Rolex Awards 2026: prêmio 100% feminino (Rolex / Divulgação)
Repórter de Casual
Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 20h33.
Última atualização em 27 de fevereiro de 2026 às 08h35.
Há exatamente meio século, em 1976, a Rolex decidia celebrar os 50 anos de uma de suas maiores inovações, o Oyster, o primeiro relógio de pulso à prova d’água do mundo, de uma forma diferente. Em vez de apenas olhar para o passado, a marca suíça lançou um programa para financiar o futuro. Nascia o Rolex Awards, uma iniciativa que, ao longo de cinco décadas, transformou-se em um dos pilares mais sólidos de fomento à conservação, ciência e saúde no planeta.
Na data em que celebra um século do lançamento do Oyster e 50 anos do prêmio, a Rolex anuncia dois feitos históricos. O primeiro é que o Rolex Awards passa agora a ser anual (antes, era realizado a cada dois anos). E o segundo é que o grupo vencedor de 2026 é formado exclusivamente por mulheres.
As ganhadoras são cientistas e conservacionistas de meio ambiente da Indonésia, Nigéria, Peru, China e Estados Unidos, que lideram projetos de impacto imediato na saúde, na biodiversidade e na tecnologia.
As vencedoras deste ano foram também escolhidas, além da área de pesquisa que desenvolvem, pelo impacto direto de suas lideranças em comunidades locais. Veja abaixo:

Bióloga química, Rosa foi a primeira a provar cientificamente a ligação entre o desmatamento na Amazônia e o declínio das abelhas sem ferrão. Esses polinizadores são vitais para a flora endêmica e para a segurança alimentar das comunidades indígenas.
Com o apoio da Rolex, ela vai expandir corredores de habitats protegidos liderados por povos originários no norte da Amazônia peruana, transformando a pesquisa de laboratório em uma barreira física contra a destruição da floresta.

Enquanto o mundo ainda tenta se recuperar dos efeitos de crises sanitárias recentes, a geneticista médica Pardis Sabeti trabalha na linha de frente na África Ocidental. Ela utiliza algoritmos de ponta para detecção precoce de doenças infecciosas.
O Rolex Award permitirá que ela teste ferramentas de diagnóstico portáteis em comunidades remotas da Serra Leoa, com o potencial de conter surtos virais antes que eles se tornem epidemias globais.

No ecossistema de Leuser, na Indonésia, elefantes, tigres, orangotangos e rinocerontes ainda convivem na natureza — um cenário quase extinto no resto do Sudeste Asiático. Farwiza Farhan mobiliza comunidades de base para monitorar e defender essa floresta contra o avanço predatório do desenvolvimento.
O trabalho dela prova que a voz local deve ser a protagonista nas decisões ambientais.

Em uma região marcada pela indústria do petróleo e pouco estudada pela biodiversidade, Rachel Ikemeh conseguiu o impossível: trazer o macaco colobus vermelho de volta da beira da extinção.
Ela já protegeu mais de 5.800 hectares de floresta e melhorou a vida de 2.500 pessoas. Agora, com o suporte da marca, criará um centro de treinamento móvel para replicar esse sucesso em comunidades vizinhas.

Com menos de 2.000 pandas gigantes vivendo soltos na China, a competição por território com a pecuária local é o maior desafio. A cientista Binbin Li desenvolve métodos de pastoreio sustentável que beneficiam a economia das famílias rurais sem destruir o habitat das montanhas de bambu.
O prêmio ajudará a escalar essa solução por diversas cadeias montanhosas no centro da China.
Desde a sua fundação, o Rolex Awards já apoiou 165 Laureados em mais de 67 países. Como resultado, foram mais de 50 milhões de árvores plantadas, 137 espécies ameaçadas salvas e 32 grandes ecossistemas protegidos — incluindo uma área da Floresta Amazônica equivalente a quase 60 mil quilômetros quadrados.
Para além das estatísticas, o prêmio se destaca por oferecer acesso a uma rede global de especialistas e o prestígio que abre portas em governos e instituições internacionais.