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Moda em movimento: a executiva que anda de skate

Paula Kim, cofundadora das marcas P. Andrade e Piet, começou a praticar skate como desafio pessoal

Paula Kim: para a executiva, andar de skate veio como forma de praticar concentração e consciência corporal (Leandro Fonseca /Exame)

Paula Kim: para a executiva, andar de skate veio como forma de praticar concentração e consciência corporal (Leandro Fonseca /Exame)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 27 de agosto de 2026 às 06h00.

Última atualização em 27 de agosto de 2026 às 10h46.

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Historicamente, as pistas de skate foram ocupadas majoritariamente por homens. Mais recentemente, as mulheres ganharam espaço na modalidade — e medalhas olímpicas, inclusive para o Brasil. Para Paula Kim, cofundadora da P. Andrade e da Piet, marcas brasileiras de moda contemporânea, o skate chegou em um momento de mudança na relação da estilista com o esporte. Para ela, nunca foi apenas atividade física.

Aos 16 anos, ela começou a correr. Mais tarde, durante o período em que morou na Espanha para trabalhar na Inditex, descobriu o triatlo e passou a conciliar corrida, natação e ciclismo. A prática se tornou uma forma de controlar a ansiedade, desenvolver disciplina e desafiar o próprio corpo. Agora, depois de uma década ligada aos esportes de resistência, ela encontrou no skate uma nova maneira de se movimentar.

A ideia surgiu quando Paula percebeu que precisava praticar uma nova modalidade. “Preciso ter um hobby para me desestressar. Gosto muito de me desafiar, principalmente nessa questão corporal”, conta. A corrida, que durante anos ocupou esse espaço, já não era suficiente.

O skate também tinha um componente familiar. Seu filho, Astro, passou a acompanhá-la nas aulas, embora a iniciativa tenha partido da mãe. Antes, Paula chegou a colocá-lo na escalada, pensando em descobrir com qual esporte ele teria mais afinidade. O resultado foi um fracasso. “Odiou, chorou. Falei: ‘Então, vamos para o skate’. No primeiro dia ele já amou.”

De lá para cá, os dois passaram a frequentar aulas aos sábados. Paula pratica por cerca de uma hora e meia enquanto o filho observa, brinca e, aos poucos, se familiariza com a modalidade. Para ela, o contato inicial é mais importante do que a prática em si. A estratégia é não transformar o esporte em obrigação. O skate fica em casa, disponível para o filho brincar, subir e descer. A ideia é deixar que a criança desenvolva intimidade com a atividade antes de qualquer cobrança por desempenho.

A escolha do skate também tem relação com a própria experiência de Paula. Depois de anos praticando esportes de resistência, ela queria uma modalidade que exigisse outra forma de concentração e consciência corporal. O esporte, segundo ela, funciona como uma espécie de aterramento em meio à rotina de trabalho, filhos e múltiplas responsabilidades. No ano passado, a P. Andrade foi a primeira marca brasileira a se apresentar na Semana de Moda de Paris.

A relação de Paula com o esporte começou ainda na adolescência, quando a corrida entrou em sua vida. Na Espanha, a prática ganhou outra dimensão. Paula pedalava até o trabalho, corria no horário do almoço e nadava com colegas que também praticavam triatlo. “Isso era ótimo para mim porque tirava a minha ansiedade, me aterrava novamente.” A natação, em particular, ensinou uma lição que ela carregaria para outras modalidades: a importância da respiração.

O triatlo também trouxe disciplina. Ao longo de cerca de dez anos, Paula participou de provas e passou a entender o esporte como um exercício de resistência física e mental. “É um esporte em que eu me encontrei e consegui ter constância.” Para ela, a disciplina criada pelo treinamento acaba influenciando outras áreas da vida.

O aprendizado também vale para o filho. Paula quer transmitir a ele justamente aquilo que o esporte lhe ensinou: resistência e capacidade de não desistir diante da dificuldade. No skate, essa filosofia aparece também na própria meta de Paula. Ela ainda está aprendendo, mas já pensa nos próximos movimentos. Quer fazer giros e avançar o máximo possível. Depois da maternidade, diz, uma chave virou. “Nada é impossível. Agora eu preciso aproveitar meu tempo.”

A relação com o esporte também deve aparecer no trabalho. Para 2027, Paula e Pedro Andrade estudam levar para a Piet uma leitura mais híbrida do universo esportivo, com atenção especial ao futebol feminino e à Copa do Mundo Feminina. A ideia é explorar elementos do esporte para além do uniforme tradicional, levando características como cores, silhuetas e modelagens para o dia a dia. O projeto também parte de uma percepção sobre a moda esportiva feminina. Para Paula, ainda há espaço para explorar melhor as diferenças do corpo feminino, ergonomia e formas de movimento. A proposta é criar peças que funcionem tanto para quem pratica esporte quanto para quem quer incorporar a estética esportiva ao cotidiano. Assim como na moda, as pistas de skate e os campos de futebol têm sido ocupados por elas.

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