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Comprar na Shein, Shopee e AliExpress em 2026: taxação, rastreio e o que sai mais barato

Fim da taxa das blusinhas zerou o imposto federal de 20%, mas ICMS estadual ainda incide sobre todas as compras internacionais de até US$ 50

Compras internacionais em 2026: o que mudou na taxação da Shein, Shopee e AliExpress após o fim da taxa das blusinhas (Shopee/Divulgação)

Compras internacionais em 2026: o que mudou na taxação da Shein, Shopee e AliExpress após o fim da taxa das blusinhas (Shopee/Divulgação)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 17 de julho de 2026 às 08h53.

Quem costuma fazer compras em plataformas estrangeiras como Shein, Shopee e AliExpress passou a pagar menos imposto desde maio. A Medida Provisória 1.357/2026 zerou o Imposto de Importação de 20% sobre compras de até US$ 50 feitas por pessoas físicas no programa Remessa Conforme.

A cobrança, apelidada de "taxa das blusinhas", estava em vigor desde agosto de 2024. O alívio, porém, é só de uma parte. O ICMS estadual ainda incide sobre todas as encomendas internacionais, com alíquotas que variam de 17% a 20% conforme o estado.

O que mudou na taxação de compras internacionais em 2026?

A MP 1.357/2026 autorizou o Ministério da Fazenda a zerar a alíquota do Imposto de Importação (a "taxa das blusinhas") para remessas de até US$ 50 dentro do Remessa Conforme. A medida entrou em vigor em 13 de maio de 2026 e foi prorrogada pelo Congresso em julho, com prazo de votação até 22 de setembro de 2026.

O imposto federal de 20% havia sido criado em 2024, após pressão da indústria nacional, e arrecadou R$ 5 bilhões em 2025. Com a revogação, o único tributo que permanece sobre compras de até US$ 50 é o ICMS, cobrado pelo estado de destino.

Para compras entre US$ 50 e US$ 3.000, o imposto que era de 60% caiu para 30%, com um desconto fixo de US$ 30 sobre o valor do tributo, somado ao ICMS estadual. O custo tributário nessa faixa pode ultrapassar 90% do valor do produto.

Quanto de imposto incide sobre compras na Shein, Shopee e AliExpress?

Shein, Shopee e AliExpress estão cadastradas no Remessa Conforme. Isso significa que os tributos aparecem discriminados antes do pagamento, e o pacote chega ao Brasil com a tributação já quitada.

  • Para compras de até US$ 50 no Remessa Conforme: Imposto de Importação de 0% e ICMS de 17% a 20%, a depender do estado. O imposto é calculado e cobrado no checkout das plataformas participantes, sem surpresas na alfândega.
  • Para compras de US$ 50,01 a US$ 3.000: Imposto de Importação de 30% e ICMS de 17% a 20%.

Onde sai mais barato: Shein, Shopee ou AliExpress?

Não há uma vencedora fixa. O preço final depende da categoria do produto, do frete, dos cupons disponíveis e do ICMS do estado do comprador. A comparação mais útil é feita no checkout, ao simular o pedido nas três plataformas com impostos incluídos.

A Shein tende a ter preços mais baixos em roupas, calçados e acessórios de moda, com frete grátis frequente e cupons cumulativos, enquanto a Shopee se destaca em utilidades domésticas, acessórios de celular e itens de papelaria — além de contar com um catálogo extenso de vendedores nacionais, que não pagam tributo de importação e entregam mais rápido. O AliExpress costuma ser mais competitivo em eletrônicos, gadgets e componentes de hardware, com promoções agressivas em eventos sazonais.

Como funciona o rastreio no Remessa Conforme?

Nas três plataformas, o rastreio segue o fluxo padrão: o código de rastreamento é gerado pela loja, atualizado nas etapas internacionais e, ao entrar no Brasil, passa a ser acompanhado pelos Correios.

Como os dados fiscais e o ICMS são transmitidos à Receita Federal antes da chegada do pacote, a liberação na alfândega tende a ser mais rápida do que em compras fora do programa. O status do pacote pode ser verificado no app dos Correios ou na aba "Minhas Importações" do portal correios.com.br.

Quem compra em lojas fora do Remessa Conforme pode ter o pacote retido até que o imposto seja pago — com status como "Aguardando pagamento de tributos" no rastreio. Nesse caso, o pagamento e eventuais contestações devem ser feitos pela aba "Minhas Importações" no portal dos Correios. Apps como Muambator e o próprio aplicativo de cada plataforma também permitem monitorar o trajeto internacional da encomenda.

Como economizar em compras internacionais em 2026?

Quatro práticas ajudam a reduzir o custo final:

  • manter cada pedido abaixo de US$ 50 para aproveitar a isenção do Imposto de Importação;
  • simular a compra nas três plataformas antes de fechar o pedido, comparando preço com frete e impostos incluídos;
  • filtrar a busca por "Envio do Brasil" na Shopee e na Shein, o que elimina o tributo de importação e reduz o prazo de entrega;
  • priorizar vendedores certificados dentro do Remessa Conforme para evitar retenção na alfândega.

O que muda nas compras internacionais a partir de 2027?

A isenção do imposto federal sobre compras de até US$ 50 vale enquanto a MP 1.357/2026 estiver em vigor. O Congresso tem até 22 de setembro de 2026 para votar o texto — se não votar, a medida caduca e a cobrança de 20% pode voltar.

Independentemente do resultado da votação, uma nova tributação federal já está prevista para 2027. A reforma tributária institui a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que substituirá tributos federais como PIS e Cofins e passará a incidir sobre compras internacionais de qualquer valor.

A alíquota da CBS está sendo calculada pela Receita Federal em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU) e será fixada por resolução do Senado até dezembro de 2026. Já o ICMS estadual continuará sendo cobrado em paralelo até a transição completa para o IBS, prevista entre 2029 e 2033.

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