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As bodas de prata da galeria Fortes D’Aloia & Gabriel

A galeria Fortes D’Aloia & Gabriel completa 25 anos com presença internacional, mas com a identidade brasileira preservada

Fortes D’Aloia & Gabriel: mostras de Efrain Almeida e Ernesto Neto (Fortes D’Aloia & Gabriel/Divulgação)

Fortes D’Aloia & Gabriel: mostras de Efrain Almeida e Ernesto Neto (Fortes D’Aloia & Gabriel/Divulgação)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 27 de agosto de 2026 às 06h00.

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A artista plástica Beatriz Milhazes é um dos exemplos que ajudam a explicar o posicionamento da galeria Fortes D’Aloia & Gabriel. A trajetória de criações da celebrada artista carioca é marcada por referências brasileiras, que não cedeu às expectativas do mercado internacional para adaptar sua produção. Preferiu manter sua linguagem e construir sua carreira a partir dela. Para a galeria, que completa 25 anos em agosto, a lógica vale também para o negócio, visto que internacionalizar não significa necessariamente renunciar às raízes brasileiras.

“Milhazes nunca se rendeu [à crítica], mas, ao insistir na sua linguagem fundamentada numa pesquisa de ornamentação, mostrou que tem referências formais de arte moderna e contemporânea, como [Piet] Mondrian, com sua estrutura totalmente geometrizada”, diz Marcia Fortes sobre a artista representada pela galeria.

Hoje, a estratégia da Fortes D’Aloia & Gabriel é manter parcerias com galerias estrangeiras para representar seus artistas em outros mercados, em vez de replicar a própria estrutura no exterior.

“Queremos uma representação internacional dos artistas, e não abrir [um espaço] e ficar ali dando conta de uma galeria brasileira”, diz Fortes. A escolha contraria uma lógica de expansão que, segundo os sócios, ganhou força no mercado de arte. “Começou uma crença generalizada de que o único princípio válido é o da expansão. Para ser bom, você tem que ser grande”, diz Fortes. “E nós nunca acreditamos nisso.”

A galeria prefere manter o programa no Brasil e ampliar a presença internacional por meio de feiras e galerias parceiras. Para Fortes, o próprio nome da galeria ajuda a abrir portas para os artistas. “Se é representado pela Fortes D’Aloia & Gabriel, já tem uma marca de qualidade.”

A mesma lógica aparece na relação com os artistas e colecionadores. A galeria se define como uma estrutura “humanizada”, voltada ao desenvolvimento de carreiras. “Nós nos consideramos acima de tudo agentes dos artistas”, afirma Fortes.

Nos últimos anos, o negócio também trabalhou para ampliar o mercado brasileiro. No início dos anos 2000, cerca de 70% das vendas eram internacionais; hoje, a proporção está próxima de 40% no exterior. A mudança acompanha a formação de novos públicos e a expansão do circuito para além de São Paulo e Rio de Janeiro.

Para os sócios, a venda é consequência de uma relação construída com artistas e colecionadores. “Tem muita gente que às vezes chega pelo motivo errado e permanece pelo que a gente considera exatamente certo”, diz Alessandra D’Aloia.

Ao completar 25 anos, a galeria afirma sua presença internacional, mas com a identidade brasileira preservada. A celebração acompanha essa mesma lógica. Em junho, a galeria participou da Art Basel com um estande que reuniu 25 novas obras de 25 artistas representados. Neste mês, o aniversário será marcado por duas exposições individuais na Barra Funda: Efrain Almeida (1964–2024), artista que inaugurou o programa da galeria, em 2001, e Ernesto Neto, um dos nomes centrais da arte contemporânea mundial. “Vamos manter um programa de alta qualidade, fincando o pé aqui no Brasil com uma atuação global”, diz Fortes.

Fortes D’Aloia & Gabriel | Rua James Holland, 71, São Paulo

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