Subsídio para o setor tech: iniciativas públicas disponibilizam equipamentos gratuitos para startups de IA (Leandro Fonseca/Exame)
Colaboradora
Publicado em 19 de março de 2026 às 14h20.
Última atualização em 19 de março de 2026 às 14h22.
A China está disponibilizando apartamentos para empresas pequenas transformarem em centros de processamento de dados. A ideia é transformar as residências em incubadoras direcionadas para startups de poucos profissionais, majoritariamente companhias de um ou até três indivíduos que estejam imersos na indústria de inteligência artificial.
Em inglês, as companhias são classificadas como one-person companies (OPC) e exigem apenas um escritório com equipamentos computacionais de nível avançado. Um dos lugares que iniciou a tendência é o polo tecnológico Suzhou, que prometeu a construção de até 30 comunidades de OPCs com mil residências dedicadas até 2028. O distrito de Pudong, em Xangai, alocou US$ 44 mil para startups do setor.
Diferente do Vale do Silício americano, que tem apostado no apoio de empresas de capital de risco, os distritos chineses exploram formas de inovação com colaboração governamental. Wuhan também optou pela tendência: hoje, a cidade oferece empréstimos para que empreendedores de IA trabalhem em seus produtos.
As iniciativas também são uma forma de auxiliar trabalhadores desligados de suas empresas do setor a partir de demissões em massa. A ideia, conforme empresas de capital de risco consultadas pela reportagem, é que as OPCs representem um momento de transição ou manutenção de carreira enquanto os trabalhadores buscam por novas posições.
O país asiático tem tomado outras iniciativas com foco em alívio econômico para acelerar o desenvolvimento de IA e competir diretamente com os Estados Unidos. Uma delas é a alocação de recursos financeiros para empresas do distrito de Longgang, em Shenzhen, que utilizem o sistema OpenClaw em plataformas públicas ou privadas.
O momento de investimento vem após companhias locais registrarem um aumento de ao menos 9% nas receitas anuais após a implementação do software, informou um relatório da consultoria Gartner.
A proposta prevê que mais US$ 289 milhões sejam direcionados para empresas que desenvolvam aplicativos ligados ao popular software; o momento incentivou o grupo Alibaba a criar uma plataforma rival chamada Wukong, que já está disponível a partir de convites para os testes beta.