 479) é de que cabe ao banco garantir a segurança de suas plataformas digitais — o que abre espaço para pedidos de devolução dos valores.
Para contestar, reúna o boletim de ocorrência, os comprovantes das transações não reconhecidas e os protocolos de bloqueio. O contato com o banco deve ser feito pelo SAC ou pela ouvidoria. Caso o pedido seja negado, o consumidor pode recorrer ao Procon ou registrar reclamação no Banco Central (pelo sistema RDR, em bcb.gov.br).
O prazo para contestação costuma ser de até 90 dias, mas agir nas primeiras horas aumenta as chances de recuperação dos valores.