Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, cumprimenta tropas: troca no comando é tentativa de reorganizar a cúpula militar diante dos avanços russos e das dificuldades de mobilização (Leon Neal/Getty Images)
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 06h00.
Volodymyr Zelensky voltou a mexer no comando da guerra em um momento em que a Ucrânia enfrenta pressão dentro e fora do campo de batalha. O presidente demitiu o general Oleksandr Syrskii do posto de comandante-chefe das Forças Armadas e nomeou Mykhailo Drapatyi para substituí-lo, em uma tentativa de reorganizar a cúpula militar diante dos avanços russos e das dificuldades de mobilização.
A troca ocorre em meio a divergências sobre a estratégia de guerra. Syrskii era criticado pela condução das tropas e pela resistência às mudanças defendidas por uma ala que aposta em drones, automação e ataques de longa distância. “As figuras de perfil inovador adquiriram mais influência recentemente”, diz Vicente Ferraro, cientista político especializado em Rússia e Ucrânia e professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Para Ferraro, as mudanças também refletem uma redistribuição de poder em Kiev e a preparação para uma guerra prolongada. “Com esse vácuo de poder que surgiu, outros polos de poder passaram a reivindicar mais espaço”, afirma. A pressão também é econômica. Entre 2021 e 2026, os gastos militares ucranianos saltaram 1.309%, de 6,9 bilhões para 97,2 bilhões de dólares. O desafio do novo comando será sustentar o esforço de guerra com restrições de pessoal, recursos e equipamentos.