Quartzo: modelos da Casio conquistam a geração Z no resgate do estilo dos anos 1980 a 2000 (Casio/Divulgação)
Repórter de Casual
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 06h00.
Última atualização em 27 de agosto de 2026 às 13h24.
O lançamento mais estrondoso do mercado de relojoaria no ano passado foi o Land Dweller da Rolex. Apesar do calibre mecânico de alta frequência, com inovações como o escape de silício, o novo modelo chamou atenção pela estética do Rolex -Oysterquartz, lançado em 1977. O lançamento fez com que o preço desses antigos Rolex a quartzo, já bastante apreciados no mercado secundário, subissem ainda mais.
Os relógios movidos a bateria que usam cristal do mineral quartzo deixaram de ocupar, já há algum tempo, o papel de vilão para os fãs mais puristas da relojoaria. Em 1969, a Seiko colocou no mercado o Quartz Astron 35SQ, o primeiro relógio comercial de pulso de quartzo, mais preciso e mais barato que os suíços. O que se viu nas duas décadas seguintes foi a quebradeira de dezenas de manufaturas tradicionais. Muita gente trocou seus relógios mecânicos tradicionais por essas peças mais acessíveis.
Para sair da chamada crise do quartzo, as manufaturas suíças se uniram em conglomerados e reposicionaram seu produto. Em vez de um instrumento para ver as horas, relógios viraram símbolo de status e investimento seguro — ainda mais depois da popularização dos celulares.
“A nova geração não tem estigma em relação ao quartzo e ao digital”, disse Andrey Kumechko, negociante de relógios vintage de Genebra, em reportagem do jornal Financial Times. “Eles cresceram com relógios digitais nos celulares. Então, para eles, é uma estética legítima. Há também a onda de nostalgia dos anos 1980 a 2000. Basta lembrar de Stranger Things.”
Até mesmo entre os colecionadores mais tradicionais os relógios a quartzo vêm sendo valorizados. Parte importante da história da relojoaria aconteceu entre os anos 1970 e 1990, e as manufaturas mais tradicionais, de Audemars Piguet a Jaeger-LeCoultre, usaram movimentos a quartzo. Cabe lembrar também que a geração X cresceu com o G-Shock, da Casio, como item de estilo nos anos 1980.
G-Shock: o relógio robusto criado nos anos 1980 ganha impulso com novos consumidores (Casio/Divulgação)
Quarenta anos depois do sucesso da linha da Casio, os modelos de quartzo da marca viraram estilo no pulso da geração Z. No Brasil, só no primeiro semestre de 2026, a linha G-Shock faturou 4,1 milhões de reais por mês, crescimento de 128% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Já a linha Casio Vintage, que celebra modelos antigos da marca, alcançou 3,2 milhões de reais mensais, uma alta de 106%. Os principais compradores são jovens de 18 a 29 anos.
O modelo mais vendido foi o GA-2100, que registrou 450.000 unidades vendidas no mundo. A linha Vintage ultrapassou 2,1 milhões de unidades globais, com 180.000 comercializadas em solo nacional.
Segundo Akira Murakami, gerente-geral sênior da Divisão de Relojoaria no Brasil e na América Latina da Casio, foram os jovens que impulsionaram o retorno da moda dos anos 1990 e 2000 — e, com ela, o crescimento de ambas as linhas. “Os relógios Casio Vintage se encaixam naturalmente nessa estética por serem produtos autênticos da época, e não releituras. Esse movimento fez com que o relógio deixasse de ser apenas funcional para se tornar um acessório de moda”, afirma o executivo.
No TikTok, modelos como A168, A158, AQ230 e A700, que circulam no mercado a preços acessíveis, acumulam milhões de visualizações em conteúdos de estilo e estética Y2K. Aparecem em sugestões de vestuário, no dia a dia de influenciadores globais, em feiras para encontrar modelos antigos.
A marca japonesa tem acompanhado o ritmo das redes sociais para impulsionar novos modelos nos últimos dois anos. Para o mercado global, colocou jovens nos principais anúncios da linha Vintage, que ultrapassou 2,1 milhões de unidades vendidas só no primeiro semestre de 2026. Criou também uma coleção inspirada em Stranger Things, que mistura detalhes da série e o estilo dos relógios dos anos 1980. No Brasil, os modelos da linha esgotaram em poucas horas. A Casio também tem conquistado ainda mais espaço entre os jovens com artistas influenciadores tidos como referências. O rapper L7NNON, por exemplo, foi escalado como principal embaixador da marca no Brasil — e o modelo usado por ele vendeu 20.000 unidades por aqui de janeiro a junho deste ano.
“Acreditamos que o verdadeiro luxo contemporâneo está na atemporalidade, e poucos produtos conseguem representar isso tão bem quanto um relógio que permanece desejado por décadas”, destaca Murakami.
Com inovação, apelo nostálgico e relevância cultural, o quartzo é o relógio do momento na moda. E parece finalmente ter feito as pazes com o setor mais tradicional.