Museu da Exploração: novo projeto da National Geographic com a Rolex em apoio à pesquisa (The Washington Post/Getty Images)
Repórter de Casual
Publicado em 30 de julho de 2026 às 06h00.
O visitante que chega a Washington D.C., a capital americana, tem quase uma centena de museus para visitar. Os temas são os mais diversos. Boa parte deles foi construída por filantropia, com dinheiro de doações de famílias tradicionais, e muitos têm entrada gratuita.
Por lá, a National Geographic Society acaba de reinaugurar o acampamento de base, em sua sede histórica. O projeto representa a expansão mais significativa da trajetória da instituição, que desde 1888 serve como ponto de retorno para cientistas após suas missões de campo. O complexo foi desenhado com dupla função: abrigará uma residência técnica para os exploradores compartilharem dados e, ao mesmo tempo, o novo Museu da Exploração, uma estrutura para exibir os resultados das pesquisas desenvolvidas nos ecossistemas mais vulneráveis da Terra.
Os novos centros de exposição da National Geographic contaram com o apoio da Rolex. Na mostra, aberta ao público, a relojoaria suíça apresenta o Rolex Explorers Landing, um pavilhão dedicado a expor itens de expedições históricas e a documentar o processo científico atual. O espaço é dividido de forma didática em quatro setores que acompanham a evolução da pesquisa: Spark (o surgimento da ideia), Trek (a jornada de campo), Purpose (o objetivo científico) e Impact (as consequências práticas da descoberta).
Um dos artefatos em exibição é o traje de mergulho pressurizado utilizado pela oceanógrafa Sylvia Earle em 1979, ocasião em que ela realizou a caminhada solo mais profunda em ambiente marinho. O pavilhão também conta com o Perpetual Planet Expeditions Reader Rail, um sistema que exibe informações e descobertas das expedições conjuntas, quase em tempo real. “Há algo muito poderoso em criar um espaço onde a exploração se torna real para as pessoas”, diz Arnaud Boetsch, diretor de comunicação e imagem da Rolex. “Os visitantes poderão ver não apenas as conquistas, mas também a curiosidade, o comprometimento e o esforço de longo prazo que existem por trás delas.”
A aproximação entre a manufatura da Rolex e a exploração científica da National Geographic remonta à década de 1930, período em que a marca começou a equipar expedições para testar relógios em condições extremas. A aliança oficial foi consolidada em 1954. No ano anterior, a marca forneceu relógios para a equipe liderada por Sir Edmund Hillary e Tenzing Norgay, os primeiros homens a atingir o cume do Monte Everest. A cobertura da revista National Geographic marcou o início da parceria formal entre as duas organizações.
Nas décadas seguintes, o espírito de cooperação levou ambas as instituições a acompanhar os principais marcos da exploração planetária. Em 1960, a Rolex fixou o relógio experimental Deep Sea Special no exterior do Batiscafo Trieste, embarcação de pesquisa subaquática pilotada por Jacques Piccard e Don Walsh. O veículo desceu à Fossa das Marianas e atingiu a profundidade recorde de 10.916 metros.
Em 2012, a cooperação se repetiu no mesmo ponto do Oceano Pacífico, quando o cineasta James Cameron conduziu o mergulho profundo no submersível Deepsea Challenger, que tinha um modelo Rolex fixado ao braço robótico da embarcação.
A sinergia institucional também chegou ao corpo técnico. Ao longo dos anos, 35 laureados dos Prêmios Rolex foram integrados como exploradores ou bolsistas da National Geographic para atuar em frentes que vão da antropologia cultural andina à biologia da conservação na América do Sul.
Em 2019, a aliança foi redirecionada para se tornar um pilar central da Iniciativa Perpetual Planet, criada pela Rolex para apoiar projetos focados na preservação dos ecossistemas. Sob o nome de Perpetual Planet Expeditions, a cooperação financia missões de longo prazo voltadas a estudar os impactos climáticos nos sistemas vitais do planeta: montanhas, florestas tropicais e oceanos. A primeira delas, realizada no próprio Everest em 2019, instalou a rede de estações meteorológicas mais alta do mundo para monitorar o degelo na região do Hindu Kush, na Cordilheira do Himalaia.
Ações semelhantes ocorreram nos Andes chilenos, no Vulcão Tupungato e na Amazônia. Na Bacia Amazônica, cientistas apoiados pela aliança percorreram 1.270 quilômetros de rios em quatro países para catalogar botos-cor-de-rosa e descobriram a primeira floresta de manguezal de água doce documentada pela ciência na costa atlântica. Com o acampamento e o museu, o espaço vai auxiliar a nova geração de pesquisadores a desenvolver projetos inéditos e conhecer aqueles que revolucionaram a história.